Primeiro encontro com uma garota como uma menina

Segunda chance ok, agora terceira, quarta e quinta ...

2020.09.18 02:40 iamassuregi Segunda chance ok, agora terceira, quarta e quinta ...

Preciso tirar isso do peito kkkkk então isso é longo
Eu conheço uma garota desde a sétima série, hoje tenho 24 anos. Essa garota por muito tempo foi minha amiga, mas sempre meio com vergonha. Kkkk eu não tinha uma boa aparência na época (e em minha defesa todo adolescente é feio) e hoje, olhando para trás, sinto que ela tinha vergonha de mim.
Em 2017 ela me apresentou a um amigo dela. Muito estranho, o cara tinha uns 40 anos e era amigo de uma moça de 21... Um dia fui dormir na casa dela, na época levei o PlayStation e ficamos jogando. Uma das irmãs, que tinha 15 anos aparece, totalmente bêbada. E esse coroa trazendo essa menina. Eu fiquei indignada, pois ela estava muito bêbada mesmo, até vomitou e desmaiou. Eu fechei a cara quando vi isso tudo e só pensava em chamar uma ambulância ou a polícia. Lembro que ele falou algo como: "Ela estava na minha casa com a minha filha, tomou só um pouco" e eu retruquei: "Ela tem quinze anos. Não devia ter tomado nada".
Esse foi o meu primeiro erro. O cara pegou raiva de mim aí.
Enfim, noutro dia fui pra minha casa e segui a minha vida.
Na época da escola éramos um trio: eu, essa garota e outro amigo. Esse moleque não era amigo dela há um tempo.
Outra visita a casa dela e ela me pergunta dele. Eu falo a verdade, que disse que nunca mais queria falar com ela. Tinha morrido pra ele. Volto pra minha casa e quanto estou deitada já, vejo uma ligação. Era o coroa me ligando.
Ele gritou comigo, disse que se fosse para eu falar desse amigo que eu não pisasse mais o pé na casa dela. Queria saber o que ela tinha feito pra ele, e eu apenas respondia: pergunta pra ela!
No dia fiquei morrendo de medo. Depois chorei de raiva. Mandei uma mensagem pra ela, dizendo que precisávamos conversar. No outro dia ela me respondeu, dizendo que iria falar com ele. Depois veio com uma conversa que não podia escolher lado pois não tinha ouvido a ligação para dizer o que cada um disse.
Depois disso me afastei, me ocupei com trabalho. Respondia ela pouco. Meu erro também, devia ter bloqueado nessa época. Também comecei a me arrumar bastante, me cuidar mesmo e a ter encontros kkk (e sim, agora sou bonita)
Ela me chamava para ir na casa dela sempre e dizia: leva o videogame, não tem nada aqui para fazer. Ela mora noutro bairro, muito contramão pra ônibus, então eu andava meia hora com um PS4 mochila, chegava lá morrendo. Eu acabava dormindo lá pois sempre ficava tarde pra voltar. Um dia eu falei pra ela que tava muito zoado para ir, pois estava tendo assalto direto e eu não poderia dormir pois tinha compromisso. Ela disse: então deixa o vídeo game aqui. Depois você busca.
Aí sim eu descobri, ela só queria jogar.
Então fui me afastando, até que ela surgiu meses depois fazendo perguntas sobre esse maldito videogame. Eu não entendo muito, tinha comprado ele no fim de 2016 pois foi uma baita promoção e eu usaria para ver vídeos do YouTube e alguns jogos que eu tinha visto gameplay. Mas por causa do trabalho quem usava mais era a minha família, para assistir. Então eu realmente não sabia responder nada. Foi uma semana de questionamentos até ela me pedir a minha conta da PSN. O coroa tinha dado um videogame para ela. Meu sangue ferveu, e eu disse que não. Ela veio com uma conversinha do tipo: "você não confia em mim?" Eu apenas disse: "sei que você não vai pegar nenhuma informação minha, mas não empresto pra você. Meses sem falar comigo e quando volta quer favores?".
Ela sumiu por três dias e quando voltou disse que não poderíamos mais ser amigas. E começou a escrever um textão. Eu simplesmente dei block e deletei o número. Isso foi no fim de 2018.
Nessa época eu estava meio mal, mudei para um emprego de meio período e fui passando sem comprar muita coisa. Vendi o videogame e resolvi estudar para entrar numa universidade. A situação financeira aqui em casa apertou tanto que eu praticamente sustentei a casa por uns meses com um salário de meio período. Deixei muito currículo mas nem chamavam... Enfim.
No fim de fevereiro desse ano entrei no meu Facebook e tinha várias mensagens dela, das irmãs, pedido para eu mandar mensagem pra ela. Eu sou muito curiosa, então não aguentei. Passei o meu número para a irmã e disse que entrar em contato comigo. Ela falou comigo e pediu desculpas.
E eu aceitei, pois estava numa paz e estava tentando mudar, ver o melhor nas pessoas. Estava muito de boas mesmo.
Ela veio perguntar da minha vida, eu disse que estava estudando e trabalhava algumas horinhas por semana.
Aí ela me pediu uma dicas para estudar pra FUVEST/Enem e acabamos combinando que eu poderia ajudar ela a estudar.
Desde 2019 eu estava muito calma, não me irritava com ninguém e também toda semana tirava um momento pra refletir os pontos da minha personalidade que tinha que melhorar. Mas eu fiz um grande erro: ser gentil não é ser otária. E eu estava sendo uma otária.
Acabou que o corona apareceu e bagunçou a vida de todo mundo, mas continuamos nos falando. Ela comentava lugares que queria ir e eu dizia "ah, depois do corona a gente vai". Acabou que a primeira oportunidade foi esses dias, quando sp começou a permitir que cursos extracurriculares voltassem. Decidi que iria fazer um curso de japonês, pois estava meio deprimida e queria algo para ocupar a cabeça. Chamei ela para dar uma olhada comigo na unidade da escola.
Eu já tinha comentado com ela que estava ficando bem ocupada recentemente, então podia ser que eu esquecesse de ver as mensagens. Falei pra ela que sábado ficaria fazendo um trabalho. Então sábado de manhã fomos ao curso de japonês e quando voltamos ela se convidou para ir na minha casa. Eu, por causa de estar ocupada e cansada, não queria ninguém aqui, então só disse que outro dia a gente marcava.
Depois disso ela nunca mais de respondeu. Ela tinha parado de falar com o coroa quando voltou a falar comigo, mas deve ter voltado.
Essa novela é tão grande e ruim que vou acrescentar uns detalhes aqui:
O que eu aprendi de tudo isso? Não fique perto de quem faz mal pra você. Seja gentil, mas não seja besta.
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2020.08.05 23:15 altovaliriano Sangue de Basilisco: De Harrenhal a Winterfell

Durante sua estadia forçada em Harrenhal, acaba sob a chefia de um homem chamado Wesse que “à sua maneira pequena e empertigada, Weese era quase tão assustador quanto Sor Gregor” (ACOK, Arya VII).
Wesse era um capataz cruel e controlador que sempre era acompanhado por uma cadela feia e malhada que era quase tão má como ele, segundo Arya. A cadela de Weese era violenta e chegou a arrancar “um grande bocado da barriga da perna” (ACOK, Arya VII) de um servente quando Weese atiçou o animal para cima dele.
Entretanto, por mais feroz que fosse a cadela, Weese a criara desde filhote e estava claro até mesmo para Arya que “só uma magia negra qualquer poderia fazer que o animal se voltasse contra ele” (ACOK, Arya IX). Esta opinião parece ser dividida pelas pessoas que presenciaram a morte de Weese:
Uma dúzia de pessoas chegou lá antes dela, embora nenhuma se aproximasse muito. Arya abriu caminho entre elas, contorcendo-se. Weese estava estatelado nas pedras, com a garganta transformada numa ruína vermelha, olhos abertos, sem ver, na direção de uma escarpa de nuvens cinzentas. A feia cadela malhada estava em pé sobre seu peito, bebendo o sangue que saía pulsando do seu pescoço, e de quando em quando arrancando um pedaço de carne da cara do morto.
Por fim, alguém trouxe uma besta e matou a cadela enquanto esta se entretinha com uma das orelhas de Weese.
Que coisa maldita – ouviu um homem dizer. – Ele tinha aquela cadela desde filhote.
Este lugar está amaldiçoado – disse o homem com a besta.
É o fantasma de Harren, é o que é – lamentou-se a governanta Amabel. – Não durmo aqui nem mais uma noite, juro.
Arya ergueu o olhar do homem e do seu cão, ambos mortos. Jaqen H’ghar estava encostado na parede da Torre dos Lamentos. Quando a viu olhando, ergueu uma mão e pousou casualmente dois dedos no rosto.
(ACOK, Arya VIII)
Arya estava tão impressionada em ver a transformação da cadela, que questionou Jaqen na primeira oportunidade que teve. Infelizmente, o fato de Jaqen ter adivinhado sua identidade a impressionou o suficiente para ela deixar a questão de Weese de lado.
Como fez com que o cão matasse Weese? Conjurou Rorge e Dentadas do inferno? Jaqen H’ghar é o seu nome verdadeiro?
Alguns homens têm muitos nomes. Doninha. Arry. Arya.
(ACOK, Arya IX)
Felizmente, Arya sutilmente lembra deste episódio quando esta aprendendo sobre venenos com a Garota Abamdonada na Casa do Preto e Branco, e assim o leitor obtém sua resposta sobre o metódo empregado por Jaqen.
Esta pasta está temperada com sangue de basilisco. Dá um aroma saboroso à carne cozida, mas, se for comida, produz uma loucura violenta, tanto em animais como nos homens. Um rato atacará um leão depois de provar sangue de basilisco.
Arya mordeu o lábio.
E isso funciona em cães?
Em qualquer animal de sangue quente
(AFFC, Gata dos Canais)
Pois bem, existe nas Crônicas outro personagem conhecido por ser um torturador e ter cães treinados para atacar outras pessoas.
[…] Ramsay adorava soltar suas garotas para que latissem nas trilhas, atrás de alguma presa fresca.
(Fedor II)
Os melhores lugares, perto do estrado, estavam ocupados pelos favoritos de Ramsay, os Rapazes do Bastardo. Ben Ossos, o velho que mantinha os amados cães de caça de sua senhoria.
(Fedor I)
Os cães se juntaram ao redor deles, mordendo e rosnando para os estranhos. As garotas do Bastardo, Fedor pensou, antes de se lembrar que nunca, nunca, nunca deveria usar essa palavra na presença de Ramsay.
(Fedor II)
Quando se refere a “presas”, sabemos que Fedor fala em seres humanos. Mulheres, em específico.
Ben Ossos, que gostava mais das cadelas do que do seu mestre, contara a Fedor que todas recebiam seus nomes de garotas camponesas que Ramsay havia caçado, estuprado e matado quando ainda era um bastardo, andando com o primeiro Fedor.
Mas só aquelas que lhe proporcionaram um bom esporte. As que choraram e imploraram e não correram não conseguiram voltar como cadelas. – A próxima ninhada a chegar aos canis de Forte do Pavor incluiria uma Kyra, ele não duvidava.
Entretanto, quanto a estas cadelas, Martin foi ainda mais específico dizendo que as Garotas do Bastardo foram criadas para atacar lobos, com ênfase no lobo dos filhos de Ned Stark.
Ele as treina para matar até lobos – Ben Ossos confidenciara. Fedor não disse nada. Sabia quais lobos as garotas foram feitas para matar, mas não queria assistir às garotas lutando por um dedo seu cortado fora.
(Fedor III)
Os lobinhos do Stark estão mortos – disse Ramsay, despejando mais cerveja em sua caneca – e permanecerão mortos. Deixe que eles mostrem suas caras feias, e minhas garotas rasgarão os lobos deles em pedaços. Quanto mais cedo aparecerem, mais cedo os matarei de novo.
(Fedor III)
Somando todos estes fatores (Stark, mulher e lobo) vemos que as cadelas de Ramsay foram preparadas por GRRM como antagonistas naturais de Arya e Nymeria. Caso esta garota venha a retornar ao Norte, Ramsay usar suas cadelas contra a “menina sem rosto” e warg parecerá apenas uma convergência das pistas que GRRM deixou na trama…
… assim como não pareceria gratuito que Arya usasse sangue de basilisco para fazer com que as cadelas atacassem o próprio mestre, virando o feitiço contra o feitceiro, em um assassinato digno de um homem sem rosto.
Muitos leitores sugerem que o encontro entre Arya e Ramsay ocorreria após Jeyne Poole chegar a Braavos (assumindo que ela não ficaria em Castelo Negro agora que Jon está morto) e procurar a Casa do Preto e Branco para conseguir uma morte pacífica (depois de todos os traumas sofridos), de modo que Arya ficaria sabendo de toda a farsa envolvendo seu nome. Assim, Arya assumiria a identidade de Jeyne Poole e retornaria a Westeros para liquidar Ramsay.
Essa teoria tem diversos benefícios e ainda o número de coincidências poderia ser ainda maior, fazendo com que o retorno de Arya a Westeros fosse mais satisfativo do que problemático. Vejam bem, Jeyne Poole poderia encomendar a morte Ramsay aos homens sem rosto, dando sua própria vida como pagamento.
Como Arya seria a pessoa mais indicada para representar alguém disfarçado como sendo ela, além de nunca ter conhecido Ramsay na vida, ela seria o agente perfeito para a Casa do Preto e Branco enviar para cumprir a tarefa. O único empecilho poderia ser o grau de treinamento que a garota teria alcançado.
Entretanto, a julgar pelas mortes que sabemos que Arya tem executado até o momento, sabemos que ela está cultivando duas especialidades muito necessárias para executar o plano que GRRM está desenhando contra Ramsay, quais sejam, sedução submissa (TWOW, Mercy) e estratégias complexas de envenenamento (ADWD, A garotinha feia).
Mas, alguém poderia perguntar, por que seria necessário veneno para que as cadelas atacassem Ramsay? Elas não seriam ferozes o suficiente para que, em circunstâncias específicas, as cadelas se virassem contra o próprio dono? Bem, alguns poderia arguir que, assim como ocorreu com Weese, seria necessário que as cadelas de Ramsay necessitassem de um incentivo muito forte para se virarem contra seu dono de uma vida inteira.
Na séria da HBO, o papel de providenciar que os cães devorassem Ramsay coube a Sansa, pois os roteiristas fundiram as histórias de Jeyne Poole com a dela, especificamente a partir do 5º livro. O “empurrão extra” foi os cães terem sido privados de comida por 7 dias. Na cena, Ramsay estava amarrado, ferido e coberto de sangue, o que atraiu os animais para fora de seus canis e desencadeou o ataque.
No fim, este seria outro método razoável de executar a morte de Ramsay sem o emprego do sangue de basilisco. E por isso alguns (como o site Drunkenwookie) afirmam que o sangue de basilisco não seria usado nas cadelas de Ramsay, mas nos lobos da matilha de Arya nas Terras Fluviais, que seriam usados para atacar as gêmeas. Entretanto, essa tese tem problemas, justamente porque sabemos que os lobos da matilha de Nymeria não temem humanos há muito tempo:
Nas redondezas do Olho de Deus, as matilhas tornaram-se mais ousadas do que se tem registro. Ovelhas, vacas, cães, não importa, matam o que bem quiserem, e não têm medo dos homens.
(ACOK, Arya II)
Os lobos tornaram-se terríveis nos últimos tempos. Há lugares onde um homem sozinho faria bem em encontrar uma árvore para dormir. Ao longo de toda a vida, a maior alcateia que vi tinha menos de uma dúzia de lobos, mas a grande alcateia que percorre agora o Tridente chega a centenas.
(AFFC, Brienne V)
Perderam todo o medo do homem. Alcateias atacaram nossa coluna logística durante a viagem desde as Gêmeas. Nossos arqueiros tiveram de encher de flechas uma dúzia antes de os outros fugirem.
(AFFC, Jaime IV)
No dia seguinte, Sor Dermot da Mata de Chuva regressou ao castelo de mãos vazias. Quando lhe perguntaram o que encontrara, respondeu: – Lobos. Milhares dos malditos bichos – tinha perdido dois sentinelas para os lobos. Tinham saltado da escuridão para atacá-los. – Homens armados revestidos de cota de malha e couro fervido, e mesmo assim as feras não tiveram medo deles. Antes de morrer, Jate disse que a alcateia era liderada por uma loba de tamanho monstruoso. Um lobo gigante, a julgar por suas palavras. Os lobos também penetraram em nossas linhas de cavalos. Os malditos bastardos mataram meu baio preferido.
(AFFC, Jaime VII)
Desse modo, a explicação para que Arya prefira o sangue de basilisco a deixar as cadelas de Ramsay sem comida por sete dias seja simplesmente que Arya não tenha sete dias à disposição para realizar uma vingança lenta e excruciante, sendo necessário mortes mais rápidas.
O que vocês acham?
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2020.06.15 04:52 altovaliriano Shae (Parte 3)

Uma prostituta aprende a ver o homem, não seu traje, caso contrário acaba morta numa viela.
(ACOK, Tyrion X)
Martin começa a trajetória de Tyrion em A Tormenta de Espadas já estabelecendo o destino de Shae. Tywin e Tyrion estão discutindo sobre a sucessão de Rochedo Casterly quando entram no assunto sobre Alayaya, Tysha e Shae. Curiosamente a pergunta parte do próprio Tywin:
E aquela seguidora de acampamentos no Ramo Verde?
Que importa? – perguntou, sem querer nem mesmo proferir o nome de Shae em sua presença.
Não importa. Não mais do que me importa que elas vivam ou morram.
(ASOS, Tyrion I)
Como sabemos pelo último capítulo, Tywin se importa, sim. Shae aparece no julgamento testemunhando contra Tyrion e falando de estar com ele desde Ramo Verde, um detalhe que dificilmente escaparia a Tywin. Além disso, nesta primeira conversa, o pai de Tyrion completa com uma sentença interessante:
E não tenha ilusões: esta foi a última vez que tolerei que trouxesse vergonha à Casa Lannister. Acabaram-se as putas. A próxima que encontrar em sua cama, vou enforcar.
(ASOS, Tyrion I)
E interessante que Tywin tenha ameado enforcar Shae se a encontra-se na cama de Tyrion, pois, como o verbete sobre Shae na Wiki Gelo e Fogo sinaliza, Tyrion fez exatamente isso com Shae quando a encontra na cama do pai em seu último capítulo do livro.
A primeira vez que vimos Shae foi em um encontro no quarto de Varys, à pedido (e insistência) de Tyrion. O anão havia determinado que usaria este encontro para dar um fim na relação com Shae, em decorrência das ameaças do pai, especialmente depois que Tywin citou explicitamente a “seguidora de acampamentos no Ramo Verde” logo no capítulo anterior.
O encontro parece ser um encontro típico entre os dois, exceto que há nas duas partes desejos ocultos. Tyrion quer tirar Shae da corte e Shae deseja exatamente o contrário. Quando Tyrion aborda o assunto de maneira direta, a garota troca imediatamente de assunto, procurando massagear o ego do anão:
Shae – disse –, querida, esta tem de ser a última vez que ficamos juntos. O perigo é grande demais. Se o senhor meu pai encontrá-la...
Gosto da sua cicatriz. – A moça percorreu-a com um dedo. – Faz com que pareça muito feroz e forte. [...] O senhor nunca será feio aos meus olhos. – Ela beijou a escara que cobria os restos destroçados do seu nariz.
(ASOS, Tyrion II)
Shae insiste em não dar ouvidos a Tyrion durante toda a conversa, se limitando a tentar manipulá-lo a deixar ficar na capital. Toda aquela compaixão pelo novo ferimento adquirido de Tyrion não contém qualquer coerência, porque a garota continua tão inescrupulosa e insensível quanto era em A Fúria dos Reis. Sua maior preocupação ainda são bens materiais e sua falta de empatia por Lollys Stokeworth ainda é gritante:
[…] O senhor vai me devolver agora as joias e as sedas? Perguntei a Varys se ele podia me dá-las quando você foi ferido na batalha, mas ele não quis. Que teria acontecido com elas se tivesse morrido? [...]
Posso ir ao banquete de casamento do rei? A Lollys não quer ir. Disse-lhe que ninguém deverá estuprá-la na sala do trono do rei, mas ela é tão burra.
(ASOS, Tyrion II)
Entretanto, nem tudo é repetição nessas frases arrogantes de Shae. No meio de tudo, há uma pequeno trecho de diálogo de importância futura. Quando Tyrion tenta fazer com que a prostituta compreenda o perigo que Tywin oferece à vida dela, a garota apenas responde “Ele não me assusta”.
Esta simples sentença revela que GRRM estava sutilmente costurando elementos nesta primeira conversa que seriam trazidos de volta novamente na última cena de Tyrion e Shae juntos. Quando a garota o vê nos aposentos do pai, ela se assusta e começa a disparar justificativas. Entre estas justificativas, ela justamente se contradiz dizendo “Por favor. Seu pai assusta-me tanto” (ASOS, Tyrion XI).
Naquele primeiro diálogo, Shae sabia que Tyrion havia perdido seu cargo e, com isso, até mesmo sua permanência como aia de Lollys dependia inteiramente de ela manter seu disfarce. Àquela altura, o anão não tinha mais poderes de lhe arranjar uma nova colocação para ela, e por essa razão a garota sabia que tinha que tentar extrair de Tyrion o máximo que conseguisse.
Com isto em mente, fica claro que GRRM faz da cobrança de promessas antigas uma metáfora visual para Shae tentando segurar Tyrion via dominação sexual. Segundo o próprio Tyrion (ASOS, Tyrion VII), seu pênis era o orgão responsável por fazê-lo agir tolamente frente a manipulação da garota. E é justamente por aí que Shae o está segurando na cena, literalmente:
Não quero sair. O senhor me prometeu que eu voltaria a me mudar para uma mansão depois da batalha. – A boceta dela deu-lhe um pequeno apertão, e ele começou a enrijecer de novo, dentro dela. – Um Lannister sempre paga as suas dívidas, você disse.
(ASOS, Tyrion II)
Ao perceber que não vai conseguir nada por esta via, Shae passa a falar sobre o casamento de Joffrey e elabora um plano para que Tyrion a leve consigo, em troca de favores sexuais durante a festa. Aqui a garota não está mais se valendo da dominância, mas tentando persuadir o anão. Por isso, Shae passa a afagar o órgão sexual ao invés de prendê-lo:
– […] Eu encontraria um lugar em algum canto escuro abaixo do sal, mas sempre que se levantasse para ir à latrina, eu poderia escapulir e ir encontrá-lo. – Envolveu a pica dele nas mãos e afagou-a com suavidade. – Não levaria roupas de baixo sob o vestido, para que o senhor nem precisasse me desatar. – Os dedos dela brincaram com ele, para cima e para baixo. – Ou, se quisesse, podia fazer-lhe isto. – Enfiou-o na boca.
(ASOS, Tyrion II)
Quando Tyrion mostra que está veementemente decidido a que ela não deixá-la ir, Shae se retrai para a cortesia fria. Tyrion está pensando em como concederia facilmente o desejo de Shae, caso o pai não tivesse ameaçado enforcá-la, contrariando o que ele disse em A Fúria dos Reis, sobre o amor por Shae envergonhá-lo:
Se a escolha fosse sua, ela poderia sentar-se a seu lado no banquete de casamento de Joffrey, e dançaria com todos os ursos que quisesse.
(ASOS, Tyrion II)
Eu atribuo essa mudança de postura (de amor proibido envergonhado para amor proibido cauteloso) ao momento de Tyrion, em que ele perdeu todo o prestígio e está tentando se agarrar na única coisa de seu momento glorioso que ainda tem: Shae.
Em verdade, o comportamento de Shae espelha o de Tyrion. Ambos estão tentando arranjar um jeito de manter seu status. O anão também está tentando voltar ao poder pelas vantagens terrenas que ele oferece e não mais para “fazer justiça”. Naquele momento, Tyrion estava sendo a Shae de Tywin, pois está a todo custo tentando reivindicar direitos e reconhecimentos de seu pai.
O surpreendente é que após toda a teimosia de Tyrion, Shae finalmente cede a seu instinto de autopreservação e dá a Tyrion um parágrafo inteiro de resignação e obediência, ao fim do qual Shae apela para o cavalheirismo de Tyrion e lhe arranca uma promessa:
[...] Gostaria de ser a sua senhora, mas não posso. Se fosse, você iria me levar ao banquete. Não importa. Gosto de ser rameira para o senhor, Tyrion. Basta que me mantenha, meu leão, e que me mantenha a salvo.
Manterei – prometeu ele. Tolo, tolo, gritou a sua voz interior. Por que disse isso? Veio aqui para mandá-la embora! Em vez disso, voltou a beijá-la.
(ASOS, Tyrion II)
A prostituta parece entender que o novo momento de Tyrion exige dela uma abordagem diferente. Em suas palavras, de um homem poderoso que poderia desafiar o mundo por ela, ele agora era um cavaleiro que a protegia e resgatava do perigo:
Pensava que o senhor tinha se esquecido de mim. – O vestido dela encontrava-se pendurado em um dente negro quase tão alto quanto ela, e a moça estava em pé dentro das mandíbulas do dragão, nua. […] – O senhor vai me arrancar de dentro das mandíbulas do dragão, eu sei. [...]
Meu gigante – ela ofegou quando a penetrou. – Meu gigante veio me salvar.
(ASOS, Tyrion VII)
Shae veste tão bem a fantasia de donzela que chega a declarar seu amor a Tyrion e Tyrion responde em pensamento. Porém, por alguma ironia do destino, a prostituta estava querendo lhe fazer pensar que ele era um cavaleiro, enquanto o próprio Tyrion queria lhe casar com um cavaleiro de verdade para se ver livre dela:
E eu também a amo, querida. Podia ser uma prostituta, mas merecia mais do que o que ele tinha para dar. Vou casá-la com Sor Tallad. Ele parece ser um homem decente. E alto…
(ASOS, Tyrion VII)
É curioso como este é o único efeito colateral do novo estratagema de Shae. Tyrion fica tão embrigado pela ideia de ser o cavaleiro salvador da garota, que ele tem um momento de desencanto quando a prostituta sequer teme perdê-lo ao saber de seu casamento com Sansa Stark:
[…] Não me importa. Ela é só uma garotinha. Vai deixá-la comuma barrigona e voltar para mim.
Uma parte dele tinha esperado menos indiferença. Tinha esperado, escarneceu amargamente, mas agora sabe como é, anão. Shae é todo o amor que provavelmente terá.
(ASOS, Tyrion IV)
Eu penso que a indiferença de Shae se fundava em ela saber que somente corria perigo se Tyrion arranjasse outra prostituta como amante. Ela estava ciente do quão sexualmente indesejável ele era para a maioria da população de westeros e como ele era complexado com sua aparência e traumatizado com relações amorosas. Portanto, um casamento arranjado com uma jovem nobre donzela realmente não lhe representava perigo algum. Ela até mesmo tenta pedir na frente de Tyrion que Sansa a leve ao casamento de Joffrey, demonstrando que seu objetivo de participar da boa é sua real prioridade.
Porém, não há que se dizer que Shae é uma pessoa desprovidade de sonhos e fantasias. O fato é que esta fantasias não são românticas, mas delírios com mudanças de status social, luxos e riquezas. Quando Sansa a chama para ver uma nuvem no céu que parece um castelo:
É feito de ouro. – Shae tinha cabelos escuros e curtos e olhos ousados. Fazia tudo o que lhe era pedido, mas às vezes dirigia a Sansa os mais insolentes dos olhares. – Um castelo todo feito de ouro, aí está uma coisa que eu gostaria de ver.
(ASOS, Sansa IV)
Ou quando conversava com Sansa sobre Ellaria Sand e a garota apresenta sua versão dos fatos em que Ellaria seria uma espécie de Shae que “deu certo” em razão do relacionamento com Oberyn:
Era quase uma prostituta quando ele a encontrou, senhora – confidenciara a aia – e agora é quase uma princesa.
(ASOS, Sansa IV)
E são suas fantasias por status e luxo que a levam a testemunhar contra Tyrion a pedido de Cersei. O depoimento de Shae acontece logo antes de o anão pedir o julgamento por combate. Dessa forma, tudo o que a garota diz se torna juridicamente irrelevante de uma hora para outra. Essa manobra de Tyrion acaba por fazer com que Cersei se livrasse da obrigação de cumprir sua parte do acordo:
Shae, o nome dela era Shae. A última vez que tinham conversado fora na noite anterior ao julgamento por combate do anão, depois de aquele dornês sorridente ter se oferecido como seu campeão. Shae inquirira acerca de umas joias que Tyrion lhe oferecera, e de certas promessas que Cersei poderia ter feito, uma mansão na cidade e um cavaleiro que a desposasse. A rainha deixara claro que a prostituta não obteria nada até que lhes dissesse para onde fora Sansa Stark.
(AFF, Cersei I)
Interessante notar que o acordo feito por Shae consiste apenas no que Tyrion já tinha em mente em lhe dar.
O depoimento de Shae é uma peça que me chama bastante a atenção. A garota não só conta como Tyrion supostamente teria lhe tomado como amante à força e confidenciado os planos de matar Joffrey durante sua última noite juntos. Shae revela ali, perante Tywin, que era seguidora de acampamento do Ramo Verde:
Nunca quis ser uma prostituta, senhores. Estava noiva. Ele era um escudeiro, um rapaz bom e corajoso, de bom nascimento. Mas o Duende viu-me no Ramo Verde e pôs o rapaz com que meu queria casar na primeira fila da vanguarda, e depois de ele ser morto ordenou aos selvagens que me levassem à sua tenda. Shagga, o grande, e Timett, como olho queimado. Ele disse que se não lhe desse prazer, me entregava a eles, e portanto eu dei. Depois trouxe-me pra cidade, pra ficar por perto quando ele me quisesse. Obrigou-me a fazer coisas tão vergonhosas […]. Ele usou-me de todas as maneiras que há e… costumava me obrigar a dizer como ele era grande. O meu gigante, eu tinha de lhe chamar, o meu gigante de Lannister.
(ASOS, Tyrion X)
Como esta parte do depoimento era completamente desnecessária, eu fico me perguntando se ela foi bolada pela própria Shae, Varys ou Cersei. Sabemos que a garota é capaz de mentir, mas não vimos coisas com este tipo de elaboração. Como Varys é quem estava administrando o disfarce de Shae, fornecendo -lhe até histórias falsas sobre seu passado para que contasse à Tanda Stokeworth, acredito que tenha sido ele quem a orientou a assim depor.
Porém, qualquer seria o objetivo disto? Apenas para ele próprio se safar da acusação de que estava trazendo informações erradas a Cersei, algo que já lhe preocupava (ASOS, Tyrion VII)? Ou Varys queria que o depoimento de Shae chamasse a atenção de Tywin?
De fato, em uma entrevista em 16 de junho de 2014 à Entertainment Weekly, afirmou que a questão entre Varys, Shae, Tyrion e Tywin é algo que ele fará revelações nos próximos livros:
EW: Certo, e há também a questão da surpresa da hipocrisia de Tywin quando ele [Tyrion] a encontra na cama dele. Tywin sabia que ela era uma prostituta [na versão do livro isso não fica claro]? Ou ele simplesmente não ligava?
GRRM: Ah, eu acho que Tywin sabia sobre Shae. Ele provavelmente adivinhou que ela era a seguidora de acampamento que ela havia expressamente dito “você não levará aquela puta para corte”, mas que Tyrion o havia desafiado e levado "aquela puta" à corte. Quanto ao que exatamente ocorreu aqui, é algo sobre o qual não quero falar, porque há aspectos disso que eu não revelei e que serão revelados nos próximos livros. Mas o papel de Varys em tudo isso é algo para se levar em consideração.
Esta entrevista deu fundamentos para que os leitores passassem a acreditar que Varys teria influenciado Tyrion a matar Tywin. Mas, para fins desta análise, nos cabe apenas ver a situação da ótica do que aconteceu com Shae, quem até mesmo pela teoria acima seria um alvo secundário.
Assumindo que Varys tenha orientado Shae a dar este depoimento para chamar a atenção de Tywin, como é que isso a colocaria na Torre da Mão na noite anterior à execução de Tyrion? Sabemos que Cersei mandou Shae embora ás lágrimas na noite entre o depoimento de Shae e o julgamento por combate entre Gregor e Oberyn, então somente depois desta noite é que Shae provavelmente estaria suporte. Caso ela já estivesse sendo sondada por Tywin, dificilmente sairia chorando...
Eu alimento uma teoria que o ponto que fez Tywin se interessar pela garota foi a bajulação que ela confessou fazer a Tyrion. “Meu gigante de Lannister” parece ser o tipo de frase que agradaria um homem como Tywin debaixo dos lençóis. A partir daí, bastaria que Varys fizesse uma sugestão aqui, outra acolá e de repente Tywin já estava pedindo a alguém que enfiasse a menina em seus aposentos na noite seguinte.

Declarações de GRRM sobre Shae

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2020.04.26 09:47 ThalesBage Amo minha "namorada", mas não consigo aceitar o fato dela ter criado TINDER durante nossa "relação"

Eu tenho 20 anos e conheci uma garota(19 anos) há 7 meses no Omegle no primeiro momento que a gente trocou os números a gente já começou com um contato enorme, eu estava emocionalmente fraco no momento por conta de que um dia atrás soube que a menina que eu estava me relacionando (nada sério) estava em um relacionamento sério, e por isso eu meio que me apeguei bastante nela no início, nós começamos a conversar todos os dias por ligações de voz, onde a gente ficava horas falando que nós nos amávamos, projetando nosso futuro e falando sobre a vida um do outro, além das ligações ao acordar, dormir...
Assim que fez 2 meses de ligações de voz eu decidi ir até a cidade dela (eu moro no RS e ela morava em SC) o que não era uma distancia tão grande assim, assim que expus que iria visitar ela, ela me falou que não estava pronta para elevar um nível nossa relação, por conta de uma traição do ex dela e assim não me deixou ir até a cidade dela, eu entendi e disse que iria me afastar, logo ela mudou de ideia e disse que iria vir me ver, porém iria ter que conversar com seus pais por ainda ser dependente assim como eu, assim se passaram mais 2 meses (continuamos conversando TODOS OS DIAS POR LIGAÇÃO) e ela até "tentou" vir, conversou algumas vezes com a mãe dela, tanto que a mãe dela até ligou pra minha e elas conversaram sobre a vinda dela, isso depois de eu falar que não aguentava mais ela me enrolando sobre vir (PS: nisso acabei entrando numa amizade colorida com uma amiga antiga e disse pra ela...).
Acabou que ela não veio nesses 4 meses e iria voltar as aulas, então não teria mais como a gente se ver, eu aceitei e MESMO ASSIM continuei dando atenção pra ela indo em calls etc..., após 6 meses ela veio me ver graças ao corona (as aulas são virtuais, então não prejudica nada), quando ela chegou tava sendo TUDO PERFEITO, até ela dizer que tinha se relacionado sexualmente com um cara do TINDER onde ela fez sexo no primeiro encontro na rua... o que me dói é saber que ela criou o tinder, sabe? meu eu tava lá pra dar todo o apoio emocional (tanto que dava), a gente as vezes até fazia uns "websexo" por call, mas mesmo assim ela foi lá e baixou o TINDER (coisas que eu já tinha tido que tinha uma ENORME aversão sobre esse tipo de aplicativo, pois eu sei o que pensam das mulheres que estão nele...) e só me contou porque tava extremamente bêbada (assim como eu tava), eu já sabia que ela era "promiscua" no passado e eu realmente não me importava com isso como a maioria dos caras, mas saber que continuou fazendo essas coisas mesmo comigo lá? dói sabe? dói muito por ter planejado a minha vida com ela e o pior é que dói nela também, sempre que acabo lembrando eu trato ela "mal" e o pior é que ela ta na minha casa, não posso fazer isso porque ela não tem a quem recorrer, ela já disse que iria embora e eu convenci a ficar porque eu ainda a amo, mas é foda, tão FODA esquecer isso na minha mente, pensar nela colocando as fotos, dando match, ela dando pro cara que não investiu NADA nela... é algo bem inesquecível pra mim e eu sei no fundo que é algo que jamais vou superar, sei que a partir do momento que ela voltar pra casa dela eu não vou querer mais continuar o contato que tinha por ligações e mensagens com ela, por isso que quero que ela dure na minha casa, porque eu sei que todos os beijos, transas, carinhos vão ser os últimos momentos que terei com ela e que eu nunca mais vou ter momentos como esses com ela.
Ela tá muito mal, tenho umas crises e digo na cara dela o quão LIXO ela foi por ter baixado o aplicativo enquanto EU tava lá dando TODA MINHA ATENÇÃO PRA ELA e tratando ela como MINHA PRIORIDADE, é algo que não consigo engolir. E o pior que isso não é porque ela transou, pq eu também transei enquanto estava com ela, mas sim porque BAIXOU A PORRA DO TINDER E TRANSOU COM UM MLK MACONHEIRO (que coincidentemente já tinha dito que tinha uma enorme aversão de maconheiros também hahah), eu sinto nojo nela, um nojo enorme que tenho quase certeza que nunca vai acabar, mas ao mesmo tempo eu gosto dela. É um conflito de emoções que eu não sei como vai terminar, eu tô tentando agir normalmente com ela enquanto a gente tá juntos fisicamente, porque como eu disse, quando ela pegar o ônibus de volta vai ser muito provavelmente um adeus eterno, mas isso tudo tá matando os dois.
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2020.04.10 00:44 CabacinhoBreaker Conto: Carta Para Zeca

Quanto tempo leva para uma reflexão tomar forma dentro do circuito do pensamento emotivo? Emoção é a reação do que afeta direta ou indiretamente o nosso campo de sensores que são vastos, digo isso para todos aqueles que creem no invisível e que salta aos olhos como uma silhueta na escuridão. Está tão perto e tão latente mas, qual a medida para entender tudo isso? A razão é a balança dos aflitos que velejam numa nau à pique.
Zeca observava o mundo de longe certo de que estava antes daquela vírgula da existência, essa que faz refletir, protegido no receptáculo de sua antena parabólica ficava estático ele mesmo, assistia a novela de Rebeca sua vizinha, nascida de dias e com uma mãe desastrada. Batia de lá e de cá seu corpo mas nunca deixando a recém nascida amassar nas portas, embora parecesse que o pai quisesse. Zeca já tinha testemunhado o pai, grande e corpulento, de olhos fundos e nariz perfurante, olhando para a mãe, passava para Rebeca, e parecendo um surto de arrependimento da existência da menina, fechava a porta na cara da mãe. Ela não prestava, e parecia um vegetal, ele era quem dava energia para uma casa toda com seus dedos que pegavam o que queria na sua geladeira fedida; seus pés descalços que descarregavam toda uma tensão da casa, o que Zeca achava engraçado, se pudesse passar a navalha nesse calcanhar invisível da mágoa ele desjuntaria o pé inteiro.
De conversa com ela uma vez Zeca insistiu no motivo de ela estar onde estava, a mãe olhava a menina com uns olhinhos de jabuticaba que dava brilho no canto, daí olhava para o chão e virava o olho para dentro buscando uma saída do que ele não podia evitar, daí lançava a mão parecendo que ia descolar do corpo, mole de lado, dizendo que quem sustentava a casa era ele e Rebeca era uma inspiração de vida! Desse jeito mesmo que saía, ela botava tanta convicção que as palavras vibravam quando saiam de sua boca, a última até parecia uma moeda que estava debaixo da língua e escapou sem querer. Olhei nos olhos dela, rasos.
Agora Zeca insiste em tomar uma dose de verdade todo dia, recolher todas essas moedas que caem dos olhos e das bocas de seus amigos, juntando tudo um dia talvez ele compre a tão sonhada liberdade que ele persegue de dentro de seu barquinho.
“Mandai a faísca de um raio pra me iluminar
Segura pedra na pedreira não deixa rolar
Xangô, Kaô meu pai
Seus filhos bambeiam mas não caem”
Zeca
Carta Para Zeca
Olá meu querido amigo, como você está? Espero que bem.
Eu estava mexendo nuns papéis antigos e reli uma crônica que você me fez 3 anos atrás, lembrei tanto de você esses tempos que resolvi escrever.
Hoje é dia 24 de dezembro e está um calor danado aqui em São Bernardo, me mudei para o Silvina depois de uns dois meses que a Rebeca nasceu e foi uma das melhores coisas que fiz; a casa é bem maior, porém fica bem perto do ponto de ônibus lá na ponta do morro.
Por falar em Rebeca ela não para mais. Anda de um lado pro outro Zeca como se fosse a rainha da casa, pega as panelas e bate tudo no chão. Devaldo nem liga mais depois de comprar a quinta, e eu não faço questão também, ela precisa de brinquedos e eu me viro como posso sabe?
Falando nele, sua crônica foi importantíssima para mim Zeca, você sempre me estimulou a escrever e só fiz isso agora, depois de anos, porque me sinto muito mais segura e motivada. Ainda lembro de cada palavra sua. É claro que é meio desconcertante também, você escreve tão bem e eu não sabia nem articular o que se passava dentro de mim, agora vou te falar, da melhor forma que eu encontrar.
Devaldo parecia que tinha desistido de tudo, aquele jeito turrão e mandão dele de ser passou depois do primeiro ano da nossa filha, eu agradeci muito à Deus, mas ainda faltava alguma coisa sabe? Ele parecia fantasma dentro de casa Zeca, a gente não tinha brigado nem nada e ele me procurava bem pouco para fazer amor, dizia que a rotina do serviço estava acabando com ele mas eu não precisava me preocupar com nada, que focasse na pequena pra ela não ficar que nem as “meninas do pé do morro”. Elas gostam muito de transar Zeca, e com qualquer um que passe no pé do morro, qualquer um; eu já vi elas no mato e não vou nem dizer como porque quero esquecer.
Depois de ver aquilo dei razão pro meu marido, e mesmo ele me tratando um pouco melhor ainda não era o meu ideal, ele foi meu primeiro homem e eu esperava tanto dele, mas seus problemas sempre futucavam nosso lazer; fim de semana tinha um extra no serviço que era imperdível, mais seis horas longe de sua família, o que virou rotina depois de um tempo fazendo isso; pegou confiança e virou o ponta firme na firma que não faltava em nada.
Quanta decpção. Quando Rebeca fez um ano que desastrou tudo, ainda bem que tenho meus amigos lá do morro pra me dar assistência e fumar um né? Quem tem filho fuma também, não me julgue.
Eu acostumei não ter mais a presença dele em casa aos poucos, Rebeca sempre foi bem quieta e não me tomava muito tempo para o cuidado, mas isso porque amo essa menina e nunca me deixou nervosa. O fato é que comecei a me sentir bem sozinha, e carente sabe? Sem nenhum contato. Eu procurava Devaldo e ele nem aí pra mim, até que um dia aconteceu um troço inesperado Zeca, eu tinha mensagens de um crush do ônibus que queria porque queria me conhecer.
Não me julgue por falar o que vou falar. O nome dele era Jonas e disse que queria me conhecer, eu falei que pessoalmente não, mas a conversa foi rolando, eu disse da minha filha e ele me mostrou a dele, uma mulher já de dezesseis anos toda formada, o cara era “velho” e eu tinha vinte. Claro, não mencionei Devaldo pra ele.
Ele me dava toda a assistência que eu estava querendo, perguntava como foi meu dia, me ouvia, e a gente conversava sobre tudo Zeca, só achei uma coisa estranha. A primeira vez que ele me ligou achei super esquisito, sabe aqueles homens que tem a voz bem fina? Era a dele, mas chegava a parecer uma garota em certos momentos. Achei estranho mas foi só impressão.
Jonas não me faltava em nada, ele me fazia sentir como se fosse uma menininha de novo, ás vezes eu até esquecia que tinha um marido em casa Zeca, cheguei até a olhar pro Devaldo pensando nele, nas fotos que me mandava… sinto vergonha disso mas é a verdade. Mas também nunca fui tão fundo assim com ele, por mais que fosse gostoso eu não conhecia ele de fato e não ficava mandando fotos nem nada, mas me deixava num fogo que eu virava um rio.
Depois de uns quatro meses na conversa eu criei coragem e fui atrás dele, chamei para marcar um encontro e liguei né, ele esperava tanto por esse momento que o telefone quase não deu o primeiro toque. “Eu preciso te contar uma coisa antes da gente se ver”. O que era agora já que ele queria tanto? Esperei os trinta segundos mais longos da minha vida até que ele despejou tudo sem ensaio. Eu sou mulher.
Foram só três palavras, mas me deram uma rasteira literal, eu que estava em pé caí sentada no chão da cozinha Zeca, eu não podia acreditar. Fiz muitas perguntas e ela me respondeu todas com muita calma, apesar da minha revolta. Me disse que realmente pegava ônibus comigo e me achou linda, e depois de uma visita no face chamou um amigo dela, o Jonas. Ele fornecia tudo em tempo real, mas nos telefonemas e áudios era ela mesma.
Falei várias vezes pra ela que não gosto da mesma coisa que tenho no meio das pernas, não vejo graça Zeca. Ela ficou super triste, ainda mais quando teve que me passar o telefone do Jonas de verdade, queria pelo menos conhecer o cara que me apaixonei. Já faz um tempo que isso aconteceu e mesmo assim ainda lembro vez ou outra, me enganaram de uma esdruxula e me lembro exatamente como me senti.
Me lembrei de você e tudo que me dizia, tentei descrever o que sentia. Você já passou por isso; você passa uma noite inteira na rua, sozinho e com frio, e encontra um cantinho pra encostar e cochila por lá mesmo até o Sol começar despontar e tocar sua pele, te aquecendo aos poucos até brilhar bem forte e você voltar pra casa. Eu voltei para casa Zeca.
Deixei tudo isso de lado e pesquisei sobre aquilo que você me falava sempre, que a vida é efêmera e é importante viver bem; hoje entendo o que você me dizia. Fui nessa semana também no lugar que recebem os espíritos que você ia, me pediram para ter juízo olha só! Eu não discordei, até gostei da sensação que me trouxe.
Eu comecei a prestar mais atenção em casa depois do que aconteceu, e tive mais coragem para me abrir e falar com Devaldo, ás vezes eu só precisava estimular ele um pouco, e com o tempo ele foi me olhando de outra forma, viu que podia cofiar em mim como parceira; o stress do trabalho até diminuiu e o tempo dele lá também, começamos uma fase tão bonita Zeca. O espaço que ele preenchia com seus dedos agora tinha um toque mais sutil, e mesmo que o hábito ruim de olhar o telefone do outro tinha ido embora fazia um tempo me bateu uma curiosidade. Descobri que ele me traiu duas vezes com a mesma pessoa, ele transou com outra.
Não falamos disso nunca, ele não sabe que sei e eu não guardo rancor, ele se arrependeu nas mensagens com a garota e depois que as coisas melhoraram entre a gente me sinto muito mais feliz. Não vou dizer que o amo, mas me sinto apaixonada por ele cada dia mais, estamos nos descobrindo juntos Zeca. Não vou tomar mais o seu tempo, só queria dizer que o canto que você morava está muito bem iluminado agora.
Ontem o Pepeu me chamou pra fumar lá no escadão e disse que tinha uma surpresa, e que surpresa Zeca! Enquanto a gente fumava olhando pro Montanhão ele começou a iluminar todinho, foi ascendendo de baixo para cima, nunca vi ele tão bonito. O morro agora tem luz na rua.
Não me aguentei, olhei pra cima e comecei chorar quando vi que a Lua se encaixava bem na ponta do morro, parecia até que tinha sentado no campinho de terra; a árvore de natal mais bonita que montaram pra gente meu bem. Pepeu chorou comigo, dava pra ver os bracinhos balançando lá da ponta do morro de alegria.
Você faz falta Zeca, tiraram sua vida tão curta cara, mas como você mesmo diz, a vida é efêmera. Vou guardar sempre no meu coração a lembrança de cada momento e prometo abrir a mente de alguém com o que você me ensinou, e me ensina ainda. Vou queimar essa carta no pé do morro, quem sabe um dia quando você passar por lá veja todas essas palavras na poeira.
Te amo meu amigo.
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2020.03.21 05:06 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 4

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/52918461011
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6
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Os muitos prognósticos e especulações loucas nas partes anteriores, na verdade, não são nada comparado ao que se segue. Ao contrário de Jaime, que tem acesso a muitas informações úteis como comandante das forças da coroa nas Terras Fluviais, não há pistas sobre as atividades dos supostos conspiradores nortenhos.
Dentre os POVs no Norte em A Dança dos Dragões, Davos, Theon e Asha não são confiáveis. O primeiro por ser o homem de Stannis, leal e verdadeiro, os dois últimos por serem homens de ferro e prisioneiros. Melisandre tem apenas um capítulo, em que ela não é tão onisciente quanto finge ser. (Rezo por um vislumbre de Azor Ahai, e R'hllor me mostra apenas Snow) E Jon? Bem, se a teoria estiver correta, ele provavelmente será o último a saber, (risadas), pois seus futuros súditos nortenhos não arriscariam por seu novo rei em perigo.
É verdade que os jogadores e jogadas estão tão obscurecidos que talvez seja uma indicação de que a Grande Conspiração do Norte está no caminho certo. Melhor para GRRM poder desvelar dramaticamente a queda catártica dos Lannisters, Boltons e Freys nas mãos dos lealistas Stark quando Os Ventos do Inverno chegar. [...]

O Norte: Os Homens dos Stark

Rastreando os Mormonts e Glovers

Juntar os fios de uma conspiração no Norte é como um jogo elaborado de telefone sem fio. Um extremo da linha está com Galbart Glover e Maege Mormont, que são testemunhas do decreto de Robb de nomear seu herdeiro, que se assume ser um Jon legitimado.
[Robb:] Senhor, preciso que dois de seus dracares contornem o Cabo das Águias e subam o Gargalo até a Atalaia da Água Cinzenta.
Lorde Jason [Mallister] hesitou.
– A floresta úmida é drenada por uma dúzia de cursos de água, todos eles rasos, assoreados e por mapear. Nem chamaria de rios. Os canais andam sempre derivando e se alterando. Há inúmeros bancos de areia, troncos caídos e emaranhados de árvores em putrefação. E a Atalaia da Água Cinzenta desloca-se. Como os meus navios irão encontrá-la?– Subam o rio exibindo o meu estandarte. Os cranogmanos vão encontrá-los. Quero dois navios para duplicar as chances de minha mensagem chegar a Howland Reed. A Senhora Maege irá num deles, Galbart no segundo. – Virou-se para os dois que tinha indicado. – Levarão cartas para os meus senhores que permanecem no Norte, mas todas as ordens nelas contidas serão falsas, para o caso de terem o azar de serem capturados. Se isso acontecer, deverão dizer-lhes que se dirigiam ao norte. De volta à Ilha dos Ursos, ou na direção da Costa Pedregosa.
(ASOS, Catelyn V)
Robb morre antes que ele possa tentar sua estratégia de retomar Fosso Cailin, mas Maege e Galbart desaparecem no Gargalo, para nunca mais serem vistos em momento nenhum de A Dança dos Dragões. Existem, no entanto, algumas dicas de que os dois mensageiros foram recebidos por Howland Reed e, mais interessantemente, voltaram a fazer contato com seus parentes no Norte.
Em primeiro lugar, os cranogmanos aparentemente começam uma campanha para livrar Fosso Cailin dos homens de ferro, cumprindo o último objetivo de Robb na guerra (apesar de a um ritmo mais lento, pois não contam com o apoio das tropas perdidas no Casamento Vermelho). Theon chega lá para encontrar a guarnição morta, morrendo ou escondida com medo dos demônios do pântano e seus venenos (ADWD, Fedor II).
Em segundo lugar, na marcha para Winterfell, Asha e Alysane conversam um pouco.
– Você tem irmãos? – Asha perguntou para sua carcereira.
– Irmãs – Alysane Mormont respondeu, ríspida como sempre. – Éramos cinco. Todas garotas. Lyanna está de volta à Ilha dos Ursos. Lyra e Jory estão com nossa mãe. Dacey foi assassinada.
– O Casamento Vermelho.
(ADWD, O Prêmio do Rei)
Como Alysane sabe que suas irmãs estão com sua mãe? A partir das descrições da hoste que Robb leva para o sul nos três primeiros livros parece que Dacey é a única filha que acompanha Maege. Isso faz um certo sentido, pois Dacey é a herdeira de Maege e as meninas mais novas não entrariam em guerra enquanto Alysane, a próxima da fila, permanece na Ilha dos Ursos.
Quando, então, Lyra e Jorelle saíram de casa? Elas e Alysane já estão ausentes quando Stannis envia suas cartas para todas as casas do Norte exigindo lealdade. Caso contrário Lyanna, de 10 anos, não teria tido a chance de responder de forma memorável, deixando Jon intrigado com a castelã escolhida pelos Mormonts (ADWD, Jon I).
De fato, se Maege estava em comunicação com a Ilha dos Ursos, suas filhas mais velhas provavelmente saberiam dela sobre Robb nomear Jon seu herdeiro, o que dá novo sentido às palavras de Lyanna. Assim como Wylla Manderly, Lyanna pode ser considerada jovem demais para participar de qualquer conselho secreto, mas, no entanto, sabe onde estão as verdadeiras lealdades de sua família, revelando-se inadvertidamente como “mulheres Stark” para Stannis, da mesma maneira que Wylla quase revela para os Frey que os Manderly eram. Talvez Lyanna atue em um desejo infantil de convencer Jon, que está na Muralha com Stannis, a reivindicar sua coroa.
Alysane chega mais tarde a Bosque Profundo e com a companhia.
Stannis tomara Bosque Profundo, e os clãs das montanhas se juntaram a ele. Flint, Norrey, Wull, Liddle, todos.
E tivemos outra ajuda, inesperada mas muito bem-vinda, da filha da Ilha dos Ursos. Alysane Mormont, a quem os homens chamam Mulher-Ursa, escondeu combatentes em uma flotilha de barcos de pesca e pegou os homens de ferro desprevenidos quando chegaram à costa. Os dracares Greyjoy foram queimados ou tomados, suas tripulações mortas ou rendidas. [...]
... mais nortenhos chegam enquanto as notícias da nossa vitória se espalham. Pescadores, mercenários, homens das colinas, arrendatários das profundezas da Matadelobos e aldeões que abandonaram seus lares ao longo da costa rochosa para escapar dos homens de ferro, sobreviventes da batalha do lado de fora dos portões de Winterfell, homens que já foram juramentados aos Hornwood, aos Cerwyn e aos Tallhart. Estamos cinco mil mais fortes enquanto escrevo para você, e nosso número incha a cada dia.
(ADWD, Jon VII)
A Ursa não poderia ter sido avisada da movimentação de Stannis em Bosque Profundo. Stannis praticamente desaparece do mapa enquanto ele arrebata Liddles, Norreys, Wulls e Flints, banqueteando-se pelas montanhas. Alysane está em Bosque Profundo em nome de outra facção. Uma que planeja retomar o castelo há algum tempo, uma vez que uma frota de navios de pesca (e os guerreiros que se escondem neles) não pode ser montada rapidamente.
De fato, os nortenhos que ingressaram no exército após a vitória de Stannis poderiam ter originalmente sido programados para atacar os homens de ferro em conjunto com as forças de Alysane. Ironicamente, isso significaria que Stannis seria a ajuda inesperada, mas muito bem-vinda, liberando Bosque Profundo antes do prazo e com menor custo para o Norte.
Em terceiro lugar, há Robett Glover, irmão e herdeiro mais novo de Galbart, que está em Porto Branco com Manderly. Para revisar, Robett é capturado em Valdocaso, mas é trocado por Martyn Lannister, filho de Kevan. Roose Bolton ordena que essa batalha seja travada, tentando sangrar as casas do Norte que se opunham a ele como Protetor do Norte, como acordado com Tywin.
Quando lhe trouxeram a notícia da batalha em Valdocaso, onde Lorde Randyll Tarly desbaratara as forças de Robett Glover e de Sor Helman Tallhart, seria de se esperar vê-lo enfurecido, mas ele limitou-se a olhar, numa incredulidade estupidificada, e dizer:
– Valdocaso, no mar estreito? Por que eles iriam para Valdocaso? – sacudiu a cabeça, desconcertado. – Um terço de minha infantaria perdido por Valdocaso?
– Os homens de ferro têm o meu castelo e agora os Lannister têm o meu irmão – disse Galbart Glover, numa voz carregada de desespero. Robett Glover sobreviveu à batalha, mas fora capturado perto da estrada do rei não muito mais tarde.
– Não será por muito tempo – prometeu o filho de Catelyn. – Vou oferecer Martyn Lannister em troca dele. Lorde Tywin terá de aceitar, por causa do irmão.
(ASOS, Catelyn IV)
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Robb tinha enviado o tio de Jeyne, Rolph Spicer, para entregar o jovemMartyn Lannister ao Dente Dourado, no mesmo dia emque recebera o acordo de Lorde Tywin com relação à troca de cativos. Tinha sido um gesto hábil. O filho ficava aliviado de seus receios quanto à segurança de Martyn, Galbart Glover ficava aliviado por saber que o irmão Robett tinha sido posto num navio em Valdocaso, Sor Rolph tinha uma tarefa importante e honrosa... e Vento Cinzento estava de novo ao lado do rei. Onde é o lugar dele.
(ASOS, Catelyn V)
Então, antes de Galbart partir para o Gargalo, ele descobre que Robett está a caminho do norte via mar. Onde mais poderia estar o destino de Robett, a não ser Porto Branco, o maior porto do norte? E se Maege pode entrar em contato com suas filhas, por que Galbart não poderia com seu irmão em Porto Branco, que fica muito mais próximo do Gargalo do que da Ilha dos Ursos?
Mas existe alguma pista de que Robett saiba que Robb nomeou Jon seu herdeiro? Talvez.
– A maldade está no sangue – disse Robett Glover. – Ele é um bastardo nascido de um estupro. Um Snow, não importa o que o rei menino diga.
– Alguma neve já foi tão negra? – perguntou Lorde Wyman. – Ramsay tomou as terras de Lorde Hornwood forçando o casamento com a viúva, e então a trancou em uma torre e a esqueceu lá. Dizem que ela comeu a extremidade dos próprios dedos... e a noção de justiça real dos Lannister é recompensar esse assassino com a garotinha de Ned Stark.
– Os Bolton sempre foram tão cruéis quanto espertos, mas esse aí parece um animal em pele humana – disse Glover.
(ADWD, Davos IV)
Robett e Manderly, também, parecem estar lançando mão dos disparates normais dos Westerosi sobre bastardos serem devassos e traiçoeiros por natureza, pois são nascidos da luxúria e mentiras. No entanto, GRRM lembra aos leitores da disputa pelas terras de Hornwood.
[Luwin:] – Sem herdeiro direto, haverá com certeza muitos pretendentes disputando as terras dos Hornwood. Tanto os Tallhart como os Flint e os Karstark têm ligações com a Casa Hornwood por linha feminina, e os Glover estão criando o bastardo de Lorde Harys em Bosque Profundo. O Forte do Pavor não tem nenhuma pretensão, que eu saiba, mas as terras são contíguas, e Roose Bolton não é homem que deixaria passar uma chance dessas. [...]
– Então deixe que o bastardo de Lorde Hornwood seja o herdeiro – Bran sugeriu, pensando no seu meio-irmão Jon.
Sor Rodrik disse:
– Isso agradaria aos Glover e talvez à sombra de Lorde Hornwood, mas não creio que a Senhora Hornwood iria simpatizar conosco. O garoto não é do seu sangue.
(ACOK, Bran II)
Mais tarde neste capítulo, Sor Rodrik questiona o intendente de Bosque profundo sobre Larence Snow, o bastardo de Lorde Hornwood, e o homem só tem elogios para o rapaz, à época com doze anos.
Por que Manderly e Glover gostariam de dar a Davos a impressão de que têm preconceito contra bastardos? E, por falar nisso, por que Davos se deu ao trabalho de recuperar não apenas Rickon de Skagos, mas Câo Felpudo para fins de identificação quando todos sabem que comandando a Muralha está Jon Snow, que foi criado em Winterfell com as crianças Stark?
Certamente, se a presença de Theon como protegido de Ned Stark é suficiente para passar Jeyne Poole como Arya, o testemunho de Jon pode provar que Rickon é quem Manderly diz que é. A menos que, segundo a teoria, Lord Wyman e Robett evitem escrupulosamente qualquer menção a Jon com a ideia de que quanto menos atenção for atraída para Jon (especialmente em relação a reis e herdeiros) melhor.
Bem, isso é talvez seja um pouco forçado (risadas). De qualquer forma, Robett desaparece no final de A Dança dos Dragões, não acompanhando Manderly à festa em Winterfell. Onde ele está? Uma teoria é que ele também está do lado de fora das muralhas de Winterfell ou em algum lugar próximo, escondido pela tempestade de neve, tendo liderado um exército de homens do Norte pelo Faca Branca.
Robett Glover estava na cidade e tentara arregimentar homens, com pouco sucesso. Lorde Manderly ignorara seus apelos. Porto Branco estava cansado de guerra, fora a resposta dele, segundo relatos. Isso era ruim.
(ADWD, Davos II)
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Wyman Manderly balançou pesadamente os pés. – Venho construindo navios de guerra há mais de um ano. Alguns você viu, mas há muitos mais escondidos no Faca Branca. Mesmo com as perdas que sofri, ainda comando mais cavalos pesados do que qualquer outro senhor ao norte do Gargalo. Minhas muralhas são fortes e meus cofres estão cheios de prata. Castelovelho e Atalaia da Viúva seguirão minha liderança. Meus vassalos incluem uma dúzia de pequenos senhores e uma centena de cavaleiros com terras.
(ADWD, Davos IV)
O cansaço de Manderly por guerra é total e completamente fingido. Os relatos sobre falhas de Robett emarregimentar homens também são falsos? Note que, se houver outro exército à espreita na neve, Stannis nada sabe disso.
Finalmente, voltando à pergunta original, onde estão Maege Mormont e Galbart Glover? Especula-se que eles decidam permanecer nas Terras Fluviais, usando a Atalaia da Água Cinzenta como base de operações para tentar reunir os remanescentes do exército de Robb que ficam presos e dispersos quando Fosso Cailin caiu em mãos inimigas. Por exemplo, os seiscentos homens - incluindo lanceiros das montanhas e de Proto Branco, arqueiros Hornwood, e Stouts e Cerwyns – que Roose deixa no Tridente sob o comando de Ronnel Stout e Sor Kyle Condon (ASOS, Catelyn VI) dos quais nunca mais se ouve falar. Se a viagem de Senhora Coração de Pedra ao Gargalo significar que a Irmandade sem Bandeiras está agora trabalhando com Reed, Mormont e Glover, essas forças poderão em breve reaparecer onde mais doerá nos Lannisters e Freys.

Intriga marchando para Winterfell

Com Alysane Mormont funcionando como a conexão com a Senhora Maege e, consequentemente, com a legitimação de Jon por Robb como rei no norte, os próximos jogadores nesse jogo de telefone sem fio são os homens do clã, os quais (como Manderly fica sabendo via Wex) sabem que Bran (e provavelmente que Rickon também) sobreviveu ao saque de Winterfell.
Jojen Reed parou para recuperar o fôlego.
– Acha que essa gente das montanhas sabe que estamos aqui?
– Eles sabem. – Bran avistara-os observando; não com os próprios olhos, mas com os olhos mais sensíveis de Verão, que deixavam escapar muito pouco. [...]
Só uma vez encontraram um membro do povo da montanha, quando uma súbita carga de água gelada tinha feito com que buscassem abrigo. [...] Bran achou que devia ser um Liddle. O broche que prendia seu manto de pele de esquilo era de ouro e bronze, trabalhado em forma de pinha, e os Liddle usavam pinhas na metade branca de seus escudos verde e branco.
O Liddle puxou uma faca e começou a desbastar um pedaço de madeira.
– Quando havia um Stark em Winterfell, uma donzela podia percorrer a estrada do rei usando o vestido do dia de seu nome e nada sofrer, e os viajantes encontravam fogo, pão e sal em muitas estalagens e castros. Mas agora as noites são mais frias, e as portas estão fechadas. Há lulas na mata de lobos, e homens esfolados percorrem a estrada do rei, perguntando por forasteiros.
Os Reed trocaram um olhar.
– Homens esfolados? – perguntou Jojen.
– Os rapazes do Bastardo, ora. Ele tava morto, mas agora não tá. E paga bom dinheiro por pele de lobos, segundo um homem ouviu dizer, e talvez até ouro por notícias de certos outros mortos que andam. – Olhou para Bran quando disse aquilo, e para Verão, que estava estendido ao seu lado. – [...] Era diferente quando havia um Stark em Winterfell. Mas o velho lobo tá morto e o novo foi para o sul jogar o jogo de tronos, e tudo que nos resta são os fantasmas.
– Os lobos voltarão – disse solenemente Jojen.
(ASOS, Bran II)
Este estranhamente bem informado Liddle, com seu broche de ouro e bronze, é talvez um líder em seu clã. Ele não apenas reconhece Bran, mas seu pessoal também tem se mantido atentos. O próprio fato de os homens de Bolton terem prometido recompensa por notícias dos Stark supostamente mortos sugere que eles não estão mortos. Bran também pergunta ao Liddle a que distância fica a Muralha (não consta da citação acima) e, embora o homem pense que eles não deveriam seguir esse caminho, ele fica por dentro de parte dos planos deles.
Em A Dança dos Dragões, os Liddles ajudam Stannis a tomar Bosque Profundo e a marchar para Winterfell junto com os Norreys, Wulls e Flints. Em minha opinião, há boas chances de que os Liddles tenham contado aos demais sobre o encontro com Bran e companhia. Os clãs das montanhas podem brigar por cabras e mulas roubadas, mas quando se trata dos Starks de Winterfell, há consenso. Segundo a teoria, quando Alysane se junta à marcha, ela e os homens do clã trocam informações. Os Liddles, Norreys, Wulls e Flints ficam sabendo sobre Jon, Alysane sobre Bran (e talvez Rickon, se ela ainda não tiver cruzado com os Glovers).
Pouco tempo depois, Jon hospeda Norreys e Flints na Muralha.
O Velho Flint e O Norrey tinham lugares de grande honra logo abaixo do estrado. Ambos eram velhos demais para marchar com Stannis; haviam mandado filhos e netos em seus lugares. Mas ambos haviam sido rápidos o suficiente para descer até o Castelo Negro para o casamento. Cada um trouxera uma ama de leite para a Muralha, também. [...] Entre as duas, a criança que Val chamara de Monstro parecia estar prosperando.
Por isso Jon estava grato... mas não acreditara nem por um momento que esses dois veneráveis velhos guerreiros desceriam correndo das montanhas sozinhos. Cada um viera com uma cauda de guerreiros – cinco para o Velho Flint, doze para O Norrey, todos vestidos em peles esfarrapadas e couro cravejado, temíveis como a face do inverno. Alguns tinham longas barbas, alguns tinham cicatrizes, alguns tinham ambos; todos veneravam os antigos deuses do Norte, os mesmos deuses venerados pelo povo livre para lá da Muralha. No entanto, eles se sentaram, bebendo por um casamento santificado por algum estranho deus vermelho de além-mar.
Melhor isso do que se recusar a beber. Nem os Flint nem os Norrey haviam virado suas taças para derramar o vinho no chão. Isso poderia indicar certa aceitação. Ou talvez simplesmente odeiem desperdiçar um bom vinho sulista. Não dá para provar muito disso naquelas montanhas rochosas deles.
(Jon X, ADWD)
Pode ser que Flint e Norrey estiveram na Muralha para avaliar Jon? Suponha que estes homens de clã com Stannis enviem uma mensagem ou mensageiro de volta às montanhas, falando do sucessor escolhido por Robb. Os nortenhos sobrevivem na neve muito melhor do que os cavaleiros do sul de Stannis, e duvido que algum deles notaria o desparecimento um ou dois daqueles homens. O acordo de Jon sobre o casamento de Alys Karstark e sua trégua com os selvagens seriam infrações à autoridade do Rei do Norte. E representantes dos clãs das colinas vieram para observar e julgar como ele lida com os ambas as coisas:
– Lorde Snow – disse O Norrey –, onde você pretende colocar esses seus selvagens? Não nas minhas terras, espero.
– Sim – declarou o Velho Flint – Se quer deixá-los na Dádiva, é problema seu, mas assegure-se de que não vão ficar vagando por aí, ou mandarei a cabeça deles para você. O inverno está próximo e não quero mais bocas para alimentar.
– Os selvagens ficarão na Muralha – Jon lhes assegurou. [...]– Tormund me deu sua palavra. Ele servirá conosco até a primavera. O Chorão e os outros capitães terão que prometer a mesma coisa, ou não os deixaremos passar.
O Velho Flint abanou a cabeça.
– Eles nos trairão [...]
– O povo livre não tem leis nem senhores – Jon falou –, mas amam suas crianças. Você admitiria isso ao menos? [...] Por isso insisti em mantermos reféns. [...]
Os nortenhos olharam um para o outro.
– Reféns – ponderou O Norrey. – Tormund concordou com isso?
Era isso, ou ver seu povo morrer.
– Meu preço de sangue, ele chamou – falou Jon Snow –, mas pagará.– Sim, e por que não? – O Velho Flint bateu sua bengala contra o gelo. – Protegidos, nós sempre os chamávamos, quando Winterfell exigia rapazes de nós, mas eram reféns, e nada pior que isso.
– Nada, exceto para aqueles cujos pais desagradavam os Reis do Inverno – falou O Norrey. – Esses voltavam para casa uma cabeça mais curtos. Então me diga, rapaz... se esses seus amigos selvagens se mostrarem falsos, você terá estômago para fazer o que precisa ser feito?
Pergunte a Janos Slynt.
– Tormund Terror dos Gigantes me conhece o suficiente para não me testar. Posso ser um rapaz inexperiente aos seus olhos, Lorde Norrey, mas ainda sou um filho de Eddard Stark.
(ADWD, Jon XI)
Acredito que Flint e Norrey estão devidamente impressionados aqui. Se Alysane realmente falou com os clãs da intenção de Maege Mormont de defender os últimos desejos de Robb, acho que eles estariam dispostos a aceitar Jon como Rei do Inverno.
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2020.02.24 03:57 altovaliriano A Mulher Morena

“Sábado de personagens” ainda no domingo. Fazer o quê?
A mulher morena é uma das mais misteriosas personagens de As Crônicas de Gelo e Fogo. Seu nome e origem nunca foi revelado ao leitor. Pouco mais sabemos sobre ela, mas em resumo a mulher foi entregue por Euron a Victarion como um prêmio. Sabemos que ela é muda e que Victarion a considera bonita.
Porém, em determinado momento da história, fica evidente ao leitor de que a mulher morena é mais do que parece ser. A tripulação de Victarion resgata do mar Moqorro, um sacerdote de R’hllor enviado pelo Templo Vermelho para auxiliar Daenerys em Meereen, e leva-o a Victarion, pois o homem afirma estar sabendo de que o Capitão de Ferro corre perigo de morte. Quando um mal súbito atinge Victarion, ele e Moqorro vão à sua cabine e o seguinte ocorre:
Quando abriu a porta da cabine do capitão, a mulher morena se virou em sua direção, silenciosa e sorridente... mas, quando viu o sacerdote vermelho ao lado dele, seus lábios se afastaram de seus dentes, e ela sibilou em súbita fúria, como uma serpente. Victarion a acertou com as costas da mão boa e a derrubou no chão.
– Quieta, mulher. Vinho para nós dois. [...]
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
A hostilidade da mulher morena para com Moqorro parece uma indicação muito forte sobre a origem e propósito da personagem na história. A partir deste fato apenas, leitores foram levados às mais loucas especulações sobre a identidade da misteriosa serva-amante de Victarion. Entretanto, se o reino das especulações produz resultados estranhos, posso afirmar que as evidências presente no próprio texto não são menos estranhas. Se analisadas em sua literalidade, o texto produzido pelo próprio Martin aponta para direções completamente ininteligíveis.
Analisemos.

Fenótipo, aparência e semelhanças

Fenótipo é o resultado da expressão dos genes do organismo, da influência de fatores ambientais e da possível interação entre os dois. No contexto deste texto, o fenótipo da mulher morena é algo que poderia nos dar uma dica sobre sua herança genética.
Esse herança genética PODE nos ajudar a determinar a cultura na qual ela nasceu, mas é claro que isso não permite nos concluir com absoluta certeza que ela pertence esta cultura. Um bom exemplo de personagem cujo fenótipo pode ser usado para nos confundir é Sarella Sand, que pertence à cultura westerosi, apesar de que sua aparência denotaria ter nascido nas Ilhas do Verão.
Entretanto, diante das poucas informações disponíveis sobre a mulher morena, esta análise se torna necessária. Em verdade, o próprio Martin parece estar induzindo os leitores a realizar estas investigações, pois ele mesmo deposita dicas disso no texto:
Sua pele era negra. Não o marrom castanho dos ilhéus do Verão com seus navios cisne, nem o marrom-avermelhado dos senhores dos cavalos dothrakis, nem a cor de carvão-e-terra da pele da mulher morena*, mas negra. Mais negra que carvão, mais negra do que o azeviche, mais negra do que as asas de um corvo.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Na passagem acima, vê-se que Martin descarta através de Victarion que a mulher morena pertence às culturas dos Ilhéus do Verão e dos senhores de cavalo Dothraki. A exclusão das Ilhas do Verão é especialmente útil, haja vista onde Euron ALEGA ter encontrado a mulher morena:
INGLÊS: As a reward for his leal service, the new-crowned king had given Victarion the dusky woman, taken off some slaver bound for Lys.
PORTUGUÊS: Como recompensa por seu leal serviço, o recém-coroado rei dera a Victarion a morena, roubada de algum mercador de escravos a caminho de Lys*.*
(AFFC, O Pirata)
Eu acho curioso a forma como fica apenas implícito de que Euron teria capturado a Mulher Morena nos porões de um navio de escravos indo para Lys, quando, na verdade, nada disso está escrito no texto. Não se menciona qualquer navio, nem que ela era uma escrava. Tão facilmente como tomou Falia Flowers quando invadiram o Castelo dos Hewett, Euron poderia muito bem ter tomado a amante de um mercador de escravos.
Mas evitemos a interpretação segundo a qual Martin, a esta altura da história, está tentando nos confundir com jogos de palavras. Que outras opções de origem teria uma mulher “bela, com uma pele tão castanha quanto teca oleada”?
Aqueles que partirem para O Mundo de Gelo e Fogo em busca de auxílio encontrarão logo a seguinte referência sobre os habitantes de Naath:
O povo nativo da ilha é uma raça bonita e gentil, com rostos redondos, pele escura e grandes olhos suaves cor de âmbar, em geral salpicados de dourado.
[...~]
O Povo Pacífico sempre teve um bom preço, dizem, pois são tão inteligentes quanto gentis, belos de se olhar e rápidos em aprender a obediência*. É relatado que* uma casa de prazer em Lys é famosa por suas garotas naathi*, que usam diáfanos vestidos de seda e são adornadas com asas de borboletas alegremente pintadas.*
(TWOIAF, Naath)
As descrições tem certa compatibilidade com as características relatadas da mulher morena. Entretanto, os característicos olhos amarelados teriam sido notados facilmente mesmo por alguém tão tapado quanto Victarion. Por outro lado, depois da demonstração de fúria perante Moqorro, acredito que pouco classificariam a mulher morena como “gentil”.
Caso continuemos a pesquisa no livro de meistre Yandell, logo encontraremos uma outra descrição sobre o povo de Leng que é bastante capciosa:
Os lengii nativos são talvez os mais altos de todas as raças da humanidade, com muitos homens entre eles chegando a mais de dois metros de altura, e alguns até com dois metros e meio. De pernas longas e esguios, pele cor de teca oleada*, eles têm grandes olhos dourados e supostamente podem ver mais longe e melhor do que outros homens,* especialmente à noite. Embora formidavelmente altas*, as mulheres lengii são notoriamente ágeis e encantadoras, de* beleza insuperável*.*
(TWOIAF, Leng)
A descrição da pele é inteiramente simétrica àquela da mulher morena (fornecida por VIctarion). Na verdade, é curioso perceber que a única vez que a expressão “teca oleada” é usada para descrever a pele de alguém ocorre com a mulher morena. A única outra vez em que essa analogia é usada é como o povo de Leng, fora da saga principal, em um livro acessório.
Entretanto, há mais problemas aqui do que soluções. Novamente temos a descrição do dourado dos olhos (que seriam difíceis de Victarion ignorar), a altura formidável e a beleza insuperável. Ainda que possamos alegar que Victarion é um homem alto, próximo dos 2 metros de altura (segundo estimativas dos leitores), seria difícil que ele ignorasse que a mulher morena fosse muito alta para uma mulher e de beleza insuperável.
Desse modo, acredito ser seguro descartar Leng e seguir. Não há mais nenhuma referência a características que se assemelhem à da mulher morena (fora das Ilhas do Verão, que já foram descartadas em nossas premissas acima), porém existe uma referência a um povo no estrangeiro que por vezes sofre o mesmo destino reservado à mulher morena:
Não é surpresa que Sothoros seja pouco povoado quando comparado com Westeros ou Essos. Duas dezenas de pequenas vilas de comércio se amontoam na costa norte ‒ vilas de lama e sangue*, alguns dizem: molhadas, úmidas e cheias de miséria, onde aventureiros, trapaceiros, exilados e* prostitutas das Cidades Livres e dos Sete Reinos vêm fazer fortuna.
Há riquezas escondidas entre as selvas, pântanos e taciturnos rios banhados pelo sol do sul, sem dúvida, mas, para cada homem que encontra ouro, pérolas ou especiarias preciosas, há uma centena que encontra apenas a morte. Os corsários das Ilhas Basilisco atacam esses assentamentos, levando cativos que serão mantidos confinados em Garra ou na Ilha das Lágrimas antes de serem vendidos para os mercados de carne da Baía dos Escravos, ou para as casas de prazer e jardins de prazer de Lys*.*
(TWOIAF, Sothoros)
Embora seja muito vago afirmar que esta é uma origem em potencial para a mulher morena (pois, virtualmente, é o mesmo que dizer que ela poderia ter vindo de qualquer lugar do mundo), a menção de que prostitutas das cidades livres que se aventuram em Sothoryos podem acabar em Lys pode nos ajudar a esclarecer algumas dúvidas sobre seu comportamento esquisito (vide abaixo).
Portanto, ainda que não possamos determinar sua origem, a análise acima nos permite começar a descartar algumas opções. Inclusive, percebemos que a mulher morena tem um pele de uma tonalidade ímpar (teca oleada), o que pode indicar que ela pertença a um povo que ainda não foi descrito pro Martin.
Entrentanto, há uma última analogia que não pode deixar de ser registrada:
“Não quero nenhuma de suas sobras”, dissera desdenhosamente ao irmão, mas quando Olho de Corvo declarou que a mulher seria morta se não a aceitasse, fraquejou. A língua dela tinha sido arrancada, mas exceto por este pormenor estava intacta, e era também bela, com uma pele tão castanha quanto teca oleada. Mas, por vezes, quando a olhava, surpreendia-se lembrando da primeira mulher que o irmão lhe dera*, para fazer dele um homem.*
(AFFC, O Pirata)
Sendo Euron alguém conhecido por apreciar jogos mentais, a escolha de alguém que se assemelhasse com a primeira mulher que Victarion havia recebido pode ter sido deliberada. Este detalhe pode ter sido essencial para capturar a memória afetiva de Victarion e fazer com que ele mais facilmente aceitasse o presente de Euron.
Não fica claro se por “primeira mulher” Victarion está falando de sua primeira esposa (que morreu no parto de uma menina natimorta) ou se ele estaria se referindo à primeira mulher com que se deitou. Curiosamente, esta dúvida se aprofunda quando vemos observamos os pensamentos de Victarion no capítulo liberado de Os Ventos do Inverno:
[Spoilers de Os Ventos do Inverno]Enquanto estava na proa do Vitória de Ferro vendo os navios mercantes de Uma-orelha desaparecem um a um ao oeste, as faces dos primeiros inimigos que matara voltaram a Victarion Greyjoy. Ele pensou em seu primeiro navio, em sua primeira mulher.
(TWOW, Victarion)
De todo modo, o importante é que a mulher morena desperta nele esta memória afetiva. Com efeito, o próprio Victarion não parece compreender porque aceitou a mulher ou mesmo porque não cumpriu seu desejo de sacrificá-la, a despeito de ter a perfeita noção de que qualquer presente de Euron é um presente de grego:
A mulher morena não respondeu. Euron havia cortado sua língua antes de dá-la para ele. Victarion não duvidada que o Olho de Corvo tivesse dormido com ela também. Era o jeito do seu irmão. Os presentes de Euron são envenenados, o capitão lembrara a si mesmo no dia em que a mulher morena veio a bordo*. Não quero nenhum de seus restos. Decidira, então, que cortaria a garganta dela e a atiraria ao mar, um sacrifício de sangue para o Deus Afogado.* De alguma forma, contudo, jamais chegara nem perto de fazer isso*.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Pior, esta sensação de familiaridade poderia justificar também a razão pela qual Victarion confiava seus segredos a ela. Não que a mudez da mulher não tenha parte nisso. Afinal, é o que os próprios pensamentos de Victarion indicam:
Cada vez mais, temia que tivessem navegado longe demais, em mares desconhecidos onde até mesmo os deuses eram estranhos... mas, essas dúvidas, ele confidenciava apenas para sua mulher morena, que não tinha língua para repeti-las.
[...]
Victarion podia falar com a mulher morena. Ela nunca tentava responder.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Contudo, isto não explica outros momentos em que Victarion observa ter uma conexão com a mulher morena que independem da confidencialidade verbal. Para estas situações, a memória afetiva me parece funcionar como uma justificativa muito melhor:
A mulher morena sabia o que ele queria sem que tivesse que pedir. Quando ele relaxou em sua cadeira, ela pegou um pano úmido e macio da bacia e o colocou em sua testa.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Outros exemplos disto são a forma como Victarion parece confiar na mulher morena não só mais do que em Meistre Kerwin, capturado em escudoverde (o que é até justificável, pois os nascidos do ferro parecem desconfiar dos meistres, especialmente em um que servia a uma Casa inimiga derrotada)...
– Pegue esta sujeira e vá. – Victarion acenou para a mulher morena. – Ela pode fazer o curativo.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
... mas talvez até mais do que confia em Moqorro:
– [...] Gostaria que eu o sangrasse?
Victarion agarrou a mulher morena pelo pulso e a puxou para si.
Ela fará isso. Vá orar ao seu deus vermelho. Acenda seu fogo, e me diga o que vê.
Os olhos escuros de Moqorro pareceram brilhar.
– Vejo dragões.
(TWOW, Victarion)
No aspecto sexual, mesmo diante de sete mulheres treinadas para o prazer pelo Yunkaítas, Victarion diz-se satisfeito com sua mulher morena até que chegue o dia de tomar Daenerys para si:
Os senhores de escravos de Yunkai as haviam treinado no caminho dos sete suspiros, mas não era para isso que Victarion precisava delas. Sua mulher morena era suficiente para satisfazer seus apetites até que pudesse chegar a Meereen e reivindicar sua rainha.
(ADWD, Victarion)
A confiança na mulher morena é a tal ponto acentuada, que Victarion passa a suspeitar que seu meistre poderia estar causando a infecção do ferimento em sua mão. Ela é uma das duas únicas pessoas tratando seu ferimento em todo o barco, mas ele não só a exclui da lista de suspeitos como confidencia a ela suas suspeitas sobre Kerwin:
– Se não foi Serry, então quem? – perguntou para a mulher morena. – Poderia aquele rato daquele meistre estar causando isso? Meistres conhecem feitiços e outros truques. Ele pode estar usando um para me envenenar, esperando que eu o deixe cortar minha mão fora. – Quanto mais pensava nisso, mais provável lhe parecia. – O Olho de Corvo o deu para mim, criatura miserável que é. – Euron tirara Kerwin de Escudoverde, onde estava a serviço de Lorde Chester, cuidando de seus corvos e ensinando seus filhos, ou talvez de outros nas redondezas. E como o rato guinchava quando um dos mudos de Euron o entregara a bordo do Vitória de Ferro, arrastando-o pela corrente em seu pescoço. – Se isso é por vingança, ele se engana comigo. Foi Euron quem insistiu que ele fosse levado, para evitar que causasse danos com suas aves. – Seu irmão lhe dera três gaiolas de corvos também, para que Kerwin pudesse mandar notícias de sua viagem, mas Victarion proibira que fossem soltas. Que fique de molho, se perguntando o que está acontecendo.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
É claro que pode-se arguir que Victarion simplesmente é burro e não vê coisas que simplesmente estão acontecendo sob seu nariz. Entretanto, o que me surpreende neste diálogo é que ele cita Kerwin ser um presente envenenado de Euron como motivo para sua suspeita, sendo que ele está falando diretamente para o primeiro presente que ele mesmo julgou envenenado.
Assim, me parece que isto demonstra que Victarion realmente desenvolveu um elo afetivo com a mulher, não APENAS que ele é burro.

Comportamentos e habilidades curiosos

A mulher morena é estranha e age de forma estranha.
A primeira coisa a se registrar são as suspeitas do fandom. Os leitores em geral acreditam que a mulher morena espia Victarion para Euron. Pouquíssimos arriscam dizer que ela é uma espiã dos magos de Qarth (Warlocks). Entretanto, tanto os primeiros quanto os últimos dizem que a espionagem se dá de forma mágica.
Alguns dizem que Euron entra na pele da mulher morena (assumindo como verdadeira a teoria de que Euron é um troca-peles poderoso) para interagir com Euron. Outros dizem que Euron ou os warlocks simplesmente usam os ouvidos e olhos da mulher morena para clariaudiência ou clarividência, sem propriamente ter controle sobre ela.
Porém, eu não acredito que essas especulações tenham fundamento textual, mas partem de um sentimento geral de suspeita que é causado pelo que está no texto. Examinemos cada caso.
Lembram-se que eu disse que a menção de O Mundo de Gelo e Fogo sobre “prostitutas das cidades livres que se aventuram em Sothoryos poderem acabar em Lys” iria nos ajudar a esclarecer o comportamento esquisito da mulher morena? Pois bem, chegou a hora.
Victarion estava guerreando no Vago, quando retorna a sua cabine para ter com a mulher morena:
Em sua apertada cabine de popa, foi encontrar a mulher morena, úmida e pronta*; a batalha talvez também tivesse aquecido seu sangue.*
(AFFC, O Pirata)
Não é estranho que uma mulher que havia sido capturada e entregue a Victarion como uma escrava estivesse “úmida e pronta” assim que seu atual captor irrompesse pela porta vestido em armadura, suado e sangrando?
É claro que simplesmente poderíamos, como Victarion (mau sinal...), assumir que a batalha a tivesse excitado. Ou que Victarion seja mais atraente do que podemos pensar.
Mas não seria igualmente possível pensar que este seria um indício de que a mulher morena tem experiência como concubina?
É sabido que Martin fez com que os meistres da Cidadela tivesse um conhecimento de medicina mais avançado do que aqueles disponíveis para os praticante da medicina da Idade Média do mundo real. Entretanto, não está claro que este grau avançado de desenvolvimento também aconteça nas demais civilizações do resto do mundo que Martin criou.
Na verdade, parece que não, pois Mirri Maz Durr cita que aprendeu artes curativas com o Arquimeistre Marwyn, o que parece indicar que a Cidadela detém os melhores conhecimentos médicos do mundo:
Uma cantora de lua de Jogos Nhai deu-me de presente as suas canções de parto, uma mulher do seu povo cavaleiro ensinou-me as magias do capim, dos grãos e dos cavalos, e um meistre das Terras do Poente abriu um cadáver e mostrou-me todos os segredos que se escondem sob a pele.
Sor Jorah Mormont interveio.
– Um meistre?
– Chamava-se Marwyn – respondeu a mulher no Idioma Comum. – Do mar. Do outro lado do mar. As Sete Terras, disse ele. Terras do Poente. Onde os homens são de ferro e os dragões governam. Ensinou-me esta língua.
(AGOT, Daenerys VII)
Ocorre que a mulher morena parece ter bons conhecimentos sobre como tratar um ferimento:
A morena lavou o ferimento com vinagre fervido*. [...] Victarion dirigiu-se à morena enquanto ela enfaixava sua mão com* linho*. [...]*
(AFFC, O Pirata)
A mulher morena estava enfaixando sua mão com linho limpo, enrolando a faixa seis vezes ao redor da palma, quando Aguado Pyke apareceu [...].
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Em verdade, o tratamento que a mulher morena vinha aplicando a Victarion era justamente o que o meistre aplicava após punção dos ferimentos:
Sangue era bom. Victarion grunhiu em aprovação. Sentou-se firme enquanto o meistre secava, apertava e limpava o pus, com quadrados de tecido macio fervidos em vinagre*. Quando terminou, a água limpa na bacia tinha se tornado uma sopa espumante. A visão por si só podia fazer qualquer homem enjoar.*
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
A mulher morena até demonstrou ter mais intimidade com este tipo de ferimentos do que o próprio meistre Kerwin. O rosado meistre não é referência de estômago forte, claro, mas a reação de nojo da mulher morena é tão econômica, que parece apontar para certa prática no assunto:
O pus que irrompeu era grosso e amarelo como leite azedo. A mulher morena torceu o nariz para o cheiro, o meistre segurou a ânsia de vômito e até Victarion sentiu seu estômago revirar.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Por outro lado, apesar de ficar parecendo pela passagem abaixo que Victarion também poderia conhecer estes procedimentos (o que não seria impossível, já que o Cão de Caça demonstrou conhece-los também quando estava com Arya), eu acredito que Victarion simplesmente está com a memória ruim, pois quem lavou primeiro o ferimento foi a mulher morena (vide citação acima):
Um arranhão de um gatinho, Victarion disse para si mesmo, depois. Lavara o corte, despejara um pouco de vinagre fervido sobre ele, enfaixara-o e deixou de pensar naquilo, acreditando que a dor diminuiria e a mão se curaria com o tempo. Em vez disso, a ferida tinha infeccionado, até que Victarion começou a se perguntar se a lâmina de Serry estava envenenada. Por que mais a ferida se recusaria a sarar?
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
De fato, como o procedimento está correto e a medicina westerosi é mais avançada do que a medieval, muitos leitores se teorizam que a mulher morena poderia estar de alguma forma envenenando Victarion, ou ao menos matando-o devagar ao fazer algo para não permitir a cicatrização do corte.
Há até mesmo uma passagem em que vimos que o único procedimento sugerido pelo meistre que não é adotado pela mulher morena é tentar drenar o ferimento em local aberto:
O meistre sugerira que o ferimento seria mais bem drenado no convés, no ar fresco e à luz do sol, mas Victarion proibira. Aquilo não era algo que sua tripulação pudesse ver. Estavam a meio mundo de casa, longe demais para deixá-los ver seu capitão de ferro começar a enferrujar.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Caso ela realmente estivesse piorando a condição de Victarion, evitar o convés seria uma atitude compatível. O problema é descobrir com que finalidade ela estaria fazendo isso. O que nos leva ao próximo e principal item desta lista
· Reconhece Moqorro como perigoso
A reação explosiva da mulher morena ao ver Moqorro parece significar que ela o acha perigoso. Mas perigoso como? Para quem? Bem, a resposta depende de saber quem realmente é a mulher morena e quais seus propósitos.
Aqueles que acham que ela está sendo possuída magicamente ou servindo de olhos e ouvidos para poderes de clarividência e clariaudiência, seja por parte de Euron ou dos Warlocks, pensam que estes sabem que Moqorro põe seus planos em riscos, pois os poderes do sacerdote vermelho permitem saber que a mulher morena é uma marionente.
Já aqueles que acreditam que a mulher morena está envenenando ou adoecendo Victarion pensam que a reação dela se deu em decorrência de que ela sabe dos poderes “curativos” do sacerdote e que todo o trabalho que ela está tendo será perdido no momento em que Moqorro entrar em ação.
E há aqueles que acreditam que a mulher morena sabe que Moqorro não está ali para curar Victarion, mas sim para trazer um sofrimento ainda maior. Nesta hipótese a mulher morena estaria tentando avisar Victarion sobre o perigo que Moqorro representa, mas não tem como expressar isso devido à mudez e à personalidade tosca de Victarion.
Porém, todos concordam em um ponto: a mulher reconheceu Moqorro. A pergunta não deveria ser “que tipo de perigo ela acha que Moqorro representa”. Isso acho dificílimo de adivinhar. Mas parece um pouco mais factível se especular sobre “de onde ela conhece Moqorro ou alguém como Moqorro”.
Para isso precisamos listar as características visíveis sobre Moqorro. Aquelas que fariam alguém entender quem ele é logo à primeira vista:
  1. Porte físico impressionante
  2. Cor de pele singular
  3. Tatuagens de chamas no rosto
Quanto ao porte físico, duvido que isso faça alguma diferença para a mulher morena, haja vista que há homens como Andrik, o Sério entre os homens de ferro.
A cor de pele da pele de Moqorro pode gerar duas reações. Uma demonstração simples de racismo, como ocorreu com os primeiros Ghiscari a chegarem às Ilhas do Verão (TWOIAF, As Ilhas do Verão). Ou a cor pode realmente vir de algo que lembre “um homem que foi tostado nas chamas até que sua carne carbonizou e caiu soltando fumaça de seus ossos”.
Nesse último caso, a cor da pele de Moqorro denunciaria algum grau avançado de poder místico. O fato de a mulher morena ter percebido isto induz a pensa que ela pode ter tido algum encontro com este tipo de pessoa no passado. Um encontro traumático, claro.
Por fim, se forem as tatuagens, simplesmente a mulher morena tem algo contra sacerdotes de R’hllor.
A parte interessante é que Moqorro não mostra interesse algum na mulher. Mas Moqorro não mostra interesse algum em ninguém, nem mesmo os tripulantes que pediram que Victarion o matasse.
Os homens de Euron são compostos de “mudos e mestiços”. Isso quer dizer que os mestiços não são necessariamente mudos. Vimos, inclusive, que um dos filhos bastardos mestiços de Euron fala. Portanto, cortar a língua da mulher morena foi uma atitude deliberada de Euron. Ou ela era parte da tripulação como os demais mudos?
Por outro lado, diante de tantas possibilidades de origens estrangeiras para a mulher, fica a pergunta: ela fala a língua comum? Sequer entende o que Victarion está falando?

Propósito e futuro

Se a mulher é uma espiã de Euron, então Euron está fazendo uma farta colheita. Mas de que serve toda esta informação agora? Será útil a Euron ou aos Warlocks no futuro saber que Moqorro está com Daenerys? Ou as notícias de que Daenerys está morta já podem ser suficientes?
Em suma, que futuro existirá para a mulher morena se tantas pessoas apostam na morte de Victarion? O próprio Victarion pensa em fazê-la de camareira:
– Ela será minha esposa, e você será minha camareira. – Uma camareira sem língua nunca deixaria escapar nenhum segredo.
Ele poderia ter dito mais, mas foi então que o meistre chegou, batendo na porta da cabine, tímido como um rato.
(ADWD, O Pretendente de Ferro)
Há também a possibilidade de que ela carregue um filho de Euron em si. Afinal, o próprio VIctarion suspeita de que Euron já havia se deitado com a mulher antes de passa-la a ele.
Por terminar as especulações sem spoilers, seria a mulher morena uma feiticeira com poderes próprios e um objetivo claro em Meereen?

Especulações com spoilers de Ventos do Inverno

O capítulo de Victarion em Ventos do Inverno não é completo. Ele termina com algumas notas sem transcrição literal dos eventos:
❖ A mulher morena sangra o braço de Victarion em uma bacia. Victarion esfrega o sangue no berrante, murmurando suavemente para ele “​Meu berrante… dragões…”;
❖ Victarion masturba a mulher morena, não há penetração. Ele pensa que não gosta de transar antes da batalha;
❖ A mulher morena o ajuda a colocar a armadura, ele faz um discurso vibrante para a tripulação, e eles velejam em direção a Meereen.
(TWOW, Victarion)
Como a mulher morena é citada em todas as notas finasi, algumas perguntas ficam no ar:
Se Euron ou os Warlocks estão assistindo VIctarion reinvindicar o berrante via mulher morena, eles teriam algo preparado para fazer caso isso acontecesse? Fazia parte dos planos?
Qual é a importância de Victarion masturbar a mulher morena? Teria alguma relação com o braço que ele usa para fazer isso? Victarion usaria seu braço fumacento para fazer algo do tipo? Por que diabos ele faria algo do tipo?
A mulher morena fica para trás no navio quando os nascidos no ferro descem para atacar Meereen. Ela pode sabotar alguma parte dos planos? Teria alguma relação com o Atador de Dragões?
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2020.01.20 03:58 altovaliriano Arya Stark

Mais uma vez o “sábado de personagens” deslocado para o domingo. E mesmo assim atrasa...
Hoje, Arya Stark é a personagem da semana.
Arya é literalmente a filha do meio de Catelyn e Eddard. A terceira de cinco. A segunda do sexo feminino. Mas é a única criança de Catelyn que se parece com uma Stark. Esta constatação, isoladamente, já revela como Arya se diferencia de seus irmãos.
Porém, o caso de Arya vai mais além. Ela herdou o espírito selvagem da família de Eddard, sendo especialmente parecida com sua falecida tia Lyanna. Talvez por isso que Ned tenha tanta tolerância com Arya e seus ímpetos aventureiros e inclinações marciais. De todo modo, Ned não poderia alegar desconhecer que sua filha não aceita exercer os papéis que são relegados às mulheres nos Sete Reinos:
– E eu posso ser conselheira do rei, construir castelos ou me tornar Alta Septã?
– Você – disse Ned, dando-lhe um suave beijo na testa – casará com um rei e governará seu castelo, e seus filhos serão cavaleiros, príncipes e senhores e, sim, talvez mesmo um Alto Septão.
Arya fez uma careta.
– Não – ela protestou –, esta é a Sansa – dobrou a perna direita e voltou aos exercícios deequilíbrio. Ned suspirou e a deixou ali.
(AGOT, Eddard V)
A natureza diferenciada de Arya, porém, tem seus custos. E o principal custo é sua convivência com sua irmã Sansa. Martin chegou a declarar (vide seção abaixo) que Arya foi criada primeiro, mas que a personagem estava muito bem relacionada com os demais irmãos. Assim, ele sentiu que era necessário criar Sansa para atazana-la.
De fato, o papel de Sansa e Jeyne Poole é apenas o de ridicularizar Arya e fazer com que ela frequentemente sentisse que não tinha competência para desempenhar os papéis que eram esperados dela como mulher. Ao longo dos livros, estes sentimentos parecem não se alterar. De modo que fica cada vez mais evidente que o afeto que as irmãs nutrem uma pela outra é, no máximo, distante:
Sansa era educada demais para sorrir da desgraça da irmã, mas havia o sorriso afetado de Jeyne no seu lugar. (AGOT, Arya I)
Arya saíra ao senhor seu pai. Os cabelos eram de um castanho sem brilho, e o rosto, longo e solene. Jeyne costumava chamá-la Arya Cara de Cavalo, e relinchava sempre que ela se aproximava. (AGOT, Arya I)
Sansa sonhara em ter uma irmã como Margaery; bela e gentil, com todas as graças do mundo às suas ordens. Arya havia sido completamente insatisfatória no que tocava a ser irmã. (ASOS, Sansa II)
A Agulha era Robb, Bran e Rickon, a mãe e o pai, até Sansa. (AFFC, Arya II)
Dentre seus irmãos, Arya somente desfruta de um relacionamento próximo com seu “meio-irmão” Jon Snow. Não é coincidência que Jon seja outra pessoa por quem Sansa nutre um afeto distante. Arya e Jon dividem algumas características. Ambos não se adaptam bem à atual dinâmica familiar de Winterfell e são os parentes de Eddard que mais se assemelham a ele. Estas peculiaridades provavelmente foram as responsáveis por unir Jon e Arya.
Entretanto, muitos leitores enxergam mais do que isso. Há durante toda a saga diversos momentos em que os “meio-irmãos” pensam um no outro em contextos que sugerem inclinações românticas, ainda que platônicas.
GRRM afirma (vide seção abaixo) que tais indícios eram fortes no primeiro livro, quando ainda existia a idéia de tornar Jon e Arya um par romântico, mas que isso foi sumindo dos livros ao longo da saga. Tudo não poderia ser algum tipo de complexo fraterno.
Entretanto, não é o que se verifica nos livros seguintes. A última vez que Arya e Jon se viram foi no começo de A Guerra dos Tronos, mas eles ainda estão pensando carinhosamente um no outro mesmo nos mais recentes volumes da série:
Ygritte trotou para o lado de Jon enquanto este reduzia o passo do garrano. Ela dizia ser três anos mais velha do que ele, embora fosse quinze centímetros mais baixa; qualquer que fosse a sua idade, a garota era uma coisinha rija. Cobra das Pedras chamara-a de “esposa de lança” quando a tinham capturado no Passo dos Guinchos. Não era casada e sua arma favorita era um pequeno arco curvado feito de chifre e represeiro, mas “esposa de lança” ajustava-se a ela mesmo assim. Lembrava a Jon um pouco sua irmã, Arya*, embora esta fosse mais nova e provavelmente mais magra. Era difícil dizer se Ygritte era magra ou gorda, comtodas as*peles que usava.
(ASOS, Jon II)
Ela nunca se incomodara em ser bonita, mesmo quando era a estúpida Arya Stark. Apenas seu pai já lhe chamara daquilo. Ele, e Jon Snow, algumas vezes*. Sua mãe costumava dizer que ela poderia ser bonita se lavasse e escovasse o cabelo e tomasse mais cuidado com suas roupas, do jeito que a irmã fazia. Para a irmã, as amigas dela e todo o resto, ela fora apenas Ary a Cara de Cavalo. Mas estavam todos mortos agora, até mesmo Arya, todos menos seu meio-irmão Jon. Algumas noites, ela ouvia falarem dele nas tavernas e bordéis do Porto do Trapeiro. O Bastardo Negro da Muralha, os homens o chamavam.* Nem mesmo Jon teria reconhecido a Cega Beth, aposto. Aquilo a deixava triste*.*
(ADWD, A Garota Cega)
Em todo caso, qualquer que seja, foi este sentimento que moveu Jon Snow a abandonar seus votos e desertar a Patrulha. Assim, é algo que move Jon em direção à Arya e o leva a aceita-la da forma que ela é.
Tal qual Eddard, Jon não desdenha da aptidões de Arya. Ele foi, em verdade, o primeiro patrocinador delas, antes mesmo do pai. Ao presentar a “irmã” com Agulha, Jon semeou o terreno para que Eddard oferecesse a Arya um treinamento de dançarina da água. É notório que Eddard estava tentando desviar Arya de ambições maiores (como a cavalaria, por exemplo), mas a história de Agulha e o treinamento com a Syrio Forel forem responsáveis por plantar prenúncios frutíferos na história.
O primeiro foi tornar Braavos uma cidade com a qual Arya tinha uma ligeira familiaridade. Assim, quando ela tivesse que ir para lá, não parecesse um total tiro no escuro. A segunda é a frase que Jon Snow diz antes mesmo de presentar a irmã:
Quanto mais tempo ficar escondida, mais severa a penitência. Costurará durante todo o inverno. Quando chegar o degelo da primavera, encontrarão seu corpo ainda com uma agulha bem presa entre os dedos congelados.
(AGOT, Arya I)
Muitos leitores veem nesta frase um prenuncio de que Arya poderia morrer durante a Batalha pela Alvorada. Assim, caso se corpo fosse encontrado com a espada Agulha presa às suas mãos, saberíamos que as palavras inocente de Jon se provaram proféticas. Até mesmo poderia servir para que o corpo de Arya fosse identificado mesmo se ela estivesse com um rosto diferente.
Outro fato de nota que ocorreu a Arya antes de partir para Porto Real e todas as aventuras que se seguiram daí foi a adoção da loba gigante Nymeria. Ainda que soe natural que Arya daria um nome de uma mulher ousada para sua loba, a referência dornesa parece de alguma forma distante demais da realidade nortenha para que não haja algum significado nesta escolha... ou talvez seja apenas um detalhe de construção de mundo.
Qualquer que seja o caso, Nymeria e Arya foram separadas com pouco tempo de criação e adestramento. Este tempo,entretanto, foi suficiente para que o dom como troca-peles de Arya fosse despertado. O fato de que Nymeria conseguiu sobreviver ao ser forçada a fugir foi determinante para o desenvolvimento à distância das aptidões de Arya.
Plantadas estas idéias no leitor, Martin segue até o final de A Guerra dos Tronos fazendo com que Arya passe por horas de treinamento, ocasionalmente usando-a como espectadora de eventos inusitados, como o encontro entre Illyrio e Varys no subsolo da Fortaleza Vermelha. Um fato curioso deste encontro é que Arya observa bem a fisionomia de Illyrio, mas não a de Varys (que está disfarçado). Dessa forma, uma amiga me questionou se isso não seria um indício de que Arya poderia ter que acabar recusando uma missão da Casa do Preto e do Branco para matar Illyrio no futuro, pois o “conhece”. É uma questão a se pensar...
De toda forma, Arya presencia em mais vivacidade o massacre dos homens Stark no momento da prisão de seu pai, assim como está presente quando ele tem sua cabeça cortada. A fuga da Fortaleza Vermelha, inclusive, a provoca a matar uma pessoa pela primeira vez na vida: um cavalariço de sua idade que poderia denunciá-la.
Quando Yoren a extrai de Porto Real para leva-la ao Norte, Arya começa a ter que sobreviver em meio ao luto. Assim como Sansa, Arya é deixada em circunstância hostis. Durante os A Fúria dos Reis, ambas as garotas suportam muitos abusos e humilhações, mas ao menos Sansa pôde contar com relativo conforto. Da parte de Arya, ainda que ela desde pequena se sinta à vontade em meio à plebe, a jornada se prova particularmente árdua. Especialmente porque Arya se vê pela primeira vez vivendo sobre uma nova identidade.
Após a morte de Yoren, não demora para que o grupo de órfãos vire presa de Gregor Clegane e seu bando. Conforme se passam no cárcere, Arya começa a bolar sua famosa lista, com todas as pessoas que ela julga responsável por trazer sofrimento a ela e àqueles ao seu redor. O que é curioso é que, apesar de listar o Rei Joffrey entre os albos, a garota de 9 anos não tenha o discernimento de que sua lista somente mira em capangas e fantoches, mas esquece de vilões de verdade, como Tywin Lannister.
Essa falta de discernimento se repete quando Arya está em Harrenhal e Jaqen a oferece 3 mortes em troca das vidas que ela salvou do incêndio. Novamente, a garota Stark se limita a indicar nomes sem importância. Quando surge a ideia de nomear Tywin Lannister, sentimentos nacionalistas a fazem burlar a barganha de Jaqen para convencê-lo a ajudá-la na libertação dos prisioneiros nortenhos e dos homens Frey. Portanto, Arya não demonstra não empregar seu potencial assassino para grandes causas, atendo-se a pequenas vinganças e revanches.
Ainda assim, Jaqen entrega a Arya a moeda de ferro que mais tarde a levaria a Braavos para o treinamento junto aos homens sem rosto. O que causa curiosidade seria o motivo pelo qual Jaqen selecionou a menina. O perfil dela não combina com o da seita, como vemos ao longo de Festim dos Corvos e Dança dos Dragões. Sem falar que ele a presenciou fazendo uma barganha contra o próprio Jaqen.
Fora de Harrenhal, Arya acaba novamente sendo feita prisioneira alguns dias depois de partir. Mas dessa vez, é reconhecida e fica permanentemente na expectativa de ser levada a sua mãe, não importa se vendida ou simplesmente entregue. Mas o objetivo da viagem que Martin a impõe é conhecer os efeitos da guerra sobre as Terras Fluviais, sob o ponto de vista dos camponeses.
Antes que essa jornada termine, porém, duas coisas ocorrem: Arya é raptada por alguém em sua lista (Sandor Clegane) e Roose Bolton informa que encontrou Arya e vai enviá-la ao Norte.
Como GRRM gosta de lembrar as semelhanças entre Arya e Lyanna, não há como não enxergar em seu rapto ecos do rapto de sua tia por Rhaegar Targaryen. Talvez haja aqui algum paralelismo que estamos deixando de enxergar. Mas as distinções são bem claras. Sandor estava levando Arya de volta pra casa, enquanto Rhaegar estava levando Lyanna para longe do Norte. Um detalhe incidental nesta questão é que Sandor “morre” à beira do Tridente tal qual Rhaegar (ainda que este tenha morrido no vau rubi, local que Arya e Sandor evitaram).
Quanto ao segundo evento, a farsa de Jeyne Poole como a falsa Arya permitiria que a verdadeira se tornasse, de fato, ninguém. A intenção, claro, era fechar uma ponta para resgatar a história dali a 5 anos, quando Jeyne Poole já estivesse estabelecida como Arya. Neste futuro que nunca aconteceu, Arya haveria florescido, o que era a intenção de Martin. Ele sempre cita como as histórias dos adultos não tinha tempo para esperar que “Arya chegasse a puberdade”.
De fato, como Arya é comparada com Lyanna diversas vezes, seria de se esperar que a puberdade lhe avivasse a beleza selvagem e que já a víssemos em Braavos em estado avançado de seu treinamento. Se sabe que o primeiro capítulo de Arya em Os Ventos do Inverno foi escrito antes de Martin abandonar o salto de 5 anos, portanto, as circunstâncias que ela parece que vai viver agora aos 11 anos seriam aquelas que, originalmente, se pensava que ela viveria ao 16 anos (aproximadamente a mesma idade que Lyanna tinha quando morreu).
Porém, o caminho seguido em O Festim dos Corvos e A Dança dos Dragões foi acompanhar o treinamento de Arya desde o começo. Muitos leitores acusam estes capítulos de serem encheção de linguiça, mas eu os entendo apenas como lentos. Há 3 linhas mestras acontecendo neles: 1) modificações na política de Braavos, 2) conflitos internos da própria Arya não querendo abandonar sua herança Stark, 3) revelação de segredos da Casa do Preto e do Branco.
Caso o salto temporal houvesse ocorrido, eu imagino que os 2 primeiros itens poderiam ser contados facilmente via flashbacks, sem necessidade de presenciarmos as sementes serem plantadas (que é o que Martin parece ter feito ao longo de Festim e Dança). Porém, o terceiro item me parece ser o cerne dos capítulos de Arya, como ou sem salto temporal.
Era de se esperar que os sacerdotes não fiquem contando segredos a acólitos tão novos como Arya. Mas o Homem Gentil parece estar estranhamente aberto a instruir uma aprendiz com menos de 1 ano de Casa sobre a história da seita e lhe permitir fazer missões com rostos novos. E Arya não está se provando ser digna dessa confiança.
Bem, na série da HBO, a Casa do Preto e do Branco tentou eliminar Arya, mas ela simplesmente se mostrou superior ninguém sabe como. Em A Dança dos Dragões, Arya demonstrou estar um passo à frente do Homem Gentil entrando na pele de um gato de rua que a seguiu até o templo. Com este truque ela conseguiu descobrir que era o sacerdote quem a surrou quando estava cega.
Muitos leitores especulam que esta habilidade sobrenatural seria uma vantagem que Arya usaria para trapacear nos treinamentos, haja vista que não é uma habilidade pela qual Homens Sem Rosto são famosos. Daí, afirmam esses leitores, quando a convivência na Casa do Preto e do Branco se tornar insustentável e um Homem Sem Rosto for enviado para eliminar a discípula rebelde, os poderes de troca-pele são o diferencial que faria com que Arya sobrevivesse ao ataque do assassino e pudesse escapar de Braavos para Westeros.
O retorno de Arya a Westeros é outra icógnita. Atualmente não sabemos de motivos que a tirariam de Essos. Alguns apontam a morte de Jon Snow como o combustível. Mas eu costumo argumentar que Arya matou o cantor Dareon simplesmente por ele ser um desertor, como Jon. Outros acreditam que Arya saberá sobre o próprio casamento com Ramsay e virá a Westeros para desfazer a farsa. E, por fim, há aqueles que dizem que ela simplesmente voltará para matar Freys, Boltons e o restante de sua lista.
Porém, há um grande consenso que esta volta implicará em um encontro com sua mãe, agora na forma de Senhora Coração de Pedra. Alguns acreditam que este encontro será chocante o suficiente para mudar a cabeça de Arya com relação ao seu desejo de vingança. Outros acreditam que a confluência de objetivos só tornará tudo duplamente letal.
Bem, qualquer quer seja o desfecho da história, ainda não foi publicado. Nos resta especular.

Declarações de GRRM sobre Arya

PERGUNTAS

  1. Jon e Arya têm inclinações românticas reais (ainda que platônicas) um pelo outro? Ou é apenas Freud em ação?
  2. A frase de Jon sobre Arya ser encontrada congelada com agulha na mão é um presságio de que ela morrerá na batalha da alvorada?
  3. O fato de ter nomeado sua loba como Nymeria, revela que Arya teria alguma propensão para viajar a Dorne nos próximos livros?
  4. Os poderes de troca-pele de Arya são alguma forma de trapaça para o treinamento dos Homens Sem Rosto?
  5. O rapto de Arya por Sandor ecoa de alguma forma o rapto de Lyanna por Rhaegar?
  6. Você acha que os capítulos de Arya em Braavos estão mais para encheção de linguiça ou escalada de tensão?
  7. Que diferença você acha que o abandonado “salto temporal de 5 anos” faria na história de Arya pós-A Tormenta de Espadas?
  8. Você acredita que os poderes de troca-peles de Arya a farão uma assassina particularmente perigosa entre os Homens Sem Rosto?
  9. O que você acha que vai levar Arya de volta a Westeros?
  10. Você acredita que Arya se encontrará novamente com seus irmãos, Jeyne Poole ou Senhora Coração de Pedra? Caso positivo, que tipo de reação você espera que ela tenha nestes encontros?
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2019.10.06 04:28 altovaliriano Eddard Stark

George R. R. Martin reiteradamente afirma que nenhum personagem está a salvo da morte, uma noção que ele lapidou muito habilidosamente para estabelecer na saga. A primeira pedra da fundação desta estrutura é lançada com Eddard "Ned" Stark, ao final de A Guerra dos Tronos.
Ned é visto como personagem central do primeiro livro, no qual ele é apresentado como um pai amoroso, marido dedicado, amigo querido, líder confiável, vassalo leal, homem devoto e cumpridor de sua palavra e deveres. Estas qualidades são apontadas como as razões pela qual os leitores o identificam como o herói da história e alguém para quem torcer.
A história do personagem todos sabemos. Ned estava feliz no Norte com sua família quando notícias de que seu antigo protetor e pai de criação teria sido assassinado e seu rei (e amigo de infância) o nomeia como substituto no cargo de Mão do Rei. Desde o momento em que Ned aceita (relutante) o cargo, sua família começa sofrer com os atritos políticos entre Eddard e a família da Rainha. Em Porto Real, Eddard vai de peixe fora d'água a persona non grata enquanto investiga as circunstâncias da morte de Jon Arryn, até que perde todo o apoio político que tinha na capital com a morte do Rei Robert. Eddard tenta fazer justiça, mas é traído, humilhado e acaba por sequer ganhar a misericórdia que lhe foi prometida.
É muito apontado que Ricardo Plantageneta, o 3º Duque de York (1411-1460) seria a inspiração histórica de GRRM para Eddard Stark. O líder de sua Casa de York nos primeiros anos da Guerra das Rosas havia sido nomeado como Lorde Protetor e Regente da Coroa quando o Rei Henrique VI sofreu um colapso nervoso, traiu a Coroa e enfrentou a Rainha Margaret de Anjou, da Casa de Lancaster, mas acabou derrotado e teve sua cabeça exposta nos portões da cidade de York.
Outra inspiração histórica apontada é um dos filho de Ricardo, que viria a reinar como Ricardo III, que havia tentado usar o testamento de Eduardo IV para se tornar regente de Eduardo V... somente para depois anular o casamento de sua cunhada Elizabeth Woodville com o irmão, declarar seus sobrinhos como bastardos e tomar o trono para si. No fim, foi derrotado pelos filhos do primeiro casamento de Elizabeth.
Mas nenhuma dessas personalidades históricas pode ser tomada como referência direta à Eddard Stark, uma vez que a forma como Martin retratou Eddard parece ter sido moldada tendo em vista as necessidades da ficção e não como um estudo da história do mundo real. Portanto, é necessário avaliar a construção da personalidade de Ned Stark dentro das exigências de "As Crônicas de Gelo e Fogo".
Assim, para entender Eddard, proponho questionarmos sua criação, suas relações pessoais e suas relações políticas.
EDDARD, O ANIMAL HUMANO
Eddard nasceu como segundo filho de Rickard e Lyarra Karstark, mas sem demora foi substituído como caçula por Lyanna e Benjen. Ser um filho do meio já evoca uma série de questões sobre auto-estima e favoritismo em um núcleo familiar, especialmente em uma sociedade como a de Westeros, em que toda a fortuna da família é passada apenas para o primeiro herdeiro na linha de sucessão.
Tudo isto parecia ser verdade na família Stark. Ned relata que foi seu irmão mais velho, Brandon, quem recebeu toda a educação senhorial e era tido como o próximo senhor, até mesmo por Eddard, que não nutria nenhuma esperança de herdar Winterfell.
Neste contexto, o papel que um segundo irmão deveria desempenhar era o de leal vassalo do irmão mais velho. Não sabemos se a personalidade de Eddard foi determinante para que ele absorvesse essa postura ou se estas lições lhe foram passadas por seus pais ou por Jon Arryn. Contudo, sabemos que é assim que Eddard entendia seu papel dentro de sua família. Afinal, foram a estas lições que ele recorreu quando explicou a seu segundo filho, Bran, qual deveria ser seu papel diante do primogênito Robb.
De todo modo, se seu papel secundário e instrumental não estava claro durante sua infância em Winterfell, deve ter ficado muito claro quando foi enviado para o Ninho da Águia, para ser criado por um estranho. Ao contrário de Robert, Ned parece ter voltado pouco para a sede de sua Casa durante sua adolescência, fazendo com que seus laços com sua família e os nortenhos fossem notoriamente mais fracos do que os de Brandon, que foi criado em Vila Acidentada. Na verdade, Brandon era de tal carisma que conquistaria amigos até mesmo no Vale de Arryn.
Por outro lado, Ned é descrito como tímido, reservado, com aparência solene, coração e olhos gelados que parecem julgar os outros com desdém. Talvez isso tenha sido desenvolvido depois de adulto, e em razão das adversidades que enfrentou. Talvez estas características estivessem com ele desde que ele fosse criança. Assim, é possível que tenha deixado poucas amizades para trás quando partiu com oito anos para o Ninho da Águia.
Uma vez sob a tutela de Jon Arryn, a vida parece ter sido diferente. Como Jon Arryn havia perdido sua segunda esposa, irmão e sobrinho e não tinha filho algum, Robert e Ned eram como se fossem seus filhos mais velho e mais novo, respectivamente. Durante os nove anos que ficou por lá, é imaginável que Eddard tenha recebido muito mais deferências do que recebia de seu próprio pai em Winterfell.
Na verdade, a propalada honra de Ned Stark pode ser mais fruto de sua criação junto a Arryn do que derivada dos Stark. Não só porque a honra é uma das marcas daquela outra Casa ("Alto como a honra"), como o próprio Jon Arryn demonstrou que punha a honra frente a cega obediência (como quando se recusou a entregar Robert e Ned a Aerys e iniciou uma Rebelião por isso).
Já sobre os Stark de Rickard, por sua vez, paira uma suspeita de que tinham tanta sede de poder e influência quanto tinham de sangue (o tal "sangue de lobo"). Talvez por isso também que sejam tão notórias as diferenças entre Eddard e seus irmãos. Para além de uma mera incompatibilidade de gênios, pode ter havido uma incompatibilidade de criação.
Eddard não deixou de amar os irmãos, entretanto. Ainda que ele condene as atitudes de Brandon e Lyanna, Ned encomendou estátuas mortuárias para todos eles nas criptas de Winterfell, algo inédito na tradição Stark, que demonstra quão profundamente sentimental ele era, especialmente para seus familiares que tiveram um fim trágico.
Contudo, as vezes parece que a verdadeira família de Eddard, aquela que era dona de seu coração era triângulo que formava com Jon Arryn e Robert Baratheon. De fato, ao saber primeiro da morte de Arryn e depois da visita de Robert logo no começo de A Guerra dos Tronos, Ned vai da escuridão a luz: ele perdeu uma parte importante de sua família postiça, mas outra está a caminho para uma visita inesperada.
Por alguma razão que eu ainda não entendo completamente, entretanto, Ned parecia amar Lyanna acima até mesmo de Robert (apesar de ele achar que Robert tinha uma devoção por ela ainda maior do que a dele - AGOT, Eddard I). Nas memórias de Eddard, Lyanna era uma "menina-mulher de inigualável encanto" e, se foram verdade as especulações de que Lyanna o teria visitado às vezes enquanto ele esteve no Vale, poderia ser um indício de que entre ele e Lyanna havia uma intimidade ímpar na família Stark.
Durante "A Guerra dos Tronos", há vários instantes em que essa intimidade e as promessas que Lyanna requereu em seu leito de morte ecoaram. Mas um dos momentos que eu julgo mais significativo foi quando Robert, também em seu leito de morte, cita e imita Lyanna:
Saudarei Lyanna por você, Ned. Tome conta dos meus filhos por mim. [...]
– Eu… defenderei seus filhos como se fossem meus – respondeu lentamente.
(AGOT, Eddard XIII)
Esta coincidência parece indicar que Lyanna e Robert foram as figuras fraternas centrais na vida de Eddard.
NED, PARA OS ÍNTIMOS
Já foram explorados acima vários aspectos da personalidade íntima de Ned. Mas é preciso discriminar melhor. E o primeiro deles se refere à visão que, durante a infância, Ned tinha de sua família e vice-versa.
Sobre seu pai e mãe, pouco conhecemos através de Ned. E isso parece indicar que há uma distância, tanto porque não era um filho com deferência de nenhum deles, quanto porque ele desenvolveu sua psicologia longe de casa, sob a tutela de sua icônica figura paterna, Jon Arryn.
Sobre seus irmãos, Ned passou a vida à sombra de Brandon (sendo suplantado por ele até na tarefa de conseguir para si próprio uma dança com a garota por quem ele se apaixonou), mas até parecia apreciar esta posição, pois sentia-se mais confortável na posição de irmão cumpridor de seu dever.
Quanto à Lyanna, há muitos indícios de sua intimidade, o que talvez decorresse de seu temperamento analítico, em contraste com o sangue de loba dela. O modo como Eddard tentou persuadir Lyanna de que Robert seria um bom partido parece revelar que Eddard pensava ter algum influência sobre ela. Ao mesmo tempo, Eddard afirma que Robert não conhecia a garota como ele. Pode ser, inclusive, que a falta de de rancor de Eddard por Rhaegar e sua reação mais moderada quando o príncipe a coroou Rainha da Beleza e do Amor em Harrenhal decorram de um certo conhecimento sobre a natureza de Lyanna e de como ela poderia estar correspondendo àquilo.
Sobre Benjen, o relacionamento com Eddard parece mais distante. É curioso pensar que, sendo o outro único filho sobrevivente de Rickard e Lyarra, somente tenha se aproximado melhor de Ned nos anos entre o fim da Rebelião de Robert e seu ingresso para a Patrulha da Noite. É possível, inclusive, que essa falta de intimidade, aliada com o fato de Ned já ter retornado a Winterfell com dois filhos homens, tenham sido decisiva na decisão de Benjen ir para a Muralha.
O segundo aspecto da personalidade íntima de Eddard é como ele se portou durante sua idade adulta, enquanto fazia amigos, vivia amores e formava uma família.
Eddard nunca é descrito como sendo um homem atraente ou um amante encantador. Na verdade, Catelyn fala como ficou desapontada com ele ser mais baixo e melancólico e ter um rosto mais simples que o de Brandon. Mas ela afirma que com o tempo descobriu o amor no coração "bom e doce" de Ned.
É interessante notar que essa foi a mesma opinião que ela deu sobre o Norte a Lynesse Hightower:
Lembrava-se de como a Senhora Lynesse era jovem, bela e infeliz. Uma noite, após várias taças de vinho, confessara a Catelyn que o Norte não era lugar para uma Hightower de Vilavelha.
– Houve uma Tully de Correrrio que sentiu o mesmo um dia – Catelyn respondeu com gentileza, tentando consolá-la –, mas, com o tempo, encontrou aqui muitas coisas que podia amar.
(ASOS, Catelyn V)
Portanto, Ned é uma alegoria do Norte: inóspito, simples e melancólico, mas que guarda algum tipo beleza e calor. A próprioa Lyanna é descrita como uma bruta por alguns (meistre Yandel) e uma beleza selvagem por outros (Kevan Lannister). Sabemos que Ned não tinha a natureza da irmã, mas poderia ter um pouco dessa beleza selvagem? Talvez Ashara o tenha visto sob essa ótica? Talvez nunca saberemos.
O que sabemos com certeza é que Eddard era um marido dedicado, assim com Catelyn era uma esposa dedicada. Ironicamente, dois cumpridores de seu dever conseguiram fazer surgir amor em um casamento arranjado que era o substituto de outro casamento arranjado. A forma como Eddard se obrigou a respeitar até a crença religiosa da mulher é tocante (construindo um septo para ela e trazendo um septão a Winterfell).
Isto é diferente do tipo de amor que Robert tem por ele. A amizade entre os dois parece o típico caso em que um extrovertido carismático adota um introvertido sem amigos. Este tipo de relação - que é imposta por outra pessoa - parece ser o tipo com que Eddard lida bem. Ironicamente, poderíamos dizer que Ned só é amigo de seu "chefe", o que combina com sua lição a Jon de que um senhor nunca deve ser amigo dos homens que comanda (ADWD, Jon III).
Como pai, Ned era muito efetivo e marcou seus filhos profundamente. Podemos ver os resultados de sua criação naqueles que amadureceram antes de sua morte. Robb havia absorvido todo o dever, a honra e o senso de justiça do pai, se tornando um Eddard em pele de Tully. Jon seria sua imagem e semelhança, caso não fosse filho de outros e não tivesse sido acossado a vida inteira por Catelyn. Ainda assim, é incrível que toda essa adversidade não o tornou menos cópia de seu "pai". É notório que Jon é mais orgulhoso que Robb, mas isso é uma coisa sua, talvez um mecanismo de defesa, resultado de um complexo de inferioridade, ou apenas das falsas certezas da juventude.
Bran, Arya e Rickon eram jovens demais para que a influência do pai cristalizasse em sua personalidade. Portanto, eles hoje estão suscetíveis à influência de outras figuras paternas na jornada que enfrentam. Ainda assim, pequenas lições de Eddard continuam a ecoar neles mesmo anos mais tarde. Bran ainda se lembra sobre como seu pai dizia que apenas diante do medo os homens podem ser corajosos, e Arya procura uma matilha constantemente para não perecer como o lobo solitário 'quando os ventos brancos se erguerem'.
O caso oposto foi o que aconteceu com Theon Greyjoy. Nem todo o tratamento com deferência que lhe foi oferecido em Winterfell resultou em boas relações com Ned. Ainda que descontemos seu conflitos internos pessoais (assunto para outro texto), esta repulsa de Theon pode ser explicada pelo fato de que ele havia crescido e sido educado dentro de uma cultura que odeia os habitantes do continente, em especial os nortenhos. Portanto, diante da educação recebida nas Ilhas de Ferro e do tratamento solene que lhe era dirigido, não parece inverossímil que ele mais tarde alegue que era sempre lembrado de sua condição de prisioneiro e pense que Eddard era frio com ele.
Entretanto, como visto em A Dança dos Dragões, o verdadeiro ressentimento de Theon era saber que nunca seria parte da família Stark. De fato, havia semelhanças demais entre a história de Ned e Theon para que suponhamos que Ned não tivesse boa dose de tato quando eles se relacionavam. Ned também havia sido retirado de casa quando ainda era criança para ir morar com um estranho em uma terra estranha. Ainda que sua condição no Ninho da Águia fosse bastante menos opressora do que a de Theon em Winterfell, ninguém poderia dizer que Ned foi voluntariamente enviado para o Vale. Assim, As conclusões de Theon serão sempre injustas.
Mas esse não é o caso mais interessante e agudo entre as crianças criadas por Ned. O relacionamento mais desafiador e com mais consequência era aquele com sua filha Sansa. Comecemos por dizer que não havia nada afetivamente errado entre eles, mas as circunstâncias tornaram as falhas deste relacionamento em um sintoma do que havia de errado no próprio Eddard como Mão do Rei. Em síntese, os erros de Sansa também foram erros de Ned.
Durante os eventos sinistros que ocorreram em A Guerra dos Tronos, Ned repetidamente deixa suas filhas no escuro sobre o que realmente estava se passando. Em razão da diferença de naturezas, Arya e Sansa têm respostas diferentes às situações. Eddard tem mais sucesso em apaziguar Arya, cujas semelhanças com Lyanna podem ter ajudado com que ele a compreende-se melhor (veja: Eddard até permitiu que Arya tivesse treinamento em armas quando sabe-se que o próprio Lorde Rickard não o permitiu a Lyanna).
Contudo, Sansa não é uma garota que tinha 'ferro por baixo da beleza', como Lyanna. Sansa é a garota para quem 'a cortesia era a armadura de uma dama'. E é justamente aqui esta a falha de Eddard. Ned não tem traquejo social, não entende de sutilezas e acaba traído e executado justamente por isso. Portanto, não é nenhum coincidência ou ironia que Sansa esteja sob a tutela e controle do homem que conhecia o suficiente de sutilezas para, por exemplo, trair e garantir a execução de Ned e ainda sair de mãos limpas e levando a filha que Ned não soube lidar adequadamente.
Mas a bizarra relação pai-filha entre Mindinho e Sansa é assunto para outro texto.
LORDE EDDARD STARK
Eddard Stark foi Lorde de Winterfell e guardião do Norte por 15 anos e é amado o suficiente na região para que pessoas arrisquem as próprias vidas em intrigas e guerras para proteger seus filhos. Mas se era Brandon quem teve a educação senhorial adequada e Ned não é carismático ou tem traquejo social, como isso é possível? Muito facilmente, alguém responderia que isso se deve a um longo verão de 10 anos. Mas não é só isso, á traços da personalidade de Eddard que o tornam um bom senhor.
O primeiro deriva de uma afirmação de Catelyn lembranda por Arya quando viu Tywin Lannister em Harrenhal:
Lorde Lannister tinha um aspecto forte para um velho, com rígidas suíças douradas e uma cabeça calva. Havia algo no seu rosto que fazia Arya lembrar-se de seu pai, embora não se parecessem em nada. Tem uma cara de senhor, é só isso, disse a si mesma. Lembrava-se de ouvir a senhora sua mãe dizer ao pai para envergar a cara de senhor e ir tratar de algum assunto. O pai ria daquilo. Arya não conseguia imaginar Lorde Tywin rindo de qualquer coisa.
(ACOK, Arya VII)
Como se vê, Eddard tinha cara de Lorde. O suficiente para ser comparável a ninguém menos do que Tywin Lannister. Pode parecer irrelevante, mas é algo que o próprio Bran também nota, como Eddard assumia o rosto do Senhor de Winterfell logo no primeira capítulo do primeiro livro.
O segundo é que Ned não faz separação entre o público e o privado. Sua relação com seus próprios servos é muito pessoal. A ponto de achar que o Senhor devia ceiar com seus homens e conhecê-los, para que eles não morram por um estranho (AGOT, Arya II). Esta tipo de política pessoal é tipicamente nortenha. É o tipo de política que mais tarde Jon Snow indica a Stannis Baratheon a seguir: deixe que eles lhe conheçam e eles lhe seguirão.
Este tipo de política, contudo, não é o que seria útil em Porto Real. Mas também este erro não pode ser atribuído totalmente a Ned. O primeiro erro foi de Robert, que selecionou Ned com base na confiança, não em suas competências. Caso Robert, tivesse olhado para sua própria família (como Stannis esperava, por isso que ele partiu para Pedra do Dragão depois que Robert o pulou), talvez o conflito contra os Lannister teria sido muito mais restrito e menos danoso ao reino.
Havia sinais que Robert deixou de ler quando selecionou Eddard para o cargo de Mão. O primeiro era que Eddard era essencialmente um soldado. Jaime Lannister, quando avalia Randyll Tarly como candidato a Mão de Tommen, ele avalia que um soldado é uma "fraca Mão para tempos de paz" (AFFC, Cersei II). E isto é especialmente verdade quando notamos que Eddard é um agente político sem agenda ou ambição. Na ausência de um conflito real, ele é apenas alguém segurando a cadeira para outra pessoa (e que não via a hora de ir embora).
Talvez tenha sido o fato de que Ned continuou no Norte a se portar como um segundo irmão obediente e não causar problemas a Porto Real que tenha feito Robert pensar que Lorde Stark daria uma boa mão. Mas a postura isolacionista de Eddard deveria ter funcionado como um sinal de que o homem não saberia lidar com costumes da política sulista.
Porém, no final, Robert preferiu algo que lhe trouxesse conforto e familiaridade. E a falta de traquejo de Ned cobrou seu preço. Desde o primeiro encontro com o conselho, Eddard demonstrou que não tinha talento para fazer aliados, não estava acostumado a não ter a palavra final e tinha uma retórica rudimentar. Todas estas qualidades reunidas fazem de uma pessoa um imã de inimizades.
Fora isso, Ned não se cercou de pessoas que poderia confiar, tampouco agiu para a destituição de pessoas de quem ele desconfiava do conselho do rei (o que seria de alguma fácil de conseguir, já que metade do conselho era de baixo nascimento).
Por fim, quando seus erros de cálculo se acumularam e circunstância fora de seu controle se mostraram desfavoráveis, Eddard julgou que poderia usar seu cargo e uma força mercenária (patrulheiros da cidade subornados) para resolver tudo e cometeu mais um erro de subestimar Cersei, dando-lhe uma chance de fugir, no que ele classificou como "a loucura da misericórida".
No final, os Lannisters usaram sua própria honra contra ele, fazendo com que ele confessasse ter fabricado a verdade pela qual seus homens morreram em seu golpe de estado fracassado.
EDDARD, O MORTO
Primeiro, temos que afirmar o óbvio: Ned não está vivendo uma segunda vida em algum pombo em Porto Real, como afirma a infame e bizarra teoria. Nós estivemos na cabeça de Eddard e ele nunca teve sonhos de warg ou qualquer experiência de troca-peles.
Mas, fora de questões lúdicas, por que Martin matou Ned?
Algumas pessoas pensam que, ao matá-lo, GRRM estava dando o tom dos livros. Pessoas sem capacidade de se adaptar não estariam aptos a serem parte do jogo dos tronos e seriam alvo fácil para jogadores mais talentosos e experientes.
Outros afirmam que foi justamente para mostrar que assim eram as políticas medievais, e que Martin está apenas sendo realista e fiel ao tom da história de nosso mundo. Porém, Martin já afirmou enfaticamente não ter ou defender uma visão niilista do mundo.
Eu gostaria de propor uma terceira via: que Ned foi morto por circunstâncias fora de seu controle. Afinal, no fim, sua morte não era prevista nem por seus inimigos. Foi apenas um capricho de Joffrey, assim como a tentativa de assassinato de Bran.
Qualquer que tenha sido a razão para Ned morrer pela própria espada que ele executa Gared no início dos livros, a morte de Eddard aparentemente já era prenunciada (foreshadowed) desde o começo do livro, com a descoberta a loba gigante morta e seus filhotes desamparados perdidos no mundo.
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2019.10.01 20:47 ankallima_ellen As Aventuras de Gabi nas Terras do Estrogênio – Quadragésima Sexta Semana

Transicionar é, por muitas vezes, um ato de desespero. Quiçá, a última alternativa ao suicídio. Procrastinada por anos a fio, perdidos numa vã tentativa de se adequar ao inadequável. Resolução ponderada pelos sofrimentos: os de outrora e os de porvir. Um rompimento não apenas com uma persona autoimposta, mas principalmente com as expectativas da sociedade. Pais, familiares e amigos. Não sei se foi sorte ou azar, mas o acaso me reservou um período muito conturbado para tomar essa decisão. Fervilhava uma violenta polarização política que paulatinamente negava os parcos direitos da comunidade LGBTQI+ conquistados ao longo de muitos anos de árdua luta. A famigerada ideologia de gênero ocupava lugar de destaque nos debates, afinal, menino veste azul e menina, rosa. O único casamento sacramentado pela igreja é entre um homem e uma mulher. Qualquer desvio é pura heresia. Medo era tudo o que eu conseguia sentir. Quanto tempo uma garota trans recém saída do armário e completamente despida da armadura da passabilidade duraria nessas ruas opressoras?
Claro que podia esperar um pouco para me revelar ao mundo. Viver apenas aos finais de semana na segurança da minha morada, permitiu que me apaixonasse por ela: a garota que sempre fui. Conforme ganhava asas e ansiava pela liberdade as semanas passavam cada vez mais morosamente. Sabia que minha sanidade não resistiria muito. Comecei a sondar o terreno. Posicionei-me a favor da causa LGBTQI+ em minhas redes sociais. Fui às ruas militar contra o futuro despresidente e sua cruzada fomentada pelo fanatismo religioso. As esperadas respostas qualquercoisofóbicas vieram, alguns amigos e colegas se distanciaram ou me criticaram. Contudo, o que mais doeu foi o posicionamento dos meus pais. Filho meu não vai à rua fazer política. Resigna-se à opinião de quem está há anos na indústria e sabe o que é melhor para a economia do país. Direitos humanos não são importantes, conquanto o país cresça, foi o que entendi.
Percebi que a minha transição poderia custar meus pais. As pessoas nas quais sempre me espelhei. Forjei minha personalidade para ser o orgulho deles. O filho ideal, infalível, perfeito. Sempre disponível para satisfazer suas vontades. Será que estava disposta a pagar esse preço? Eu que vivi por todos esse tempo num emaranhado emocional com eles e suprimi por anos a vontade de transicionar por puro medo de decepcioná-los. Não que eles falassem explicitamente que não aceitariam uma filha trans. De fato, em casa, nada era dito abertamente, tudo era deixado subentendido. Tanto que vivia elucubrado quais seriam suas opiniões para me moldar adequadamente. Suas atitudes, entretanto, claramente homofóbicas e transfóbicas deixavam claro o quão disruptiva seria minha revelação.
Talvez tivesse sido a adolescência prematuramente abortada que me deixara eternamente na posição de filho. Com medo de crescer e assumir o meu devido papel. Ora, há lugar mais confortável e seguro do que colo de mãe? Por quase década e meia, apesar do oceano entre nós, senti-me resignada a aceitar minha parte da barganha. Aterrorizava-me o pensamento de perder todo aquele pretenso carinho e amor. Garantiam-me que não os encontraria em nenhum outro lugar. Muito menos nos braços da amada. Família é laço de sangue. Deve vir sempre em primeiro lugar.
A análise e a profunda reflexão requerida ao longo da transição para discernir quem eu era do que havia inventado para me adequar às expectativas dos meus pais revelou o quanto havia idealizado minha infância e adolescência. Pareciam-me tão perfeitas, mas, sob o escrutínio de uma recém percebida disforia dissolveram-se em períodos de profundo sofrimento, inadequação e frustração por não ser verdadeiramente eu. E mesmo que meus pais não tenham sido agentes sencientes de toda essa repressão, precisava cortar relações, afinal um oceano entre nós não bastou, para poder me enxergar, aceitar e encontrar meu lugar no mundo. Coisa de adolescente rebelde, que deveria ter feito décadas atrás. Porém, como amadurecer se vemos nosso corpo mudando da forma errada? É muito mais confortável permanecer como uma eterna criança. Brincar de bonequinho e fingir que nada de errado está acontecendo. Quem sabe agora que retomei a adolescência do jeito certo não me encontro?

Beijos e uma ótima semana!

Gabi, a que está soterrada em pilha de trabalho e sem tempo para escrever.
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2019.09.30 20:47 MundodaAvaliacoes como puxar assunto com uma mulher

Se você quer saber como puxar assunto com uma mulher e é tímido, esqueça este passado.
A seguir, você verá as melhores ideias para iniciar um assunto com qualquer garota, seja na rua, na escola, trabalho etc.
Por isso, confira agora mesmo a primeira dica e como ela funciona na prática!

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2019.09.01 14:12 MundodaAvaliacoes Metodo para Iniciar uma Conversa Sem se Ignorado! INFALÍVEL!

Nem todos temos a mesma facilidade, Algumas pessoas não sabem como iniciar uma conversa, e muitas vezes, deixamos escapar a oportunidade de conhecer alguém incrível ou de nos aproximar dela.
O que fazer neste caso?
Veremos a seguir as melhores dicas para que você aprenda como puxar assunto, independentemente da situação e oportunidade que você tem. Sendo assim, confira agora mesmo!
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2019.07.24 21:08 Gueixa Conselhos de uma ex-garota de programa sobre sexo e relacionamentos

Olá a todos meus queridos e queridas do Reddit! Eu sou a Gueixa e já fiz um desabafo aqui antes:
https://www.reddit.com/desabafos/comments/c24bdn/fui_garota_de_programa_e_não_me_arrependo/

Nesse meu segundo desabafo eu vim aqui comentar sobre um pouco do que tenho lido nessa maravilhosa comunidade.
AVISO!!! OLHA, vou avisar que é um TEXTÃO. Desculpe por escrever tanto, sei que muita gente não gosta, prometo q será a última vez que escreverei tanto assim. Mas eu quis abordar alguns tópicos q vi aqui sendo recorrentes e responder aqui dúvidas que recebi inbox e no chat.
Vejo muita gente com problemas de relacionamento, querendo aprender sobre sexo, perder a virgindade e outros temas, infelizmente não posso acompanhar todos. Sempre que posso leio e comento, mas a vida de mãe solteira não me permite sempre porque meu filho ta sempre aprontando e eu preciso ficar de olho, amo muito ele. S2
Mas deixando o meu lado mãe coruja de lado, eu vim aqui pra dar uma palavra amiga a vocês que estão com problemas de relacionamento e estão se encontrando no sexo.
Como ex garota de programa, o q eu aprendi dos homens que me procuravam: virgens, casados, solteiros, viúvos é que a conexão é o que faz as pessoas ficarem juntas. O q muitas vezes mantem a relação mais do q sexo são os laços construídos, as memórias, momentos.
Então pra quem está se relacionando ou quer se relacionar, tente sempre criar boas memórias, bons momentos juntos com a pessoa q vc gosta ou está interessada, fuja da rotina, inove no que puder. Seja sempre que possível transparente, converse, ouça, preste atenção, mostre que está junto com a pessoa.
Pode parecer bobo, mas faz toda a diferença. As vezes um beijo, um carinho valem mais que mil palavras. Mostre que vc gosta, mas não esqueça de vc também, NÃO VIVA PARA A PESSOA, MAS COM A PESSOA.
Meninos virgens: calma! Sexo não é tudo! Ser virgem não é o fim do mundo! Vc não precisa se preocupar em perder a virgindade cedo pq seus amigos perderam antes de vc. Relaxa. Não se apresse, pesquise sobre como dar prazer a uma menina, quando chegar ao momento, curta e não fique apressado em gozar ou meter. Escute a Tia Gueixa pq sabe das coisas, rs.
Se for perder a virgindade com uma garota que NÃO FAZ programa, seja sincero com ela, vá devagar, esqueça tudo q vc viu nos filmes pornos, aquilo lá não é realidade!
Vc não é o Kid Bengala e nem precisa ser. Um pau daquele tamanho machuca e assusta as mulheres normais. Quanto ao tamanho do pinto, não se sinta mal, saiba usar tudo q Deus te deu como a boca, dedos, tenha pegada q conta muito. E esteja cheiroso. Cheiros é muito importante pra nós, mulheres, ao menos pra mim é , rs.
Quando for transar, aproveite o corpo dela. Mostre q está gostando. Elogie o corpo dela, seja gentil e carinhoso. JAMAIS FORCE. Vai por mim, mulheres gostam de serem bem tratada, afinal quem não gosta?
Pense que é um parque de diversões e explore. Beije a boca com vontade, o pescoço, atrás da orelha, beije os mamilos dela, a barriga, a vagina, o bumbum, explore o corpo dela. Não pense só em meter.
Capriche nas preliminares!Se puder, aprenda a fazer massagem q é um diferencial! (eu por exemplo, adoro!)
Se for perder a virgindade com uma garota de programa pesquise preços, lugares acessíveis a vc, q tipo de serviço ela oferece, formas de contato, de pagamento e etc.
Uma boa ferramenta pra isso são os fóruns de garotas de programa. Existem alguns conhecido como o Gp Guia, Fórum X, Gp Arena, Fórum Cutuca, Fórum SD, Fórum Gp Luxúria.
Tem garota de programa q anuncia no Twitter, Facebook, procure lá pra se informar sobre elas. Procure sites de anuncio como Rio Encontro, Amantes e Cia, Photoacompanhantes, Viva Local.
Entre em contato, seja gentil e tire as dúvidas com ela. Não tenha medo de parecer inexperiente. Ninguém nasce sabendo!
Meninas: masturbem-se, conheçam seu corpo, não tenham vergonha, se deem prazer pq devemos nos amar em primeiro lugar.
E claro, quando transarem deem prazer aos meninos pq sexo é feito por 2 (ou mais) pessoas então TODO MUNDO TEM QUE GOZAR.
Reciprocidade é importante. Quando fizer oral dê aquela chupada olhando eles, capricha chupando toda a area do pau, lambendo a cabeça, o saco...Ele adoram! E se o cara curtir faz beijo grego, fio terra. Nada que der prazer COM consentimento é errado. Mas só se eles derem brecha, NÃO FORCE, se não derem continue com o que ele gosta. A reboladinha na sentada é certeira, dar uns sussurros, gemidos, até arrepia, ai ai...
O q aprendi nesse meio é que os homens gostam de serem ouvidos, gostam de atenção. Deem carinho a eles, escutem pq tem muito menino frustrado e desacreditado no amor e nos relacionamentos. Mas nunca se esqueçam q vc só deve fazer algo se vc se sentir bem.
Não curte anal, então não faz. Vc não existe só pra satisfazer outra pessoa. Ele terá que entender, afinal o cu é seu, rsrssrsrsrs
Não faz nada que vc NÃO curte, deixe isso claro. Agora se quiser experimentar algo novo, converse, pesquise e vai a luta!Sempre converse sobre fantasias, sempre deixe bem claro seus gostos.É melhor sempre ser transparente pra não haver mal entendido depois. Acima de tudo, divirta-se! Relaxa e goza!
Desculpem o textão, me desculpem quem não curte textos longos, se esqueci de algo depois falo.Agradeço a todos vcs pelo carinho, pela atenção, por me lerem, por serem tão gentis
.A partir de agosto vou ficar ausente aqui, então quis deixar algo pra vcs se lembrarem e se sentirem um pouco melhor. Beijos pra todos vcs!!!!
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2019.07.10 19:11 vipzen A música Eduardo e Monica da banda Legião Urbana esconderia uma implicância com o sexo masculino?

O falecido Renato Russo era, sem dúvida, um ótimo músico e um excelente letrista. Escreveu verdadeiras obras de arte cheias de originalidade e sentimento. Como artista engajado que era, defendia veementemente seus pontos de vista nas letras que criava. E por isso mesmo, talvez algumas delas excedam a lógica e o bom senso. Como no caso da música Eduardo e Mônica, do álbum Dois da Legião Urbana, de 1986, onde a figura masculina (Eduardo) é tratada sempre como alienada e inconsciente, enquanto a feminina (Mônica) é a portadora de uma sabedoria e um estilo de vida evoluidíssimos. Analisemos o que diz a letra.
Logo na segunda estrofe, o autor insinua que Eduardo seja preguiçoso e indolente (Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar; Ficou deitado e viu que horas eram) ao mesmo tempo que tenta dar uma imagem forte e charmosa à Mônica (enquanto Mônica tomava um conhaque noutro canto da cidade como eles disseram). Ora, se esta cena tiver se passado de manhã como é provável, Eduardo só estaria fazendo sua obrigação: acordar. Já Mônica revelaria-se uma cachaceira profissional, pois virar um conhaque antes do almoço é só para quem conhece muito bem o ofício.
Mais à frente, vemos Russo desenhar injustamente a personalidade de Eduardo de maneira frágil e imatura (Festa estranha, com gente esquisita). Bom, Festa estranha significa uma reunião de porra-loucas atrás de qualquer bagulho para poderem fugir da realidade com a desculpa esfarrapada de que são contra o sistema. Gente esquisita é, basicamente, um bando de sujeitos que têm o hábito gozado de dar a bunda após cinco minutos de conversa. Também são as garotas mais horrorosas da via-láctea. Enfim, esta era a tal festa legal em que Eduardo estava. O que mais ele podia fazer? Teve que encher a cara pra agüentar aquele pesadelo, como veremos a seguir.
Assim temos (- Eu não estou legal. Não agüento mais birita). Percebe-se que o jovem Eduardo não está familiarizado com a rotina traiçoeira do álcool. É um garoto puro e inocente, com a mente e o corpo sadios. Bem ao contrário de Mônica, uma notória bêbada sem-vergonha do underground.
Adiante, ficamos conhecendo o momento em que os dois protagonistas se encontraram (E a Mônica riu e quis saber um pouco mais Sobre o boyzinho que tentava impressionar). Vamos por partes: em E a Mônica riu nota-se uma atitude de pseudo-superioridade desumana de Mônica para com Eduardo. Ela ri de um bêbado inexperiente! Mais à frente, é bom esclarecer o que o autor preferiu maquiar. Onde lê-se quis saber um pouco mais leia-se quis dar para! É muita hipocrisia tentar passar uma imagem sofisticada da tal Mônica.
A verdade é que ela se sentiu bastante atraída pelo boyzinho que tentava impressionar! É o máximo do preconceito leviano se referir ao singelo Eduardo como boyzinho. Não é verdade. Caso fosse realmente um playboy, ele não teria ido se encontrar com Mônica de bicicleta, como consta na quarta estrofe (Se encontraram então no parque da cidade A Mônica de moto e o Eduardo de camelo). Se alguém aí age como boy, esta seria Mônica, que vai ao encontro pilotando uma ameaçadora motocicleta. Como é sabido, aos 16 (Ela era de Leão e ele tinha dezesseis) todo boyzinho já costuma roubar o carro do pai, principalmente para impressionar uma maria-gasolina como Mônica.
E tem mais: se Eduardo fosse mesmo um playboy, teria penetrado com sua galera na tal festa, quebraria tudo e ia encher de porrada o esquisitão mais fraquinho de todos na frente de todo mundo, valeu?
Na ocasião do seu primeiro encontro, vemos Mônica impor suas preferências, uma constante durante toda a letra, em oposição a uma humilde proposta do afável Eduardo (O Eduardo sugeriu uma lanchonete Mas a Mônica queria ver filme do Godard). Atitude esta, nada democrática para quem se julga uma liberal.
Na verdade, Mônica é o que se convencionou chamar de P.I.M.B.A (Pseudo Intelectual Metido à Besta e Associados, ou seja, intelectuerdas, alternativos, cabeças e viadinhos vestidos de preto em geral), que acham que todo filme americano é ruim e o que é bom mesmo é filme europeu, de preferência francês, preto e branco, arrastado para caralho e com bastante cenas de baitolagem.
Em seguida Russo utiliza o eufemismo "menina" para se referir suavemente à Mônica (O Eduardo achou estranho e melhor não comentar. Mas a menina tinha tinta no cabelo). Menina? Pudim de cachaça seria mais adequado. Ainda há pouco vimos Mônica virar um Dreher na goela logo no café da manhã e ele ainda a chama de menina? Além disto, se Mônica pinta o cabelo é porque é uma balzaca querendo fisgar um garotão viril. Ou então porque é uma baranga escrota.
O autor insiste em retratar Mônica como uma gênia sem par. (Ela fazia Medicina e falava alemão) e Eduardo como um idiota retardado (E ele ainda nas aulinhas de inglês). Note a comparação de intelecto entre o casal: ela domina o idioma germânico, sabidamente de difícil aprendizado, já tendo superado o vestibular altamente concorrido para Medicina. Ele, miseravelmente, tem que tomar aulas para poder balbuciar "iéis", "nou" e "mai neime is Eduardo"! Incomoda como são usadas as palavras "ainda" e "aulinhas", para refletir idéias de atraso intelectual e coisa sem valor, respectivamente.
Na seqüência, ficamos a par das opções culturais dos dois (Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, De Van Gogh e dos Mutantes, De Caetano e de Rimbaud). Temos nesta lista um desfile de ícones dos P.I.M.B.A., muito usados por quem acha que pertence a uma falsa elite cultural. Por exemplo, é tamanha uma pretensa intimidade com o poeta Manuel de Souza Carneiro Bandeira Filho, que usou-se a expressão "do Bandeira". Francamente, "Bandeira" é aquele juiz que fica apitando impedimento na lateral do campo. O sujeito mais normal dessa moçada aí cortou a orelha por causa de uma sirigaita qualquer. Já viu o nível, né? Só porra-louca de primeira. Tem um outro peroba aí que tem coragem de rimar "Êta" com "Tiêta" e neguinho ainda diz que ele é gênio!
Mais uma vez insinua-se que Eduardo seja um imbecil acéfalo (E o Eduardo gostava de novela) e crianção (E jogava futebol de botão com seu avô). A bem da verdade, Eduardo é um exemplo. Que adolescente de hoje costuma dar atenção a um idoso? Ele poderia estar jogando videogame com garotos de sua idade ou tentando espiar a empregada tomar banho pelo buraco da fechadura, mas não. Preferia a companhia do avô em um prosaico jogo de botões! É de tocar o coração. E como esse gesto magnânimo foi usado na letra? Foi só para passar a imagem de Eduardo como um paspalho energúmeno. É óbvio, para o autor, o homem não sabe de nada. Mulher sim, é maturidade pura.
Continuando, temos (Ela falava coisas sobre o Planalto Central, Também magia e meditação). Falava merda, isso sim! Nesses assuntos esotéricos é onde se escondem os maiores picaretas do mundo. Qualquer chimpanzé lobotomizado pode grunhir qualquer absurdo que ninguém vai contestar. Por que? Porque não se pode provar absolutamente nada. Vale tudo! É o samba do crioulo doido. E quem foi cair nessa conversa mole jogada por Mônica? Eduardo é claro, o bem intencionado de plantão. E ainda temos mais um achincalhe ao garoto (E o Eduardo ainda estava no esquema escola - cinema - clube - televisão). O que o Sr. Russo queria? Que o esquema fosse "bar da esquina - terreiro de macumba - sauna gay - delegacia"?? E qual é o problema de se ir a escola, caralho?!?
Em seguida, já se nota que Eduardo está dominado pela cultura imposta por Mônica (Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia, teatro, artesanato e foram viajar). Por ordem: 1) Teatro e artesanato não costumam pagar muito imposto. 2) Teatro e artesanato não são lá as coisas mais úteis do mundo. 3) Quer saber? Teatro e artesanato é coisa de viado!!!
Agora temos os versos mais cretinos de toda a letra (A Mônica explicava pro Eduardo Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar). Mais uma vez, aquela lengalenga esotérica que não leva a lugar algum. Vejamos: Mônica trabalha na previsão do tempo? Não. Mônica é geóloga? Não. Mônica é professora de química? Não. A porra da Mônica é alguma aviadora? Também não. Então que diabos uma motoqueira transviada pode ensinar sobre céu, terra, água e ar que uma muriçoca não saiba?
Novamente, Eduardo é retratado como um debilóide pueril capaz de comprar alegremente a Torre Eiffel após ser convencido deste grande negócio pelo caô mais furado do mundo. Santa inocência... Ainda em (Ele aprendeu a beber), não precisa ser muito esperto pra sacar com quem... é claro, com a campeã do alambique! Eduardo poderia ter aprendido coisas mais úteis, como o código morse ou as capitais da Europa, mas não. Acharam melhor ensinar para o rapaz como encher a cara de pinga. Muito bem, Mônica! Grande contribuição!
Depois, temos (deixou o cabelo crescer). Pobre Eduardo. Àquela altura, estava crente que deixar crescer o cabelo o diferenciaria dos outros na sociedade. Isso sim é que é ativismo pessoal. Já dá pra ver aí o estrago causado por Mônica na cabeça do iludido Eduardo.
Sempre à frente em tudo, Mônica se forma quando Eduardo, o eterno micróbio, consegue entrar na universidade (E ela se formou no mesmo mês em que ele passou no vestibular). Por esse ritmo, quando Eduardo conseguir o diploma, Mônica deverá estar ganhando o seu oitavo prêmio Nobel.
Outra prova da parcialidade do autor está em (porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação). É interessante notar que é o filho do Eduardo e não de Mônica, que ficou de segunda época. Em suma, puxou ao pai e é burro que nem uma porta.
O que realmente impressiona nesta letra é a presença constante de um sexismo estereotipado. O homem é retratado como sendo um simplório alienado que só é salvo de uma vida medíocre e previsível graças a uma mulher naturalmente evoluída e oriunda de uma cultura alternativa redentora. Nesta visão está incutida a idéia absurda que o feminino é superior e o masculino, inferior. É sabido que em todas culturas e povos existentes o homem sempre oprimiu a mulher. Porém, isso não significa, em hipótese alguma, que estas sejam melhores que os homens. São apenas diferentes. Se desde o começo dos tempos o sexo feminino fosse o dominador e o masculino o subjugado, os mesmos erros teriam sido cometidos de uma maneira ou de outra. Por que? Ora, porque tanto homens quanto mulheres e colunistas sociais fazem parte da famigerada raça humana. E é aí que sempre morou o perigo. Não importa que seja Eduardo, Mônica ou até... Renato!
Adolar Gangorra tem 71 anos, é editor do periódico humorístico Os Reis da Gambiarra e não perde um show sequer dos "The Fevers".
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2019.05.10 07:05 giulianosse Apatia; viver faz ainda menos sentido e literalmente não vejo saída pra isso

Aviso que isso vai ser longo. Provavelmente ninguém lerá até o fim, mas eu juro que tentei resumir o máximo que pude.
Background: 2018
Eu, 23 anos, basicamente um fracasso em quase todos os aspectos possíveis da vida.
Em julho descobri que seria jubilado no final do semestre após cursar 4 anos de um curso que eu amo em uma das faculdades mais prestigiosas do país pois não tinha vontade e ânimo de estudar (dificuldade de me adaptar = DPs = poucos amigos)... mas tudo bem
Sempre tive poucos amigos. Muitos colegas e conhecidos, mas poucos amigos de verdade. Sou super introvertido, mas depois que conheço mais a pessoa me torno o cara mais extrovertido do planeta. Não gosto de ir em festas e baladas onde não conheço ninguém, mas adoro passar uma noite enchendo a cara e falando/fazendo merda no boteco mais sujo da cidade com meus amigos. Sempre tive sobrepeso, fui feio e tive zero auto-estima, então nunca aprendi a me aproximar de alguém novo... mas tudo bem
Tenho os hobbies mais caseiros possíveis: livros, séries, jogos e filmes. Porém, assim como minha persona social, sou esquisito e sou doido de vontade de fazer outras coisas mais "ao ar livre" tipo viajar para outras cidades/países, ir em shows, festas, praticar um esporte; só faltava companhia mesmo... mas tudo bem.
Nunca tinha tido uma relação amorosa. Pior, sequer consigo conversar direito com meninas. Apesar de não ser mais bv, ainda assim era virgem e nunca tinha sentido vontade de ter um relacionamento... mas tudo bem.
Digo "tudo bem" pois eu aceitava perfeitamente a minha mediocridade. Eu não era feliz, mas de certa forma conformado e satisfeito com a minha situação... e isso era o que importava. Era contente e deixava a vida me levar.
Aí chegou setembro.
Logo no começo do mês, viajei com uns amigos e passamos um fim de semana enchendo a cara em um sítio, como fazemos semi-regularmente. Sempre vão basicamente as mesmas 8-10 pessoas, às vezes alguém novo. Eis que o impossível acontece: uma garota da minha idade, amiga comum de todos os meus companheiros (todos na casa dos 28 anos pra cima), também foi. Inicialmente eu não dei a mínima, mas aconteceu que ela estava 100% interessada em mim. Até eu, um zero a esquerda nesse assunto, notei isso na hora.
Enfim, por iniciativa dela acabamos se pegando (e eu, na ansiedade e pânico do momento, acabei nem me despedindo dela quando fui embora no domingo hahaha)
No dia seguinte, resolvi adicionar ela no Facebook (como faço com todas as pessoas novas que conheço) e, pasmem, ela vem puxar assunto. No começo, mal conseguia responder. Ela teve muita insistência em continuar me dando trela. Papo vai, papo vem e acabo "descobrindo" que ela estava realmente interessada em mim.
Acabou que, em basicamente uma semana, estávamos trocando mensagens todos os dias e conversando basicamente o dia inteiro sobre tudo, tudo mesmo. Contei coisas pessoais que nunca tinha falado pra ninguém. Ouvi, também. Éramos compatíveis em literalmente tudo. Nos abrimos como livros. Nunca havia sequer imaginado que poderia ser íntimo assim com outra pessoa em minha vida.
Acabou que, obviamente, nos apaixonamos. No começo foi meio estressante (duas semanas depois, primeiro encontro, eu já a pedindo em namoro e ouvindo um "não" porém continuamos interagindo da mesma maneira; ela ficando com outras pessoas em um bar e depois vindo contar, chorando, que não podíamos ser nada além de amigos; ela mudando de opinião 180º um fim de semana depois) mas deu que acabamos por enfim namorar.
Não quero me prender muito aos detalhes, mas apenas gostaria de dizer que foram os melhores três meses da minha vida. Eu a amei, e era tudo absolutamente 100% recíproco. Fizemos planos, fomos descobrindo ainda mais coisas e hobbies que éramos compatíveis... até brincávamos que estávamos bancando o Juscelino Kubitschek edificando Brasília - 50 anos em 5 - pelo ritmo das coisas. Não sou muito de filmes românticos, mas eu ainda acredito que nossa paixão era melhor que 95% de todos os roteiros e scripts que alguma vez já foram lançados no cinema (assistam "Spring" - além de ser um filme pica d+, é basicamente uma alegoria 1:1 do nosso namoro até então. Ficamos até meio chocados quando assistimos)
Nesse período eu também dei um duplo twist carpado na personalidade - minha auto estima foi de negativo a 100, comecei a me vestir melhor, fiquei mais extrovertido - as pessoas sempre nos chamavam para participar de qualquer coisa - e animado, comecei a expandir meu círculo social; passei no vestibular - extremamente concorrido e difícil da mesma universidade que fui desligado - sem estudar absolutamente nada, estava pronto para arranjar um estágio/emprego na área que sempre sonhei... Evoluí pessoal e profissionalmente nesses 3 meses o que não havia feito em 5 anos.
Começou 2019.
Tudo estava correndo na mais perfeita normalidade... até mais ou menos a metade de janeiro. No período de uma semana, um interruptor mudou nela. Da mesma maneira que a relação esquentou, esfriou... porém sem nenhum motivo óbvio. A mudança foi de nível "trocar 300 mensagens melosas por dia e o caralho a quatro" e contar os segundos até que pudéssemos nos ver novamente pra "tô cansada e ocupada, só posso falar de noite" e ficar indiferente quando finalmente nos encontrávamos.
No último dia do mês ela terminou por telefone. Ela disse que "não estávamos na mesma fase de vida" (ela havia terminado uma relação de 6 anos no começo de 2018) e que se isso continuasse ela iria me tratar ainda pior a cada dia que passasse, como foi com o ex dela. Disse que gostaria de continuar "sendo amigos", mas nem isso acabou por ser recíproco. Provavelmente queria aproveitar a vida e não arrumar outra relação séria tão cedo, enfim.
Antes que alguém pense nisso - não, eu não estava sendo traído nem nada do estilo. Disso eu tenho absoluta certeza pelo que eu conhecia dela. E também não digo que eu não tive culpa de nada - durante o último mês da relação, a falta de reciprocidade estourou a minha ansiedade pra mil e isso mais que certeza contribuiu bastante pro final.
Para a surpresa de ninguém, isso foi como um tiro pra mim. Não esperava um término de fato, ainda mais sem nenhuma explicação. Mas o pior do pior de tudo foi o pós - agora, no caso.
Pense em alguém que esteve a vida inteira caído no chão. Um belo dia, alguém lhe dá a mão e a ajuda a levantar. Assim que a pessoa, por fim, finalmente fica de pé, alguém passa uma rasteira por trás e a pessoa volta a cair no chão.
Como eu falei, antes eu era medíocre, mas era conformado. Hoje eu voltei à mesma mediocridade, mas não consigo mais me contentar após ter visto "o outro lado" da vida. Como era bom ter uma pessoa na vida que realmente se importava com você. Como era ser amado por outra pessoa. O que é intimidade. Como é bom ser valorizado pelo que você é.
Infelizmente, tudo que conquistei acabou por voltar ao modo que era antes. Estou na mesma merda em relação à faculdade (falta de ânimo pra estudar = fazer poucas matérias no semestre = deixar de me enturnar com os outros calouros = suicídio social 2.0), não consegui um estágio, tenho quase 24 anos sem experiência profissional, sem um diploma, sem círculos sociais novos.
Nem tudo foi pro lixo. Ainda mantenho o meu peso (lá pra maio do ano passado comecei a fazer uma dieta que emagreci 25kg em 6 meses - me perguntem sobre jejum intermitente que eu sou profissa nisso!) e me sinto 1% mais confortável no meu corpo, minha relação com o meu pai melhorou e não perdi nenhum amigo que tinha após o termino (tanto porque nosso círculo social era o mesmo).
Porém, eu tenho vontade de acabar com tudo todos os dias.
Diversas pessoas me contaram, na época, que isso ia passar. Eu ainda penso nisso quase todos os dias. Pior ainda pois estou bem desocupado (tenho só 2 aulas por semana).
Venho tentando ser o mais social possível, organizando bares, encontros entre amigos, programas, churrascos... tudo pra ter um pouco de companhia. Mas, eu te pergunto, e aí? Todos meus amigos, por serem mais velhos, tem suas responsabilidades e não estão sempre disponíveis. Sem contar que eu sinto que a cada dia eles estão se enchendo de mim, por eu estar projetando toda essa carência (só conversei sobre meu término de vdd com um dos meus amigos, que além de ser família eu o considero praticamente como um irmão)
Nunca fui fã de acreditar em destino, mas vira e mexe me pego pensando "será que ela era 'a minha alma gêmea' e como eu caguei na oportunidade ficarei solitário pelo resto da minha vida?". Leio milhões de relatos na Internet de pessoas que são solteiras com seus 30, 40, 50 anos e me vejo no lugar delas. Tentei por um tempo dating apps mas foram poucas pessoas que me interessaram, ainda menos que sequer responderam minhas mensagens e nenhuma até agora que sequer deu a mínima bola. Me considero um 6 de aparência, mas sempre me prezei pelo meu humor e capacidade de conversa. Fato é que ninguém me quer.
Com toda certeza também nunca encontrarei alguém como ela na minha vida. Isso não é papo e sim praticamente um fato. Quais as chances de alguém, além de me achar interessante e bonito, dar a iniciativa que está afim de mim, me dar bola, ser bonita, possuir os exatos mesmos gostos e hobbies, mesma personalidade, mesmo senso de humor, maturidade... mesma porra toda? E ainda possível conhecer ela por intermédio de amigos? Absolutamente zero.
E é por isso que não vejo mais sentido nessa vida. Só estou prolongando o meu sofrimento e apatia a cada dia que passa. Estamos já quase na metade do ano em um piscar de olhos e sinto que tô jogando minha vida no lixo. Francamente, meu desejo de viver acabou quatro meses atrás e atualmente eu sou apenas um zumbi vivendo em função do momento. Não há um dia que passe e eu não pense em como seria reconfortante dar um fim nisso tudo.
Se você leu até aqui: meus eternos agradecimentos e desculpas por ser algo tão patético. Desabafar me trouxe um alívio momentâneo, mas atualmente é tudo que eu tenho.
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2019.05.07 04:19 lucius1309 AFICIONADO

Apesar de toda a correria do dia a dia, procuro manter a higiene do espaço em que vivo. Limpo cozinha, quarto, sala, banheiro, lavo minhas roupas e o fogão geralmente não tem gotas de gordura ou óleo velho, nunca deixo louça suja de um dia para o outro e gosto de me organizar enchendo baldes com produtos de limpeza, molhando panos e passando rodos. Não que eu seja o maníaco da limpeza, mas toda a situação de morar uns dias na rua me traumatizou um pouco, até porque tenho pavor de ratos e aranhas, e na rua tinha que conviver com eles, e com a sujeira que qualquer cidade normal tem, e na época nada eu podia fazer pra mudar isso. Mas hoje eu tenho quatro paredes e um teto ao meu redor, e por isso tento manter em ordem.
Evitar velhos comportamentos é uma ótima maneira de criar novos hábitos.
Um dos meus principais comportamentos velhos sempre foi a falta de higiene. Meu quarto era cheio de baratas, cinzas de cigarros, camisinhas usadas, garrafas de vinho de 2 conto, latinhas de cerveja da mais fuleira, roupas sujas, paredes emporcadas e a porra toda. Eu vivia bem assim. Procurava beber o dia todo pra não ter que encarar essa situação de frente.
Mas agora não posso mais.
Sempre soube me virar nas mais diversas situações.
Certa vez eu estava saindo com uma moça, ela tinha 30 e poucos anos, sua aparência estava um pouco sofrida devido ao casamento que acabara de terminar com um alcoólatra, fora o trabalho e os dois filhos pequenos. Tudo isso somados à doença da mãe (Alzheimer) e vários problemas emocionais, principalmente relacionados à auto estima. Ficamos quase dois meses juntos, e nos primeiros dois encontros eu fui na casa dela pronto pra transar, mas ela alegou dor de cabeça. No terceiro encontro ela alegou dor de cabeça de novo, saquei do meu bolso uma dipirona e disse que não teria pressa pra esperar essa dor passar. Naquele dia transamos, e não foi exatamente como eu esperava. Acho que ela também não achou nada de mais.
Aos poucos fomos nos distanciando, acabamos perdendo contato e, os dois grandes amigos haviam se tornado dois estranhos um pro outro. Mas a partir daí, comecei a levar sempre junto das camisinhas, dipironas, pra todos os meus encontros com as mulheres que vieram depois dela. E se eu falar que nunca me ajudou, eu estaria mentindo.
Sou um completo aficionado, obsessivo e compulsivo por tudo o que a vida pode oferecer.
Coisas boas ou ruins.
Talvez seja meu problema.
Garotas de 14 anos postam em redes sociais que são "intensas demais" e por isso sofrem muito. No caso delas é drama, no meu caso é constatação real. Não que eu sofra muito, hoje tenho uma vida excelente, ganho mais do que posso gastar, transo com uma menina de 21 anos e tenho dois amigos pra dar risada às vezes, e isso tudo basta pra dizer que estou numa das melhores fases da minha vida (se não a melhor), mas todas as pancadas que levei, todas as surras que tomei, todas as vezes que tomei no cu (incluindo duas vezes em que o termo "tomar no cu" quase foi literal pra mim; e que prefiro nem lembrar), isso tudo me tornou um cara cético, que não confia em ninguém além de mim mesmo, que tem medo de deixar as coisas importantes nas mãos de outras pessoas, pelo simples receio de que essas pessoas não vão saber cuidar dessas coisas como eu cuido, não vão ter o carinho que eu tenho, e podem foder com tudo.
Eu deixo minhas memórias conduzirem a minha vida.
Sei que preciso me libertar de mim mesmo, do meu passado e viver o meu presente. Eu sei que meus comportamentos permanecem errados mesmo depois de mais de dois anos longe da garrafa, das noitadas, das putas e das brigas com traficantes.
Linhas e mais linhas de cocaína espalhadas em cima de mesas, cadernos, celulares e até nas costas de piranhas que nem lembro o nome.
Não é fácil mudar maneiras de pensar que perduraram por mais de 20 anos. Até porque sou extremamente conservador na minha maneira de pensar. Não conservador no sentido político da coisa, inclusive concordo com muita coisa que a esquerda vem pleiteando, acho nosso atual presidente um imbecil (mas confesso que dou risada vendo ele ser esse completo palhaço), principalmente em suas formas radicais de pensar, que estão colocando em risco a vida das pessoas que elegeram ele, não só da oposição.
Faz sinal de arminha agora.
Mito.
Rs.
Deixando a política de lado e voltando para a patética vida do narrador desse texto, eu tenho dificuldades de mudar maneiras de pensar, quando me abraço a uma verdade eu me abraço achando que ela é absoluta, estou sempre aberto a ouvir opiniões, mas eu sempre acho que a minha está mais certa do que a da maioria. Eu sei que isso é errado, que eu deveria mudar, mas acho que todo mundo tem tanta coisa pra mudar e também não consegue, não vai ser de uma hora pra outra que eu vou conseguir.
Até porque meu sangue não é azul e até o presente momento, meu mijo não é gasolina. Não sou mais especial do que ninguém.
Quem sabe daqui uns 40 anos eu tô no mesmo patamar de um Dalai Lama ou de uma Madre Teresa de Calcutá.
Mas hoje não.
Hoje eu saí a tarde pra comprar um chip pro meu celular, a ideia é ter um número profissional e um número pessoal, com o simples intuito de não ser tão obcecado pelo trabalho como venho sendo nos últimos dois anos. Moro num bairro super tranquilo, subi caminhando até a lan house mais próxima, comprei meu chip, paguei as doze pratas devidas e estava descendo a rua de volta pra casa quando encontrei um amigo completamente embriagado na calçada de sua casa.
"Carlos, quanto tempo que não te vejo!" e veio me abraçando sem pedir licença.
O bafo de cerveja me deixou excitado.
"Pois é André, quanto tempo mesmo. Como cê tá?" perguntei por mera educação.
"Brigando com a vida, bebendo pra caralho e nesse exato momento, juntando dez conto pra ir comprar um pino."
Olhei pra ele, dei uma risada vazia e ele retribuiu a risada.
"Escuta cara, eu vou descendo lá pra casa, depois a gente se tromba."
"Espera." ele me segurou "Você não tem os dez contos pra me emprestar não? Te pago depois, sempre paguei, cê tá ligado."
Tirei uma nota de cinco da carteira, coloquei na mão dele e saí correndo dali.
Sei que o mais correto seria tentar ajudar, chamar ele pra ir pra um alcoólicos anônimos ou coisa assim, perguntar se ele queria ou não conversar sobre a vida de merda que ele vinha levando, mas eu não sou esse cara. Tudo o que eu mais quero é salvar meu próprio rabo do meu pior inimigo (eu mesmo, no caso), e não tem sido fácil, e não vai ser nunca. Essa luta comigo mesmo nunca vai acabar, e é mais fácil que eu aceite isso logo e faça o melhor por mim, não pelos outros.
Muitas vezes eu tenho vontade de sumir, não me matar, a ideia de me matar hoje é obsoleta pra mim, uma vez que tentei oito vezes e não fui, então desisti. Esse negócio de morrer não é comigo. Mas sumir no sentido de deixar todas as pessoas que conheço pra trás, abandonar família e recomeçar em algum lugar nesse ou noutro país. Pegar o dinheiro que tenho guardado, beber metade dele e a outra metade, beber também. Com alguma sorte eu chegaria à alguma conclusão, e adquiriria uma consciência plena de todas as coisas (ou uma cirrose hepática, que seja), mas sumir não resolveria meus problemas de anos e anos, e uma hora eles voltariam com mais força ainda. Obviamente eu não saberia resolvê-los.
Como ainda não sei.
Por enquanto venho fazendo o simples, limpando a casa e deixando tudo o mais organizado possível. Tentando tirar cochilos pela tarde e deixar meu telefone desligado nos meus dias de folga. Não querer fracassar já é uma maneira sutil de vencer. Levantar da cama todos os dias pra fazer o simples, já é uma grande vitória pra um cara que há quase três anos atrás estava bebendo quinze ou vinte dias sem parar, esperando a morte vir buscá-lo.
Não que eu seja melhor ou pior, eu só cansei de sofrer como tava sofrendo. E decidi tentar. E tá dando certo.
Só por hoje tá dando certo.
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2018.04.20 20:34 CarroR24311 Como eu uso o Tinder pra despertar a “GP” interior em algumas mulheres

PRIMEIRO PASSO - O PERFIL
Bem, meu objetivo no Tinder sempre foi obter encontros com finalidade estritamente sexual, mas ao mesmo tempo precisava manter minha identidade preservada. Não estava buscando uma namorada, amante, crush, ou nada do tipo. "Ah, CarroR24311, mas não seria mais fácil então sair com uma GP?" Sim, seria...mas minhas motivações nem sempre são muito simples de serem definidas ou explicadas; encontro prazer no inusitado, no inesperado, na surpresa. Gosto de jogos, e me pareceu um jogo interessante essa "pescaria"...jogar a isca e ver quem nesse universo tão variado de meninas que aparecem todos os dias na descoberta do Tinder cairia na minha rede. Sabia desde o primeiro momento que seria uma loteria...sair com meninas das quais eu não sabia nada, das quais não tinha nenhuma informação senão meia dúzia de fotos e uma descrição que geralmente se resumia a signo, altura, gosta da série tal, dispensa quem quer apenas sexo (essa parte geralmente era a mais engraçada, por motivos óbvios).
Assim, o primeiro passo foi criar um facebook apenas com a finalidade de usar o Tinder, já que é obrigatório vincular uma conta do face ao Tinder. Feito isso, é hora de criar o perfil...por via de regras, no Tinder as pessoas avaliam as outras com base nas fotos e uma breve descrição. No meu caso a minha foto não mostrava a minha pessoa, mas sim uma sugestão sobre o meu objetivo ali. E minha descrição era bem objetiva, do tipo "Sou casado, busco relacionamento sexual e como retribuição ofereço um valor de até $$$ por cada encontro. Não busco romance ou namoro, ofereço e exijo o máximo de discrição".
SEGUNDO PASSO - A PESCARIA
Nesse momento se define o que se deseja, podendo limitar sua escolha por localização e faixa etária. No meu caso, no começo eu defini que gostaria de visualizar apenas meninas de 18-22 anos e localização de até 160 km do meu local. Nesse primeiro momento eu geralmente dava likes indiscriminadamente, queria mais ter um feeling se meu perfil iria fisgar a atenção de alguém. Logo no primeiro dia consegui 8 matchs, e então passei a ser mais seletivo, reduzindo o "range" de distância e concentrando meus likes apenas nas meninas que de fato me chamavam a atenção.
TERCEIRO PASSO - DEI MATCH, O QUE FAÇO AGORA
Bem, eu uso a seguinte regra: se dei like por último, eu começo a conversa, se a menina deu like por último, espero ela começar. No meu caso, tudo sempre começa com o famoso "Bom dia, tudo bem com você?", e em seguida eu pergunto se ela leu meu perfil por completo, se existe alguma dúvida com relação à minha proposta. Acho isso importante pois reforça a objetividade da oferta e não dá muita margem para a menina ficar de papo furado depois. Na maioria dos casos as meninas afirmam terem lido e estarem de acordo. Mas também na maioria dos casos elas vão querer saber um pouco sobre você, sua motivação, e principalmente, vão querer uma foto sua. Posso afirmar que 99% vão pedir para ver uma foto antes de seguir em frente, e existem mil maneiras que você pode enviar uma foto: colocando no próprio perfil do Tinder e depois tirando (não gosto de fazer isso, pois alguém conhecido pode justamente estar olhando seu perfil naquele exato momento), upando em um tumblr da vida e passando o link, ou então passando a conversa do Tinder para o popular WhatsApp. Eu geralmente uso essa última.
Bem, daí pra frente vai de cada um. Você vai ter que conversar com a menina e combinar o seu encontro. Eu geralmente pergunto à menina se ela prefere encontrar antes para tomar um café, conversar um pouco, quebrar o gelo, afinal de contas são garotas que na maioria das vezes nunca fizeram sexo em troca de dinheiro e ficam preocupadas de você ser um maníaco ao algo do tipo. Para uns 20% isso foi muito importante, e eu não teria sucesso com elas se não tivesse colocado essa possibilidade. As demais foram de boa para abate sem floreios. Também é bom salientar que na maioria dos casos de encontros pelo Tinder não é a menina que vem ao seu encontro. Você vai ter que ir atrás...e isso pode ser um empecilho para alguns.
Outra coisa, eu não pedi nudes para nenhuma menina. Como já disse lá no início, encarei essa experiência como uma loteria, e solicitar fotos sem roupas poderia colocar em risco meu objetivo. Tem muita gente no Tinder que fica só pedindo foto, e as meninas por razões óbvias vão ter muito receio de encaminha-las para um estranho. Em razão disso, tive alguns desapontamentos, mas no fim, como Edith Piaf posso afirmar que "Je ne regrette rien"
Com relação à duração dos encontros, isso também era algo totalmente em aberto. Eu particularmente preferia não definir nada, deixar rolar...assim, para algumas meninas eu paguei para ficar uma noite inteira o mesmo que valor que gastei para passar 20 minutos com outras.
Enfim, o resultado dessa experiência foram encontros com 19 meninas, das mais diversas origens e classes sociais. Vou descrever um resumo de cada um, para que tenham uma ideia do que poderão encontrar...
Menina 1 - Mesquita - 20 anos - Funcionária Pública
Bem, essa foi fisgada ainda na primeira leva de likes. Mulata, não muito bonita de rosto, mas tinha um corpão de passista de escola de samba. Combinamos na praça, e na hora marcada ela estava lá. Eu estava nervoso por ser meu primeiro encontro, e ela nitidamente também estava. Quando ela entra no carro bateu uma bad, pois as fotos haviam pegado apenas seus melhores ângulos, que eu pessoalmente não conseguia enxergar. Enfim, mas eu já estava ali, então ia tentar fazer daquele limão uma limonada. Já no carro ela começa a me elogiar, dizendo que me achou bonito e que não entendia o porque de eu estar pagando para sair com garotas, e no caso, estar saindo com ela. Eu pensei a mesma coisa, mas não disse. Como eu havia combinado antes com ela de sairmos para comer algumas coisa, fomos para o shopping almoçar e conversar um pouco, antes de ir para o hotel. Bem, pelo menos sem roupa ela compensava a cara. Menina bem gostosa, seios médios, bundão. pedia para chamar ela de puta e por fim, me ofereceu atrás que eu claro, não recusei. mas logo em seguida bateu a bad de novo, e disse a ela que tinha um compromisso e ia precisar ir embora. Devemos ter ficado em torno de 1 hora no hotel...na hora de pagar ela ficou muito constrangida, a princípio não quis receber. Mas depois de minha insistência, ela acabou aceitando.
No caminho para deixá-la de volta em casa ela contou que imaginava que iríamos ficar mais tempo, mas que como saiu cedo iria conseguir ir à reunião do grupo de jovens na igreja 54** . Achei essa parte engraçada, mas segurei para não rir. Dois minutos depois de deixá-la no local onde a peguei, descombinei no Tinder e fui seguindo meu caminho pra casa, quando ela me manda uma mensagem pelo WhatsApp perguntando o porque de eu ter descombinado. Enfim, como justamente estava nessa para não ter que dar satisfação a ninguém, não respondi e tratei de bloqueá-la no WhatsApp também. Ela foi a primeira de 36 contatos que estão bloquedos hoje no meu telefone, que vão de garotas que eu já saí e não quis repetir até meninas com quem eu comecei a conversar mas decidi por não encontrar.
Menina 2 - Volta Redonda - 21 anos - Estagiária em Escritório de Advocacia
Sim senhores, nesse afã por ppk eu fui parar em Volta Redonda. Como no começo meu "range" estava de até 160 km, acabei dando match com essa menina de lá, e ela me chamou tanta atenção que decidi que valeria a viagem. Pelas fotos do tinder e instagram ela parecia com a Mulan, personagem de um desenho da Disney. Na conversa pelo WhatsApp se mostrou instruída, tranquila, o que me animou ainda mais em encontra-la. Com ela não teve papo antes...nos encontramos e fomos direto para o hotel. Era a segunda vez que encontrava alguém em troca de grana e estava juntando para por silicone. Dei duas com ela, e poderia ter dado mais se quisesse, mas eu tinha que voltar ao Rio para trabalhar. Enfim, apesar de ter sido legal, não tinha intenção de repetir, então foi para o saco dos blocks também.
Menina 3 - Santa Cruz - 18 anos - Blogueira e Hostess
Fiquei impressionado com as fotos dela. Pelo WhatsApp a menina me pediu um monte de fotos, perguntou um monte de coisas, já estava ficando puto, mas como queria muito conhecê-la fui relevando. Até que ela passou um pouco dos limites, perguntando coisas da minha vida pessoal, daí eu dei-lhe um fora, e já imaginava que ela ia me xingar e cair fora, mas o oposto aconteceu. Ela pediu desculpas e ficou mansinha, me mandou até nudes sem eu pedir. hahahaha
Enfim, fui encontrá-la em Santa Cruz, e a menina queria manter as luzes apagadas no quarto. Muito gostosa, mas tinha um comportamento meio estranho. Parecia sofrer de distúrbio de dupla personalidade. Enfim, essa eu não bloqueei, pois achei que valeria a pena encontra-la novamente, mas três dias depois ela vem com uma história que estava precisando de grana para por implante no cabelo, se eu não podia adiantar, e tal...bem, percebi que essa mulher ia ficar no meu pé, então mais uma foi morar no saco dos blocks.
Menina 4 - Tijuca - 18 anos - Universitária
Quando dei match com ela eu nem acreditei. A menina era muito gata, mas muito mesmo...um corpo perfeito, conforme pude ver pelas suas fotos de biquíni. O relacionamento com ela extrapolou um pouco os limites que eu havia determinado para mim mesmo. Fui dormir na república onde ela morava, falava com ela todos os dias, já não pagava mais, mas a coisa já estava saindo do controle, então preferi me afastar. Dessa eu tenho saudades..
Menina 5 e 6 - Tijuca - 18 e 21 anos - Universitárias
Dei match com a de 21 anos, que durante as conversar informou que uma amiga também estava interessada. Me mandou fotos da amiga, que de fato parecia ser muito gata. Perguntei se ela e a amiga se pegavam, ela disse que não. Eu então questionei o sentido de eu sair com as duas. Elas disse que estava precisando muito de dinheiro, e que poderia fazer "2 pelo preço de 1,5". Bem, como eu estava muito afim de comer a amiga dela, topei. Nesse eu me dei mal...a amiga de fato era gata, mineira, 18 aninhos, branquinha, peitões. Uma delícia. Agora a menina que eu dei match era simplesmente diferente das fotos!!! Uma gordinha baixinha que eu não pegava nem de graça...mas é aquilo, "tá no inferno, abraça o capeta".
No hotel, as duas não podiam ficar no mesmo ambiente pois a mineira (que apesar de linda parecia um bicho do mato), tinha vergonha de dar na frente da amiga. Assim, a comi no banheiro enquanto a gordinha ficava no quarto olhando o que tinha na geladeira. Estava bom com a mineira, até que ela dá um troço e fala "agora vai com ela"...hahaha. Quase me desesperei, argumentei que estava bom ali, que não queria parar naquele momento, mas ela disse que estava ficando com a buceta ardendo por causa da camisinha. Enfim, muito puto fui comer a gordinha, que pelo menos tinha uma buceta quentinha e apertada...botei o travesseiro na cabeça dela e percebi que daquela forma, com ela de 4, até que não estava de todo ruim. Enfim, gozei e quando eu viro por lado a mineira já estava vindo arrumada do banheiro. isso não tinha passado nem 40 minutos de quando havíamos chegado. Pra não me estressar, levei as duas embora com a intenção de nunca mais ver a cara das delas. Até que um dia recebo uma mensagem no whatsapp de um número desconhecido, e para a minha surpresa era a mineira, que estava querendo sair de novo comigo (ou seja, estava precisando de grana). Falei que ela estava doida, que tinha me decepcionado da última vez e não estava afim de me aborrecer novamente. Daí ela falou que ia se esforçar para me agradar desta vez, pediu desculpas, quase implorou. Como ela era gostosa, e estava aparentemente arrependida, lá fui eu encontrá-la. Até que de fato foi melhor, mas ela estava afim de um patrono, e eu não queria ter compromisso de ter de ficar saindo sempre que ela precisasse de grana, então botei ela no saco junto com as outras.
Menina 7 - Baixada - 20 anos
Essa prefiro não relatar, sorry.
Menina 8 - Nova Iguaçu - 18 anos
Essa eu conheci por intermédio da menina 8, então boto na conta do tinder também. Branquinha, linda, uma princesa...essa eu faço questão de encontrar até hoje.
Menina 9 - Duque de Caxias - 18 anos - Lojista
As fotos dela eram sensacionais. Os seios foram os que mais me chamaram a atenção, mas o rosto era lindíssimo. Por isso até fiquei meio cabreiro. Mas ao vê-la pessoalmente fiquei impressionado em como ela era ainda mais bonita. Segundo ela, eu era apenas o segundo cara com quem ela fazia sexo na vida. O primeiro havia sido um namorado com quem ela havia terminado apenas dois meses antes. A menina era muito, mas muito gostosa, e além de tudo ainda deixou eu fazer várias coisas loucas. Detalhe, ela disse ter uma irmã gêmea, o que foi suficiente para aflorar em minha mente os mais perversos pensamentos. Infelizmente não encontrei mais com ela, embora tenhamos nos falado algumas vezes depois. Fico na esperança, pois dessa também tenho muitas saudades
Menina 10 - Magé - 20 anos - Universitária
Loira, 1,75 m de altura, mulherão. Mas com carinha de menina...essa foi engraçada, pois demoramos a nos encontrar. Ela só podia em um dia específico da semana, num espaço de duas horas. Como fui descobrir depois, ela estudava com o namorado, e a única matéria que eles não faziam juntos caia nesse horário. Então eu a pegava na porta da faculdade, saía correndo pro hotel, e antes da aula terminar eu tinha que deixá-la de volta, pois ela ia para casa com o corno. Nos encontramos 3 vezes, e só paguei a primeira...nas outras ela me chamou, pois como o namorado dela não comparecia (eram crentes), ela sentia falta de sexo e acabava pedindo minha "ajuda". Saí fora pois fiquei com receio de dar merda, mas valeu a pena a aventura.
Menina 11 - Duque de Caxias - 22 anos - Comerciante
Me chamou atenção pois parecia ser linda de rosto pelas fotos. E de fato era muito mas muito bonita. Mas tinha um corpo meio estranho. Já era mãe, e a gravidez acabou judiando da menina. Mas tinha os maiores seios que já vi na vida, ainda que um tanto que moles. Gente boa, não tive coragem de dar block de primeira, mas também não queria mais sair com ela. Só que ela ficava me mandando mensagem direto, daí não teve jeito e mandei pro saco também.
Menina 12 - Duque de Caxias - 21 anos - Universitária
Essa foi engraçado. Menina de Goiânia, nos falávamos pelo WhatsApp e seu sotaque dava o maior tesão, aquele "amorrr" fazia o pau subir na hora. Mas a menina era muito carente, e já no chat ficava falando que não ia querer receber pois tinha medo de isso afetar nosso futuro 08** 08** 08** . Bem, no dia do encontro saímos antes para tomar conversar, tomamos um chá, e a menina estava cheia de amor. Já no hotel se mostrou uma devassa na cama, muito gostosa, mas ela estava afim de romance, então tive de sair fora.
Menina 13 - Barra da Tijuca - 18 anos - Só fuma maconha 70**
Essa menina eu já encontrei algumas vezes. Tem um perfil social que difere da maioria das outras pois é de família abastada. Mora em uma mansão em condomínio fechado da Barra, tem tudo o que quer, e sinceramente eu não sei por que está nessa. Acho que ela curte o lance da aventura, sei lá...nunca entendi. Mas enfim, é gostosa demais, muito safada, então eu vou aproveitando.
Menina 14 - Campo Grande - 18 anos - Trabalha mas não sei aonde
Essa menina foi meio estranha, bonita, vivia me mandando nudes perguntando quando eu iria encontrá-la, até que um dia resolvi ir na longínqua Big Field. De fato muito gostosa, mas muito estranha também. Eu a elogiei assim que nos encontramos, tipo "você é muito bonita", e ela "eu sei!" 17** . Já fiquei meio bolado...calada, não falava absolutamente nada até chegarmos ao hotel. Bem gostosa, mas não me senti a vontade em nenhum momento com ela. Até que uma hora ela começa a ter dificuldades para respirar, e eu fiquei super bolado pensando que a menina ia morrer...ela disse que isso era normal, que ela precisava tomar um remédio para melhorar. Daí falei para irmos embora, mas ela não queria ir. Eu ficando desesperado, mas ela aparentou melhorar. Fumava igual um saci....fui puxar assunto, comentando que ela era muito quieta, até estranha. Que eu estava com medo dela...hahaha. Ela começou então a contar a história dela, que tinha vivido em orfanato até os 13 anos, um monte de história triste, daí fiquei na bad e insisti que tinha que ir embora. Finalmente ela aceitou. Nesse dia tive duas alegrias, uma quando a encontrei, e vi que era bonita, e outra quando consegui me ver livre dessa doida. Óbvio que foi para o saco.
Menina 15 - Jacaré - 18 anos - Terminando 2º grau
Menina bonita, mas meio feminista. Não depilava a perna nem as axilas. Estava menstruada quando nos encontramos (só descobri na hora), não chupava (nas palavras dela "não faço aquele job"), enfim, desastre total. E o pior é que ela ficou me ligando depois querendo me encontrar de novo...
Tiveram mais 4, inclusive uma que mora no Leblon, que eu até agora não acreditei que deu match. Conheci-a dois dias atrás e estou praticamente apaixonado. A mulher é tão linda, mas tão linda que só o fato de eu ter saído com ela valeu por todos os infortúnios que passei. Mas agora estou com preguiça de descrever, e esse texto está ficando muito longo. hahahaha
Enfim, fora essas, ainda tem 19 matchs para desenrolar, e isso tudo em pouco mais de 1 mês. As experiências foram das mais diversas, e dá para comer uma menina por dia nesse tinder se você tiver disposição, grana e tempo.
Espero que tenha sido útil para quem ainda tem dúvidas sobre a utilização desse app. Eu já estou perdendo o fôlego, tem umas meninas que ainda quero conhecer pois me chamaram muito a atenção, mas depois disso vou dar uma parada. Administrar a logística para todos esses encontros não foi fácil. Mas valeu a pena!
TL;DR: ofereço grana pra mulheres “normais” no Tinder em troca de sexo e elas aceitam. Seguem também relatos de alguns encontros.
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2017.12.15 15:42 jecagado [Leitura Obrigatória] Resolvi fazer um textão.

Hoje em dia me sinto incapaz.
Não é zoera nem nada do tipo, é que ... Eu lembro que aos meus 8/9 anos de idade, eu já sabia fazer muita coisa em que as pessoas diziam que eu não era capaz.
Jurista americano defende que o regime nazista impediu que os cidadãos se armassem, e que essa medida facilitou a perseguição aos judeus
E apoia sua posição em uma pesquisa que comprova: o governo alemão de Adolf Hitler temia ações populares e fez de tudo para desarmar potenciais adversários do regime, ou pessoas que o Terceiro Reich pretendia perseguir. Ele é um dos mais importantes defensores, nos Estados Unidos, da Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês), e já advogou, dentro do Congresso americano, a favor do argumento de que a posse de armas é um direito de todo cidadão – afirma isso com base na Segunda Emenda da Constituição do país, que diz: “Sendo necessária à segurança de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser infringido”.
Sempre tive um bom conhecimento em informática pra minha idade, aos 13 anos eu já conseguia fazer muita coisa com o PC, que muito marmanjo nem sonhava. Eu parecia aprender com muito mais facilidade na infância, hoje as coisas se tornaram um pouco mais difícil. Essa semana eu fui em uma convenção dessas 'nerds' que acontecem por ai, e vi muitas crianças agindo feito adultas. Vi alguns casais homo afetivos, onde a mulecada não aparentava ter mais do que 14 anos (absolutamente nada contra). O que eu quero dizer é que, a falta de contato com o mundo (isso na época onde eu vivi a minha infância/adolescência), me fez acreditar que eu era incapaz de fazer o que eu queria, mesmo eu sendo completamente capaz, entendem ? (e não eu não estou falando de dar o brioco UAHUAH) Lembro que queria fazer um curso de Técnico em informática aos 12/13 anos de idade, ouvi: "Não, você é muito novo pra essas coisas!" Aos 15 quis entrar pra uma academia; "Não seu corpo ainda não está formado ainda!" Aos 16 obtive meu emprego, fiquei MUITO FELIZ, 6 meses depois: "Não, você não precisa trabalhar agora, vai estudar!" (fui obrigado a largar o emprego por escolha dos meus pais) Hoje eu estava avulso no Youtube, e vi um video de uma garota "rebelde" por nome de Danielle Bregoli, conhecida como Bhad Bhabie, uma "trapper" americana de 14 anos, que viralizou ano passado no Youtube, chamando não só a platéia, como a mãe pra briga no meio de um palco de um programa televisivo (desses tipo a "Super Nanni") Após viralizar, ela ganhou muitos seguidores no Instagram, e aproveitando a "fama" repentina, ela resolveu lançar algumas musicas no youtube, e alguns de seus videos (desse ano) chegaram a marca de 52 milhões de vizualizações. Tudo isso com 14 anos de idade. Isso me fez pensar que, o contato com o mundo através da internet, faz a criança /adolescente crer que ele é mesmo capaz de fazer certas coisas as quais os adultos ao seu redor, estão a todo momento os limitando. Toda aquela proteção criada em torno das pessoas com seus respectivos filhos, são mesmo necessárias ? Por que não apresentar o mundo logo para as crianças, ao invés de criar toda uma blindagem a cerca da criança ? Digo ... Eu tenho 23 anos de idade, e eu juro pra vocês que eu estou tendo contato com as pessoas /mundo nessa época da minha vida, eu to começando a entender o que é a vida. As vezes eu me sinto como um adolescente de 15 anos idade de hoje em dia.
Mas a obra também descreve e analisa a legislação alemã, desde o fim da Primeira Guerra Mundial até o auge do Terceiro Reich, que aprovou uma lei de 1938 formalizando a caça a qualquer cidadão que ainda tivesse armas. Nos idos de dezembro de 1922, eu havia conseguido estocar, fora de Munique, quinze metralhadoras Maxim, mais de duzentas granadas de mão, 175 rifles em perfeito estado e milhares de cartuchos de munição”. “No entanto, quantas histórias individuais poderiam ter sido escritas de outro modo?” Afinal, ele afirma em eu livro, “os próprios nazistas viam os judeus armados como suficientemente perigosos para minar sua estratégia de desarmá-los.” Leia a entrevista com o jurista Stephen Halbrook É possível comparar a política de controle de armas do Terceiro Reich com as regras adotadas nos países democráticos do século 21? Manter registros é uma política similar à realizada na Alemanha nos anos 1920, e os nazistas se aproveitaram dessas listas em 1933, quando chegaram ao poder. Nos séculos 19 e 20, o país manteve uma milícia armada, e todos os seus membros – cidadãos civis livres – precisavam manter armas em casa e estar prontos para se mobilizar com agilidade.
Bom, tudo começou quando conheci uma menina no tinder e de imediato rolou uma reciprocidade no aplicativo. Resolvemos passar a conversa no wpp, se conhecer melhor e até marcar um encontro. Ficamos mais ou menos 1 mês conversando sem parar, até surgir o primeiro desintendimento e logo no dia que ela estava mais sensível. Pedi desculpas pelo que eu fiz, ela me perdoou e fomos voltando ao normal aos poucos, quando me dei conta aquela paixão de antes no tinder virou uma amizade. E ficamos assim mais ou menos uns 3 meses, saímos algumas vezes, mas era só uma amizade. O tempo foi passando e percebia que cada vez mais os nossos pensamentos e ideais se combinavam. Nisso comecei a sentir uma atração forte por ela e um desejo de ficar com ela, de ter ela na minha vida. Fui até ela eu disse o que queria, que queria um relacionamento serio com ela. Porém ela disse que era para a gente ir com calma, sem apressar as coisas e ver no que ia dar. Então eu aceitei a resposta dela e ficamos juntos como ficantes, não era apenas uma amizade, mas também não era um namoro, pois havia sentimentos profundos envolvidos. Depois disso passei a frequentar a casa dela, os pais dela mostravam que gostavam de mim e isso me deixava feliz. Estava tudo lindo e maravilhoso, até eu saber ontem que os pais dela falaram muito no ouvido dela, dizendo que a gente não assumia logo, que eu não queria nada com ela, que por eu não ter faculdade não quero nada com a vida. Logo que ela terminou de falar comigo sobre isso, fiquei chateado e puto ao mesmo tempo.
Se você é pai, cara, aproveita o potencial do teu filho. Para de tentar criar uma blindagem de mundo perfeito pro seu filho, porque o mundo não é perfeito. Essas crianças que apoiam o Bolsonaro por ai, não passam de um bando de frustrado ... É mais do que claro que essa molecada vive sob um estado de blindagem criado pelos próprios pais em seus condomínios fechados (eu tenho certeza disso). Ahh ... não sei nem mais o que escrever ... Perdão pelos erros 'hortográficos', to sem paciência até pra redigir um texto bem elaborado.
Então ela fala para mim que devido a isso ela quer dá um tempo, porque está cansada de ouvir os pais falando no ouvido dela. Eu entendi a situação dela, mas e a minha? Será que ninguém liga para os meus sentimentos? Eu sinceramente não sei o que fazer com essa situação toda. Eu quero ficar com ela, mas parece que está ficando complicado. Adoraria ouvir os seus conselhos em relação a este meu caso. Obrigado a todos que leram!
TL;DR : Eu sinto que as crianças são muito subestimadas, até mais do que deveriam, então resolvi fazer um textão.
*Edit: Ajeitei os parágrafos
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2016.11.16 17:52 popeyers Ter tudo e não ter nada... Pensamentos suicidas, fraco controle emocional, desafeto e ser um estudante fracassado!

A muito tempo me sinto mal com a situação que me encontro então farei uma descrição sobre a minha vida até aqui: Nasci em uma família bem estruturada do interior do Paraná, mas a condição que me encontro é apenas “ok”, situação financeira normal sem nada a reclamar. Poderia ter sido bem melhor se meu pai tivesse ajudado minha mãe nesse quesito. Meu pai era basicamente um pilantra; convenceu minha mãe que havia cursado Direito mas que estava difícil arranjar emprego, minha avó com sua experiência de vida sempre foi contra esse relacionamento, por isso minha mãe não teve ajuda dela para se estabelecer após se formar em Serviço Social.
Antes de eu nascer e minha mãe buscar “fugir” do controle de seus pais, os meus começam a ficar juntos, se mudaram para outra cidade e abrem pequenas empresas bem-sucedidas na área de informática (com condições financeiras invejáveis, minha mãe me conta sobre os bons carros, piscinas, etc). Meu pai era um homem muito inteligente apesar de seu caráter, tinha conhecimentos avançados na área de tecnologia, principalmente porque nesta época ela apenas estava surgindo no solo brasileiro, consequentemente falava bem inglês pois estas matérias se interligavam antigamente. Logo os empreendimentos abertos eram sobre aulas desde inglês até programação (passando por coisas mais básicas como datilografia). Como estes eram estabelecidos em cidades pequenas do interior o único com tal conhecimento era meu próprio pai, sendo este o professor enquanto minha mãe cuidava da administração, limpeza e afins. Meu pai era extremamente preguiçoso e após conquistar uma grande clientela ele parava de prestar serviço, os dois começavam a ficar mal falados e então ele obrigava minha mãe a meter o pé para uma próxima cidade, onde tudo recomeçava. Também gostaria de acrescentar que meu pai era “street smart” então ele enrolava as pessoas com discursos o que ajudou bastante essa vida de gato e rato. Pulando um pouco a história, após eles terem conquistado tal má fama que não havia mais aonde eles fugirem, decidem voltar a cidade inicial (que é onde vivo até hoje). Aqui já mal falados era impossível fazer picaretagem, meu pai passou apenas a ficar em casa mexendo no computador, enquanto minha mãe trabalhava por salários medianos, graças ao curso superior. Neste meio tempo seu primeiro filho nasce, meu único irmão. Após um ano e meio minha mãe engravida de mim, gravidez indesejada por meu pai que tenta a forçar ela a abortar (inclusive dando uma pílula adquirida sem procedência por um traficante sem ela saber, ela diz que sentiu o que aquilo era e fingiu ingerir). Minha mãe sempre foi guerreira sabe? Então quando eu nasci ela teve pessoas conquistadas por confiança que a ajudaram a ir ao hospital e fazer tudo corretamente, já que meu pai se recusava a lhe levar. Eu sou um garoto loiro, de olhos azuis e de descendência germânica. Minha mãe diz que quando ela me levou para casa e meu pai me viu pela primeira vez ele desabou em lágrimas, dizendo que era a coisa mais linda que ele havia visto, parecendo um anjo e foi logo pedindo desculpas por tudo o que fez (este ato fez ela aguentar ele mais tempo).
Na minha infância inteira meu pai apenas fingia trabalhar, chegou a alugar um escritório para jogar jogos e fazer outras coisas que nunca saberemos. Não era de beber, mas seu vício em computadores e o ódio que ele carregava por tudo fazia com que ele batesse muito na minha mãe, bater a ponto de ela ficar arrebentada e afins. Pulando um pouco mais a história um dia eu ouço eles dois brigando, o que era muito comum, eu com minha inocência já havia descoberto que se eu fosse no mesmo cômodo geralmente tudo parava; fiz isto e eles dois me mandaram eu trancar a porta de uma sala junto com meu irmão dentro e não sair de lá. Após um tempo eu não ouço mais nada, saio da sala e vejo minha mãe desmaiada no chão, meu pai disse que ela tentou colocar o dedo na tomada e tomou um choque muito grande. Este ato fez com que minha mãe fosse implorar perdão de meus avós, os quais a acolheram e providenciaram o divórcio de meu pai. A minha guarda e de meu irmão ficaram com ela. Durante todo este processo era mais comum eu sequer ver meu pai, tenho poucas lembranças desta época, deve estar tudo reprimido. Mas minha vida fora dali era muito boa, tinha diversos amigos na escola, mesmo pequeno eu era centro da atenção das garotas, lembro que minha mãe mesmo sendo abusada e tendo pouco tempo me levava com meu irmão pra passear e afins (provavelmente tentando resgatar o pouco de inocência que ainda tinha). Minha vida acadêmica era de excelência, lia muito como passatempo, principalmente aquelas enciclopédias Barsa (tínhamos toda coleção e eu lia do começo ao fim). Meu pai me aplicava provas que ele criava sobre diversos conteúdos e se eu não acertasse sofria punimentos físicos, o que me fazia estudar e aprender muito rapidamente.
Após o divórcio meu pai fugiu com tudo de valor que eles haviam construído juntos, não só isso como contraiu diversas dívidas em nome da minha mãe. Graças a isto ela teve de trabalhar dobrado então eu ficava em casa sozinho, era obrigado a lavar a casa e fazer meus afazeres. Meus avós que como disse eram financeiramente bem estruturados (minha mãe em sua infância tocava piano em casa, desenhava e esculpia muito bem, e, teve acesso a ensino superior, algo raro para uma mulher do interior na época). Passei a ficar sozinho com meu irmão, o computador e a televisão haviam ficado. No começo fazia tudo o que devia, depois de um tempo eu passei a apenas assistir televisão e mexer no computador igual ao meu pai (não sei se foi um ato para fugir da minha realidade ou apenas algo que qualquer pessoa faria). Na época também tive diversos problemas de socialização, cheguei a entrar em diversas brigas na escola, inclusive uma vez quase matei uma pessoa (isto eu tinha uns 12 anos); eu sofria bullying por um grupo mais velho eles viam me enforcar no final da aula e eu saia correndo, um dia apenas um destes garotos veio sozinho me encher enquanto eu brincava com pedras, peguei uma lajota a arremessei contra ele, acertou a testa e abriu um buraco enorme (o garoto quase morreu de hemorragia). Este era filho de uma professora, como disse eu era inteligente na época, mas esta passou a me perseguir. Lembro até hoje de ter passado em primeiro lugar em um concurso nacional sobre astronomia que pegava desde a 4/5ª série não lembro em qual estava até o primeiro ano do ensino médio (estudei incessantemente tudo o que foi repassado possível cair no teste), a professora ao receber os diplomas entregou a todos que haviam passado e eu acabei ficando sem pois segundo ela colei na prova. A partir daí eu perdi todo gosto pelo estudo, e me afundei mais ainda no computador.
Isto nos traz aos dias de hoje. Não me esforcei desde aquela época em nada, sempre passei nas matérias por ter uma capacidade que eu considero um pouco mais elevada (desculpe se estou parecendo arrogante), literalmente não entregava trabalhos ou tarefas, até hoje na faculdade deixo de os fazer. Cheguei a jogar tênis onde meu professor disse que eu tinha potencial e um físico adequado, poderia jogar profissionalmente com esforço, simplesmente faltei quase todas aulas. Cursei também violão, espanhol, alemão, natação, etc (mesma história). No terceiro ano do ensino médio meu irmão estava cursando faculdade em outra cidade, eu estudando manhã, tarde e noite (o último por curso técnico de informática). Neste ano eu entrei em depressão (tinha também ataques de síndrome do pânico) e faltei tanto as aulas que reprovei por falta, engraçado que nos exames simulados estilo Enem eu sempre estava entre os 6 melhores da turma junto com pessoas que estudavam incessantemente, mesmo assim ninguém da coordenação veio socorro de mim ou de minha mãe. Meu irmão desistiu da faculdade e voltou para nossa casa. Cursei novamente o ensino médio e passei; escolhi ensino superior em Direito após ficar em dúvida entre história e filosofia (mas não queria ser professor) ou Ciências da Computação (mesmo curso que meu irmão estava fazendo, mas me afastei da ideia por medo de ficar igual meu pai).
Continuo sendo este cara relaxado que descrevi, não consigo me suceder em nada. Os trabalhos acadêmicos de apresentação eu me dou muito bem. Mas não tenho amigos na faculdade; tive relacionamentos com algumas meninas mas eu sempre me afastava a ponto de ainda ser virgem hoje aos 20 anos de idade. Peguei recuperação em Direito Penal pois não entreguei um trabalho valendo muita nota e tendo ido mal em uma prova, tinha que decorar muitos prazos e teorias, ou seja, investir tempo algo que sabemos que não faria. Tenho chance de pegar mais uma em Processo Civil – Recursos pelos mesmos motivos, a aula de hoje me fez perceber o quanto precisava desabafar. Além do mais eu percebi que meu encantamento era pela busca da Justiça, pra quem estuda Direito sabe que é um absurdo o que é feito com o Direito Positivo brasileiro, somos quase robôs em nosso cotidiano (a área Constitucional, filosófica e histórica me interessam bem mais, o motivo pelo qual não cursei estas é a pouca flexibilidade de carreira e os baixos salários {quero ser bem visto pelos demais}). Aos términos das aulas eu tenho que esperar a van que pego para ir a cidade vizinha na faculdade, faço isso me escondendo no banheiro e assistindo youtube ou navegando no reddit. Sempre balanceio minhas faltas para não reprovar, alguns términos de aula eu saio para caminhar na cidade e volto correndo para pegar a van a tempo. Ao chegar em casa estou tão estressado com minha vida merda, minha mãe idem com a dela, que eu fico extremamente irritado e chego a xingar ou ameaçar de vez em quando, então basicamente após todo este ciclo estou virando meu pai. Me recluso novamente no computador de casa. Eu acho que as pessoas da facul me veem como um cara esquisito, sem amigos, já tentei conversar com algumas, mas geralmente eu fico como algo a não se dar muita atenção sabe? Passei a nem tentar, a única coisa que eu me dedico na vida é vaidade, como perceptível na escrita deste texto; os exercícios físicos + alguns olhares que recebo de algumas meninas são a única coisa boa do meu dia (mas as que já me conhecem me enxergam como um cara chato e param de dar bola).
Nem sei o intuito do porque escrevi este texto. Acho que no meu íntimo tenho esperança de alguém me jogar uma luz; /brasil me socorra.
TL; DR: A vida inteira sofri por consequências principalmente que meu pai me trouxe, após um tempo percebi que estou me tornando igual a ele. Aos poucos vejo o fracasso que sou e tenho medo de não conseguir mudar isto.
Edit: A todos comentando sobre a busca de um psicólogo. No momento todo dinheiro que temos vai para a educação minha e do meu irmão. Sobra algo para de vez em quando fazer academia + aulas de guitarra também de vez em quando.No ano dos ataques fortes de transtornos que tive (+ reprovação) eu busquei tratamento psiquiátrico, implorei a minha família por isto. O que aconteceu foi que minha mãe nos levou a uma terapia conjunta que buscava tratamento "no amor". Me ajudou a me reconectar um pouco com ela já que nós não demonstramos afeto um pelo outro (eu não expliquei mas todo este processo fez com que ela se tornasse provedora, nunca parando em casa). Ela só quis o melhor de mim, mas acho que se eu tivesse aquela ajuda talvez estivesse em uma situação melhor. Mas eu não quero que vocês achem que a culpo, eu sei o quanto ela é foda!
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